Brasil/Governo indignado com tarifa de 25% dos EUA ameaça reciprocidade
Bissau,
03 Jun 26(ANG) – O Governo brasileiro manifestou hoje indignação com a decisão
preliminar dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre
produtos brasileiros, classificando a medida como injustificada e politicamente
motivada.
Em
nota, o executivo criticou as conclusões divulgadas pelo Escritório do
Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da investigação
aberta sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
Segundo
o Governo, a investigação foi iniciada em julho de 2025 e estaria relacionada
com as tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil, além de ter
sido estimulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na
nota, o Palácio do Planalto menciona a recente viagem do senador e
pré-candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro a Washington e afirma
que interesses eleitorais e familiares estariam a prejudicar os esforços
diplomáticos realizados entre os dois países.
“É
lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo
brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e
Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”,
acrescenta.
O
Palácio do Planalto também rejeitou as alegações que fundamentam a investigação
e afirmou que “não existe justificativa económica” para a adoção de tarifas
contra produtos brasileiros ou contra mecanismos nacionais de pagamento como o
Pix.
O
executivo destacou que os EUA acumulam superávit comercial com o Brasil há
vários anos, com saldo favorável aos norte-americanos da ordem dos 424,5 mil
milhões de dólares entre 2011 e 2025, o equivalente a 364,6 mil milhões de
euros.
Acrescenta
que 76% das importações provenientes dos Estados Unidos entraram no Brasil sem
pagamento de imposto de importação no ano passado.
“Oito
dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram
tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e
carvão”, afirma, ao lembrar que a alíquota média efetivamente cobrada foi de
3,1%.
Brasília
argumentou ainda que as medidas unilaterais adotadas por Washington têm
provocado impactos negativos sobre a economia brasileira, afetando
investimentos, empregos e rendimento.
O
Governo observou que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras
caiu para 9,4% no primeiro trimestre de 2026, o menor nível da série histórica.
Apesar
das críticas, o executivo informou que as negociações comerciais entre os dois
países continuam em curso com o objetivo de alcançar uma solução antes da
conclusão da investigação da USTR, prevista para 15 de Julho.
O
Governo afirmou que manterá o diálogo com o setor privado e procurará evitar a
entrada em vigor das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
Realça
que o Brasil poderá recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade
Económica, aprovada pelo Congresso Nacional, caso considere que as medidas
adotadas por Washington violam normas do comércio internacional.
Por
fim, o Governo declarou esperar que as recomendações preliminares não sejam
transformadas em tarifas definitivas, mas garantiu que adotará medidas para
proteger a economia brasileira caso as restrições sejam efetivamente
implementadas.
O
Palácio do Planalto termina dizendo: “É preciso estar atento aos traidores da
pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo
brasileiro”.
Antes,
ao comentar a decisão dos EUA, Lula da Silva chamou Flávio Bolsonaro de
"traidor da pátria" e de "imbecil".
Flávio
Bolsonaro, por sua vez, declarou hoje, em entrevista, que não pediu “expressamente”
para Trump taxar o Brasil durante a reunião que tiveram na Casa Branca, na
semana passada.
Lula,
por sua vez, recuperou a publicação de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, no
ano passado, em que celebrou o primeiro "tarifaço" imposto por Trump
ao Brasil, e acusou o adversário de mentiroso. ANG/Inforpress/Lusa

Sem comentários:
Enviar um comentário