Cabo
Verde/Incertezas
complicam caso de navio com foco de hantavírus ao largo da ilha
Bissau, 06 Mai 26 (ANG) - Dois tripulantes doentes e
uma pessoa que foi exposta ao hantavírus vão ser retiradas do navio suspeito de
ser o foco da doença, que está ancorado ao largo de Cabo Verde.
Após a
evacuação médica, a embarcação deverá seguir para as Ilhas Canárias ou para os
Países Baixos, afirmou terça-feira (5) a
Organização Mundial da Saúde (OMS).
A organização também tenta localizar mais de 80
pessoas que estavam no mesmo voo que uma das passageiras infectadas.
O navio MV Hondius poderá deixar o
arquipélago cabo-verdiano após a retirada médica das três pessoas, que
desembarcarão no porto da capital, Praia, e serão conduzidas de ambulância até
o aeroporto nas proximidades da cidade, de onde seguirão de avião, explicou Ann
Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde. Eles serão transferidos para os
Países Baixos.
“O que sabemos até agora é que o navio
poderá partir em algum momento da madrugada, entre terça e quarta-feira, após a
conclusão da evacuação médica”, acrescentou.
O MV
Hondius navegava de Ushuaia, na Argentina, para o arquipélago de Cabo Verde,
transportando 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades. Desde
domingo, o navio de cruzeiro permanece ancorado próximo ao porto de Praia,sem
autorização para atracar.
A OMS
informou no domingo que três mortes de passageiros estão associados ao
possível surto de hantavírus a bordo. A doença pode causar síndrome
respiratória aguda grave.
A resposta ao incidente é coordenada
entre os setores de saúde e autoridades portuárias de Cabo Verde, com apoio da
OMS e em articulação com autoridades dos Países Baixos, país de origem do
navio, e do Reino Unido, país de origem de ao menos uma das pessoas afetadas.
Ann Lindstrand afirmou ainda, em
entrevista à AFP nesta terça-feira, que as discussões sobre o destino final do
navio seguem em andamento.
“O plano inicial era que o navio
partisse daqui para as Ilhas Canárias, com destino ao porto de Tenerife (...),
mas existe a possibilidade de que siga diretamente para os Países Baixos”,
disse, acrescentando que negociações envolvem autoridades de saúde da Espanha,
dos Países Baixos, de Cabo Verde e da OMS.
“Há dois tripulantes doentes com
sintomas, e eles fazem parte das evacuações médicas”, afirmou. Segundo ela, “o
estado de saúde desses dois infectados é estável e se mantém assim há vários
dias”. As equipes médicas que os avaliaram “diversas vezes” concluíram que eles
“não precisam ser hospitalizados”.
Ela explicou ainda que uma terceira
pessoa, que teve “contato próximo” com um paciente em estado grave, também vai
desembarcar. “Essa pessoa está atualmente em bom estado de saúde e
assintomática; no entanto, apresentou uma febre baixa há dois dias, e foi
considerado mais seguro que ela desembarcasse”, afirmou, classificando a
operação como “complexa”.
Ambulâncias estarão à espera no porto da
Praia para transportar os pacientes ao aeroporto, com previsão de embarque na
manhã de quarta-feira.
A agência de notícias holandesa ANP,
citando o Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos, informou que os
três indivíduos — entre eles um cidadão holandês — serão transferidos para o
país europeu para tratamento médico.
“Todos os esforços estão sendo feitos
para garantir que isso seja providenciado o mais rapidamente possível”,
acrescentou o ministério, segundo a ANP.
A Organização Mundial da Saúde anunciou
ainda nesta terça-feira que iniciou esforços para localizar 82 passageiros que
estavam a bordo do avião no qual uma das passageiras infectadas pelo hantavírus
foi transportada da ilha de Santa Helena para Joanesburgo, na África do Sul.
A mulher holandesa, de 69 anos,
desembarcou em Santa Helena em 24 de abril com “sintomas gastrointestinais” e
embarcou no dia seguinte em um voo para Joanesburgo, segundo a OMS. Ela morreu
em 26 de abril, e a infecção por hantavírus foi confirmada na
segunda-feira. O marido dela, de 70, morreu a bordo do navio,
“Uma busca foi iniciada para localizar
os passageiros” do voo que realizou essa rota, informou a organização em
comunicado.
O voo era operado pela companhia aérea
sul-africana Airlink e transportava, além dos passageiros, seis tripulantes,
informou a diretora de vendas e marketing da empresa, Karin Murray.
A OMS,
por meio de sua diretora interina do Departamento de Prevenção e Preparação,
Maria Van Kerkhove, indicou a suspeita de “transmissão de pessoa para pessoa
entre indivíduos em contato muito próximo”.
Apenas um voo semanal liga Joanesburgo à
ilha de Santa Helena, localizada no Atlântico Sul, com duração aproximada de
quatro horas. As autoridades sul-africanas solicitaram à companhia aérea que
informe os passageiros potencialmente afetados e os oriente a entrar em contato
com o Ministério da Saúde caso ainda não tenham sido notificados, acrescentou
Murray.
ANG/RFI/AFP