Brasil/Juiz do Supremo Tribunal Federal apela à regulação das redes sociais para salvar a democracia
Bissau,02
Jun 26(ANG) – O juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil Alexandre de
Moraes apelou hoje em Lisboa à regulamentação das redes sociais como forma de
preservar as democracias e a dignidade da pessoa.
“Assim
como qualquer meio de comunicação, assim como qualquer atividade
humana, que impacta milhões, eu diria biliões [mil milhões em português de
Portugal] de pessoas, e desde que há regulamentação no mundo, nenhuma
atividade económica que impacta biliões de pessoas deixou de ser
regulamentada”, frisou o juiz brasileiro, na sessão de abertura do Fórum de
Lisboa, na Aula Magna.
Por
essa razão, segundo o juiz “há necessidade de uma regulamentação, uma
regulamentação que preserve a liberdade de imprensa, preserve a liberdade
de expressão, mas preserve também a democracia e preserve a dignidade da
pessoa”.
“Não
é possível mais que as redes sociais continuem, em muitos aspetos, sendo terra
de ninguém”, sublinhou, denunciando as pessoas que, “de forma covarde, por
pseudónimos, ou números, ou perfis falsos, instiguem crianças e
adolescentes a suicídio, a automutilação, pratiquem crimes, discurso de
ódio, discursos nazis, fascistas, ataquem as instituições, ataquem a
democracia”.
Até
porque, segundo Alexandre de Moraes, “o exercício de uma pseudo liberdade de
expressão” pode acabar com a própria democracia.
“Nós
não teremos nem democracia e muito menos liberdade de expressão. E esse é
o grande desafio atual”, concluiu.
Os
debates nas redes sociais têm animado a mais alta jurisdição do Brasil,
ganhando particular importância em 2024, quando o juiz Alexandre de Moraes
ordenou o bloqueio do acesso à plataforma X por ter ignorado uma série de
decisões judiciais relacionadas com a luta contra a desinformação.
A
rede social X ficou bloqueada durante 40 dias no Brasil, tendo o proprietário,
o bilionário Elon Musk, classificado Moraes como um ditador que ameaça a
liberdade de expressão, antes de ceder às exigências.
O
tema entrou também na guerra diplomática e económica entre o Brasil e Estados
Unidos no ano passado.
O
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao anunciar as tarifas de 50% ao
Brasil (entretanto já retiradas para vários setores) deu como uma das
justificações o facto de a justiça brasileira ter emitido “centenas de ordens
de censura secretas e ilegais a plataformas de medias sociais dos EUA,
ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado
brasileiro”.
A
partir de hoje e até quarta-feira, altos representantes do poder judicial,
político e económico brasileiros, mas também de Portugal e outros países,
participam na 14.ª edição do Fórum de Lisboa, a que se juntam eventos de áreas
desde a cultura à economia.
O
Fórum é organizado pelo juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e
intitulado "Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios
Democráticos Económicos e Sociais", na Faculdade de Direito da
Universidade de Lisboa.
De
acordo com a organização, este será o mais alargado Fórum Lisboa "de
sempre", com mais de 470 palestrantes em cerca de 70 painéis de debate.
Além
de Gilmar Mendes, outros juízes do STF como Alexandre de Moraes e Flávio Dino
marcarão presença no evento, bem como o procurador-geral, Paulo Gonet, e outros
juízes das mais altas instâncias brasileiras.
Marcará
também presença o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e o
presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, entre outros.
São
esperadas ainda as presenças da presidente do Conselho Constitucional de
Moçambique, Lúcia da Luz Ribeiro, Thomas Friedman, escritor, repórter e
colunista do The New York Times, Ivan Duque, ex-Presidente da Colômbia, Dieter
Grimm, juiz do Tribunal Constitucional Federal alemão, Jorge Carlos Fonseca,
ex-Presidente de Cabo Verde, entre outros.
ANG/Inforpress/Lusa

Sem comentários:
Enviar um comentário