Sociedade/ Relatório dos Direitos Humanos da LGDH revela persistência de desigualdades e limitações no acesso à serviços básicos no país
Bissau, 07 Jul 26 (ANG) - A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), em parceria com a Associação para a Cooperação entre os Povos (ACEP), apresentou, segunda feira, o Relatório do Observatório dos Direitos Humanos 2025, que revela persistência de desigualdades e limitações no acesso a serviços básicos na Guiné-Bissau.
Segundo as
informações publicadas na página da Liga Guineense dos Direitos Humanos, visitada
hoje pela ANG, o documento traça um retrato abrangente da situação dos direitos
fundamentais na Guiné-Bissau e evidencia a distância entre os direitos
consagrados na lei e a realidade vivida pela população.
Baseado em
1.127 inquéritos realizados junto de 632 agregados familiares, 395 escolas, 12
centros de formação profissional, 50 unidades de saúde e 38 estabelecimentos de
detenção, o estudo conclui que, apesar de alguns progressos registados nas
últimas décadas, o Estado continua a enfrentar dificuldades para garantir o
pleno exercício dos direitos fundamentais.
O relatório,
elaborado ao longo de uma década de monitorização da realidade nacional, contou
com o apoio financeiro da União Europeia e integra um projeto que capacitou
mais de 400 ativistas de mais de uma centena de organizações da sociedade
civil, além de promover ações de sensibilização e debates comunitários sobre
direitos humanos.
No setor da
educação, os dados revelam elevados níveis de abandono escolar, sobretudo entre
as raparigas, com taxas de 46,4% no ensino secundário e 45,8% no ensino
superior.
O estudo
apontou a pobreza, os casamentos precoces, a maternidade e a insuficiente
proteção social como os principais fatores que condicionam a permanência das
jovens no sistema educativo.
As condições
de habitação e o acesso aos serviços básicos continuam igualmente preocupantes.
Segundo o relatório, 53% das famílias vivem em situação de sobrelotação, apenas
29% têm acesso à água canalizada e mais de metade depende de poços para o
abastecimento de água. Embora uma parte significativa das habitações utilize
painéis solares, esta realidade é atribuída sobretudo à adaptação das famílias
perante a insuficiência dos serviços públicos.
Na área da
saúde, o documento indica que a maioria da população continua a recorrer aos
centros de saúde e hospitais públicos quando enfrenta doenças graves. Contudo,
a falta de equipamentos, medicamentos, profissionais, água e eletricidade
limita a capacidade de resposta do sistema, obrigando muitas famílias a
suportarem custos elevados, incluindo nas consultas pré-natais.
O relatório
destaca ainda que, apesar de alguns avanços na igualdade de género, persistem
desigualdades significativas. A maioria das mulheres continua inserida no setor
informal, com reduzido acesso ao emprego formal e limitada participação
económica, situação que compromete o exercício pleno dos seus direitos.
No domínio
ambiental e económico, conforme o relatório, os cidadãos identificam a escassez
de água, a acumulação de lixo e a desflorestação como alguns dos principais
problemas que afetam diretamente a qualidade de vida, a saúde e os meios de
subsistência.
Na cerimónia
de apresentação, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos Bubacar
Turé afirmou que o Observatório
constitui um instrumento de cidadania e de responsabilização, defendendo que os
dados apresentados devem servir de base para decisões políticas capazes de
reduzir as desigualdades e garantir uma vida mais digna para todos os
guineenses.
Turé apelou
às autoridades, sociedade civil e aos parceiros de desenvolvimento para
transformarem as recomendações do relatório em ações concretas, reforçando o
investimento nos serviços públicos e assegurando o acesso efetivo da população
à educação, saúde, justiça, água e outras condições essenciais para o
desenvolvimento do país. ANG/LPG/ÂC//SG

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