quarta-feira, 23 de julho de 2014


 
BCEAO atribui 15 bilhões de CFA ao governo para pagamento de salários

Bissau, 23 Jul 14 (ANG) - O Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCAO), anuncia hoje um crédito ao governo guineense no valor de 15 bilhões de francos CFA, para o pagamento de salários em atraso na função pública.

De acordo com o Director Nacional do BCEAO, Aladje João Mamadu Fadia que falava a imprensa a saída da audiência que manteve com o Presidente da República, o apoio vem na sequência de pedido feito por José Mário Vaz ao Governador BCEAO Koné Djemocó. 

“No dia 2 de Julho, após a sua tomada de posse, José Mário Vaz pediu ao Governador do BCEAO que usasse de sua influência e os mecanismos ao seu dispor para ajudar na mobilização de recursos para resolver os problemas salariais”, explicou Aladje João Fadia.
 
Acrescentou que, o pedido de 15 bilhões de francos CFA foi formalizado no dia 10 do corrente pelo governo através do ministro da Economia e Finanças. “E hoje, é com grande satisfação que apresento ao Presidente da República José Mário Vaz os resultados da solicitação feita ao Governador do BCEAO”.

João Aladje Fadia disse que o montante já está disponível na conta do tesouro do BCEAO, graças aos recursos ao mercado financeiro (UEMOA).

“Este montante não é um donativo, é um crédito, porque em qualquer parte do mundo o governo é financiado através de crédito e o mercado financeiro para conseguir ter a confiança dos investidores”, explicou.

Informou que a recente visita que o novo Presidente República efectuou aos países membros da (UEMOA) o que aumentou a credibilidade do país junto a organização sub-regional.

Relativamente as condições para a liquidação do crédito, o Director Nacional do BCEAO explicou que a taxa média ponderada é de 6,05 por cento e disse estar esperançado de que o montante irá permitir que o governo resolva os problemas salariais. 

O Director Nacional do BCEAO informou que o montante será reembolsado num período de um ano. 

ANG/LPG
      
  

Economia




Missão do FMI avalia situação macroeconómica

Bissau, 23 Jul 14 (ANG) – Uma Missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), encontra-se de visita ao pais com o objectivo de avaliar a situação macroeconómica e discutir os planos do novo governo com os doadores para a assistência financeira.

Maurício Villafuerte, chefe da referida Missão, disse hoje à imprensa que  vão permanecer no país até o próximo dia 29 do corrente mês com a finalidade de, entre outros, actualizar os dados macroeconómicos incluindo o nível dos atrasados internos.

“A Missão vai igualmente avaliar as perspectivas de apoio financeiro à Guiné-Bissau por parte dos parceiros de desenvolvimento, discutir um quadro de políticas para o remanescente do ano 2014 e fornecer conselhos preliminares de política económica com vista a reforçar a gestão das finanças públicas e evitar a acumulação de novos atrasados”, informou.

O chefe da Missão do FMI à Bissau sublinhou que manterão um encontro de trabalho ainda hoje com os Secretários de Estado do Tesouro, José Djo e do Orçamento e Assuntos Fiscais, Tomásia Manjuba respectivamente.

A missão vai ainda  reunir com o Secretário de Estado do Plano, Degol Mendes na próxima sexta-feira.

Perguntado sobre o que  as novas autoridades podem esperar do FMI, Maurício Villafuerte disse que a sua organização dispõe de variais áreas e modalidades de assistência, desde financeira, assessoriamento de políticas entre outras.  

Disse que todas estas modalidades vão ser discutidas com o novo governo e o FMI espera que rapidamente sejam mobilizados os fundos para ajudar o país.

ANG –MSC/SG       

Mutilação Genital



“Metade das mulheres guineenses sofre do flagelo” diz Fatumata

Bissau, 23 Jul 14 (ANG) - Metade das mulheres da Guiné-Bissau entre os 15 e 49 anos ainda sofre de mutilação genital, alertou Fatumata Djau Baldé, representante guineense que participou terça-feira na primeira "Cimeira da Rapariga" (Girl Summit), realizada em Londres. 

A luta contra a mutilação genital feminina e o casamento precoce foram os temas centrais da iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Governo britânico com o objectivo de mobilizar apoios contra os dois flagelos.

Na Guiné-Bissau, quase um terço das raparigas casam antes dos 18 anos.

Segundo Fatumata Baldé, presidente do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas, essa participação foi antecedida por diversas iniciativas em território guineense.

O comité mantém "um trabalho contínuo com as comunidades para a promoção da transformação social necessária visando o abandono das práticas nefastas", destacou hoje a UNICEF em comunicado.

Os números relativos à Guiné-Bissau foram calculados em 2010 de acordo com as respostas ao Inquérito aos Indicadores Múltiplos (MICS), organizado pela UNICEF e organismos estatais.

A Assembleia Nacional Popular guineense (parlamento) aprovou em Junho de 2011 uma lei que proíbe a mutilação e foi conquistado o compromisso de líderes religiosos para abandono da mutilação genital.

No entanto, a excisão é uma prática com tradições seculares e persiste em muitas comunidades com o objectivo de condicionar a liberdade sexual das mulheres até ao casamento - que em muitos casos é negociado e forçado pela família, sendo a mutilação um requisito.

A prática é responsável pela morte de crianças e mulheres devido a problemas como hemorragias ou infecções, pela falta de condições em que é praticada, e é causa frequente de traumas físicos e psicológicos para quem sobrevive.

Lusa


   
    

CPLP



Promessa de apoio à Guiné-Bissau

Bissau, 23 Jul 14 (ANG) - Os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) querem apoiar a Guiné-Bissau e estão empenhadas em reunir apoios da comunidade internacional para garantir o desenvolvimento daquele país, anunciou terça-feira o ministro timorense dos Negócios Estrangeiros. 

José Luís Guterres falava  em Díli após o Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros, que antecede a X cimeira de chefes de Estado e de Governo da organização lusófona. 

"Há o interesse dos nossos países em dar o apoio que for preciso, de acordo com os meios que cada um de nós possuir, para que a Guiné-Bissau consolide o processo democrático, consolide a paz e a estabilidade, condições fundamentais para o arranque e desenvolvimento", afirmou o ministro timorense.

"Há um consenso de que precisamos de fazer mais pela Guiné-Bissau", disse Guterres, que sublinhou que "cada um dos países tem a sua própria conjuntura económica" e, por isso, não se pode dizer que a CPLP "sozinha vai resolver todos os problemas" daquele país africano.

O ministro anunciou que "há a ideia de organizar uma conferência internacional para que os doadores dos diversos países possam dar a sua contribuição", nomeadamente os membros da União Europeia, das Nações Unidas, da União Africana ou da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). 

O governante timorense referiu ainda que a CPLP decidiu renovar o mandato do representante especial para a Guiné-Bissau, Carlos Moura, nomeado no início deste ano. 

"Certamente ele irá, em consonância com a União Africana e com a CEDEAO, arranjar forma de consultas com vários intervenientes para que encontremos o apoio político e financeiro necessário para fazermos o arranque para o desenvolvimento do país-irmão da Guiné-Bissau", declarou.

Mais do que a possibilidade de cada país de apoiar financeiramente Bissau, os membros da CPLP pretendem "intervir politicamente e mobilizar outros países" para contribuir para aquele país africano. 

"O governo da Guiné-Bissau tomou posse recentemente e precisará de algum tempo para fazer o plano necessário para saber quais são as necessidades". 

A Guiné-Bissau tem um novo Presidente e governo eleitos, depois de mais de dois anos de autoridades de transição, na sequência de um golpe de estado militar, em abril de 2012. 

Lusa