EUA/Ofensiva tarifária ampliada após derrota na
Suprema Corte, mas afirmam querer negociar com Brasil
Bissau, 03 Jun 26 (ANG) - O governo de Donald Trump apresentou , terça-feira, nova proposta de tarifas contra cerca de 60 países após derrota na Suprema Corte em Fevereiro.
A medida, baseada na Seção 301 da
Lei de Comércio, prevê taxas de até 12,5% sob alegação de combater trabalho
forçado.
O movimento se soma à ofensiva direta contra o
Brasil, alvo de tarifas de até 25% por supostas barreiras comerciais e regras
digitais consideradas prejudiciais aos Estados Unidos.
A ofensiva
norte-americana ocorre ao mesmo tempo em que o governo brasileiro tenta conter
seus efeitos por vias diplomáticas.
O ministro das
Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participa nesta semana de um encontro da
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em Paris,
onde também está o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer,
responsável direto pela formulação das tarifas contra o Brasil, afirmou em
declaração à imprensa brasileira que já está em contato com Washington para dar
continuidade às negociações.
A presença simultânea
das duas autoridades na capital francesa ocorre poucos dias após a conclusão da
investigação norte-americana que propõe sobretaxas de até 25% sobre produtos
brasileiros, citando retaliações a práticas brasileiras ligadas a serviços
digitais.
Segundo dados do
próprio governo, cerca de 21% das exportações do Brasil para os Estados Unidos
podem ser atingidas caso as medidas sejam implementadas. A avaliação
predominante em Brasília é de que a disputa ganhou caráter político, com
impacto direto na relação bilateral.
Nos bastidores, a
diplomacia brasileira contesta a base das acusações e tenta demonstrar que
parte das críticas norte-americanas extrapola o campo comercial.
A inclusão de instrumentos como o Pix entre os
pontos questionados, por exemplo, é interpretada como reflexo de disputas
regulatórias e tecnológicas mais amplas.
O desfecho dependerá
das consultas públicas previstas para as próximas semanas e da capacidade de
negociação entre os dois países. Até lá, o cenário permanece de incerteza para
exportadores e investidores, com risco concreto de novas barreiras comerciais
no curto prazo.
A iniciativa
apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos
(USTR) estabelece dois níveis de tarifas.
Países que
"possuem mecanismos legais contra o trabalho forçado", mas
considerados "ineficazes" na aplicação, terão sobretaxa de 10%. Já
aqueles onde a prática é vista como mais tolerada enfrentarão tarifa de 12,5%.
Segundo o governo
norte-americano, todos os cerca de 60 parceiros analisados falham, em algum
grau, na restrição a esses produtos, o que criaria uma competição desigual para
trabalhadores dos Estados Unidos
A proposta surge como uma tentativa de estabelecer uma base jurídica sólida
para sobretaxas, após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter rejeitado, em Fevereiro,
as tarifas "recíprocas" anunciadas anteriormente pela Casa Branca.
Para viabilizar a nova medida, o governo recorreu à Seção 301 da Lei de
Comércio de 1974, que permite investigar e taxar práticas comerciais consideradas
"desleais".
Atualmente, o governo aplica taxas temporárias de 10 por cento que expiram em 24 de Julho, buscando agora um mecanismo permanente.
O plano detalha dois níveis de tributação: uma tarifa de 10% para economias que possuem proibições ao trabalho forçado, mas cuja aplicação é julgada insuficiente — incluindo a União Europeia, Canadá, México, Argentina e Reino Unido — e uma taxa de 12,5% para outros 45 países, como a China, Japão e Índia. Apesar da abrangência, a proposta prevê isenções para setores estratégicos, como produtos energéticos, terras raras, semicondutores, produtos farmacêuticos, café e carne bovina.
A reação
internacional foi imediata. A União Europeia classificou os novos direitos
aduaneiros como "injustificados", argumentando que os acordos
comerciais vigentes já prevêem cláusulas de combate ao trabalho forçado e
exigindo que Washington respeite os compromissos assumidos.
O processo agora
segue para uma fase de consulta pública, que ocorrerá até o dia 6 de Julho, com
audiências presenciais previstas em Washington a partir do dia 7 de Julho.
Enquanto isso, o governo Trump finaliza outras investigações que podem resultar
em novos anúncios tarifários contra parceiros comerciais acusados de
sobrecapacidade industrial. ANG/RFI

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