Reino Unido/Presidente do
Gana quer "solução multinacional" para eliminar terrorismo no Sahel
Bissau,
02 Jun 26(ANG) - O Presidente do Gana, John Mahama, defendeu hoje que o
terrorismo na região do Sahel só pode ser eliminado através de uma
"solução multinacional" que envolva outros países africanos e
parceiros internacionais.
"Acredito
que a solução é multinacional. Vai além da própria região. Há muitos países com
interesse no que está a acontecer ali", afirmou durante um evento no
centro de estudos britânico Chatham House.
Na
sua opinião, exemplificou, não é possível "ter paz no Sahel sem envolver a
Argélia ou a Mauritânia", pelo que defende parcerias mais alargadas.
O
Gana assinou, em março, um acordo de segurança e defesa com a União Europeia
que viabilizou o acesso a equipamento militar, incluindo 'drones' (aeronaves
não tripuladas) de vigilância, armas antidrone e motas, como parte de um pacote
de ajuda de 50 milhões de euros.
O
chefe de Estado ganês adiantou que o país africano partilha informações em
matéria de terrorismo e realiza exercícios conjuntos e programas de formação
com o Reino Unido, a Alemanha, a França e os Estados Unidos.
Mas
outra vertente do seu esforço tem sido a aproximação da Comunidade Económica
dos Estados da África Ocidental ao Mali, Burkina Faso e Níger, após estes
abandonarem a CEDEAO para formarem a Aliança dos Estados do Sahel (AES), em
2024.
O
afastamento dos três países aconteceu porque a organização sub-regional ameaçou
com uma intervenção militar e pesadas sanções económicas.
Isto
resultou também no abandono da Iniciativa de Acra, que facilitava a coordenação
regional na luta contra o terrorismo.
"O
que tenho feito desde que me tornei presidente foi procurar novos caminhos e
construir novas pontes de cooperação", vincou hoje Mahama, que aproveitou
a tomada de posse no início de 2025 para iniciar essa reaproximação.
"Felizmente,
a relação desanuviou. E penso que há mais discussão e contacto sobre o nosso
futuro comum entre a CEDEAO e os Estados do Sahel", adiantou.
Durante
a sua intervenção, o Presidente ganês reiterou o desejo de mais cooperação
intracontinental, tendo destacado a Zona de Comércio Livre Continental Africana
como um instrumento fundamental para impulsionar o comércio, a industrialização
e o desenvolvimento económico.
Isto
inclui a livre circulação de pessoas, disse, deixando críticas aos ataques
xenófobos na África do Sul, onde imigrantes ganeses e de outras nacionalidades,
como moçambicanos, têm sido alvo de ataques e manifestações.
"Penso
que isso contraria o objetivo da integração africana e vai contra os princípios
do pan-africanismo", disse.
Mahama
voltou também a defender uma reforma da ONU, considerando a exclusão de África
do Conselho de Segurança "uma injustiça histórica e um desequilíbrio
estrutural que compromete a credibilidade do próprio sistema
multilateral".
O
Presidente ganês sugeriu uma clarificação do Consenso de Ezulwini (adotado pela
União Africana em 2005, exigindo uma reforma profunda no Conselho de Segurança
da ONU, nomeadamente, dois assentos permanentes com direito de veto e cinco
assentos não permanentes para África) e propôs que a União Africana proponha
primeiro a questão da representação e, posteriormente, o direito de veto.
"Já
se passaram anos e os apelos continuam a cair em saco roto. Considero que houve
alguns erros na resolução. Podemos abordar esta questão num processo em duas
etapas", admitiu.
Sobre
o "projeto de lei sobre os direitos sexuais humanos e os valores
familiares", que foi criticado na imprensa internacional por ser
anti-LGBT+, Mahama garantiu que o texto vai ser analisado e que "ainda há
um longo caminho a percorrer antes de se tornar lei". ANG/Inforpress/Lusa

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