terça-feira, 9 de setembro de 2014




Ébola

 Ministra da Educação apela à população para não consumir carne de caça

Bissau,09 Set (ANG) - A ministra da Educação da Guiné-Bissau, Odete Semedo, apelou  segunda-feira à população guineense para deixar de consumir carne de caça como forma de evitar a infecção por vírus de Ébola.

Odete Semedo falava aos jornalistas à margem das comemorações do Dia Mundial da Alfabetização que se assinaladia 8 de Setembro e que na Guiné-Bissau está a ser dedicado à prevenção do Ébola.
  
Perante jovens da comunidade do bairro de Antula, arredores de Bissau, a ministra lamentou  "ter havido resistência" da população aos apelos das autoridades no que toca à suspensão temporária do consumo de carne de animais de caça.
  
 "Ainda temos notícias de gente que está a consumir carne de caça, dizendo que há muito que come porco do mato, gazela e nada acontece", afirmou Odete Semedo. 
  
Para já, o Governo apenas vai reforçar a sensibilização contra essas práticas, mas no futuro pretende tomar "medidas drásticas", disse Odete Semedo. 
  
A ministra da Educação guineense também criticou o comportamento da população que tem vindo a "lançar falsos alarmes" de pessoas infectadas com Ébola supostamente vindas da Guiné-Conakry, país onde a doença já matou mais de 500 pessoas.
  
O Governo disponibilizou dois números de telefone gratuitos para a denúncia de casos suspeitos mas, de acordo com Odete Semedo, algumas pessoas têm estado a ligar para esses números lançando "falsos alarmes" pondo em pânico os agentes de saúde.
  
"É uma brincadeira de mau gosto diante de um problema que está a ceifar vidas", notou a ministra da Educação. ANG/Angop

segunda-feira, 8 de setembro de 2014



Ébola

OMS oferece termómetros de detecçäo de febre

Bissau, 8 Set 14 (ANG) - O Ministério da Saúde P
ública recebeu hoje 49 termómetros de deteção a distância de pessoas com febre originada pelos vírus da Ébola, doados pela OMS.


Segundo o Director de Prevenção de Saúde, Nicolau Almeida os referidos materiais serão enviados as diferentes pontos do pais onde funcionam equipas de vigilância criadas no quadro da prevenção do ébola.
 
Almeida disse ainda que foram lançados ao terreno equipas de intervenção rápidas formadas pela organização Médicos sem Fronteira.

Até então não há registo de qualquer caso de infecçäo por vírus de ébola no pais mas oito pessoas em Gabu  e três em Bafatá, cidades do Leste se encontram em quarentena.

A Guiné-Bissau faz fronteira com a Guiné-Conacry onde o vírus do ébola já provocou mais de 500 vítimas mortais. ANG/SG



Parceria

Associação “Força Guiné” e Universidade Federal de Pernambuco lançam projecto sobre segurança alimentar  

Bissau, 08 Set 14 (ANG) – A Associação Força Guiné (AFG) em parceria com o Departamento de Tecnologia e Biociências da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) procederam no ultimo fim de semana ao lançamento oficial do Projecto sobre Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional na Guiné-Bissau.

Segundo coordenador da AFG, Arnaldo Sucuma,  pretende-se  com o projecto realizar estudos que visam desenvolver um trabalho no terreno envolvendo as florestas do Estado de Pernambuco e as da Guiné-Bissau.

“ O estudo consiste em recolher informações sociais e culturais ligados a alimentação, tipos de produtos e a forma como são consumidos, o que lhes permitira sugerir um conjunto de dieta alimentar mais balanceada permitindo a população ter uma diversidade de acesso à diversos pratos alimentares”, informou.

De acordo com o Coordenador de AFG os referidos estudos vão durar dois anos na Guiné-Bissau ou seja entre 2014 a 2015 e väo  envolver alguns parceiros guineenses que tem estado a trabalhar no ramo da Segurança Alimentar incluindo o Governo.

Na cerimonia de lançamento do projecto, o Secretário de Estado de Segurança Alimentar, Filipe Quessangué, reiterou que é preocupação do governo assegurar o bem-estar social para todos os cidadãos, e que para o efeito existe um vasto programa no domínio de Agricultura e Desenvolvimento Rural em particular o programa nacional de Segurança Alimentar.
 ANG/LLA/SG
   



Literatura

“Sékou Touré mandou matar Amílcar Cabral” diz investigador cabo-verdiano

Bissau,08 Set 14 (ANG) - O investigador e professor universitário cabo-verdiano Daniel Santos lança sexta-feira, na Cidade da Praia, o livro Amílcar Cabral – Um Novo Olhar, defendendo que Sékou Touré, antigo presidente da Guiné-Conacri, terá sido o “provável mandante” do assassinato.

Numa entrevista à agência Lusa, o investigador recordou que no dia em que o “pai” das independências da Guiné-Bissau e de Cabo Verde foi assassinado, Sékou Touré preparou um jantar no seu gabinete para os “40 cabecilhas” que estiveram envolvidos na morte de Cabral, a 20 de Janeiro de 1973, em Conacri.

“O livro veio confirmar que os portugueses nada têm a ver com a morte de Amílcar Cabral. Pelos dados que reúnem, tudo se encaminha para que tenha sido Sékou Touré, antigo presidente da Guiné-Conacri, o mais provável mandante do crime”, revelou Daniel dos Santos, indicando que a obra será apresentada pelo antigo ministro das Infraestruturas de Transportes de Cabo Verde, Armindo Ferreira.

 “As pessoas já estão identificadas. Só falta oficializar quem mandou matar Amílcar Cabral”, prosseguiu o investigador cabo-verdiano, dizendo que a obra, de 600 páginas e sem prefácio, serve para “reavivar a memória” e fazer uma “rotura” com tudo o que já se escreveu sobre Cabral.

A morte de Amílcar Cabral nunca foi devidamente esclarecida, havendo dúvidas sobre os mandantes do crime que o vitimou, reinando também o silêncio entre os seus antigos companheiros no Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), cuja sede durante a luta de libertação (1963/74) estava precisamente em Conacri.

Vários livros já deram pistas sobre o contexto que levou à morte de Cabral, como os do jornalista e investigador português José Pedro Castanheira, do historiador guineense Julião Soares Sousa, dos escritores são-tomense Tomás Medeiros e angolano António Tomás, mas todos são inconclusivos sobre um envolvimento de Portugal ou do PAIGC.

Sabe-se apenas que o autor dos disparos que o vitimaram foi Inocêncio Kani, guerrilheiro do PAIGC entretanto falecido, alegadamente a mando de outro alto dirigente do então movimento independentista, Morno Touré, em conluio com Mamadou Ndjai, chefe da guarda de Cabral.

Daniel Santos recordou que o livro lhe ocorreu em 2001, quando começou a pensar em escrever uma dissertação de mestrado, que veio a coincidir com Amílcar Cabral e tinha como título “A Questão Colonial – O Contributo de Amílcar Cabral”.

“Quando fui defender a minha dissertação de mestrado, dei conta que havia a necessidade de se fazer um livro como este, porque todo o debate se centrou durante a arguição da tese sobre a vida de Amílcar Cabral. Houve a necessidade de se aprofundar mais”, indicou, dizendo, porém, que o livro, escrito há dois anos, tem pouco a ver com a dissertação de mestrado.

Segundo Daniel Santos, a obra é diferente de tudo o que já se escreveu sobre Cabral e, em termos de metodologia, faz uma “rotura completa”, uma vez que se afasta do “individualismo metodológico” para se centrar no “pluralismo metodológico”, ou seja, cruza várias fontes, deixando o público tirar as suas próprias conclusões.

Para o investigador, que reivindicou ser o primeiro cabo-verdiano a escrever um livro sobre Amílcar Cabral, a obra servirá também para promover um “debate cívico, franco, pedagógico, académico, muito humilde e sem amarras” sobre Cabral, sem perder de vista o contexto em que viveu e se moveu.

“Valeu a pena fazer esta caminhada e apresentar aos cabo-verdianos, partidos políticos, investigadores, jornalistas e professores um livro que não foi feito a pensar em agradar a este ou aquele, mas que seja útil a quem o leia”, disse.

Para o autor, Amílcar Cabral continua uma “figura marcante e emblemática” na história da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, uma pessoa com “defeitos e virtudes”, defendendo ser necessário colocá-lo “no lugar que conquistou por mérito próprio”.

O investigador cabo-verdiano diz que tem “muitas coisas na gaveta” e que já escreveu 90 por cento de outro livro sobre a história das ideias políticas do fundador do Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Daniel dos Santos, 57 anos, nasceu na Cidade da Praia, é jornalista – não está em exercício -, politólogo e professor nas universidades Lusófona de Lisboa, Jean Piaget e Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais (ISCJS), as duas últimas em Cabo Verde.
ANG/Lusa
Luta contra pobreza

ONG “ Muda Rumo” capacita animadores no âmbito social

Bissau 08 Set. 14 (ANG) – A ONG “ Muda Rumo “ organiza a partir de hoje e até ao dia 12 do corrente mês, um Ateliê de capacitação dos seus animadores em vários domínios da área social nomeadamente, alfabetização, saúde, micro finanças entre outros.

Durante a cerimónia de abertura do seminário, o representante do secretário de Estado da Segurança Alimentar, Raul Sanha agradeceu o convite daquela ONG, tendo considerado de “muito importante” o evento não só para a organização como para a sociedade guineense em geral.

Sanha disse que a implementação da política do governo exige a contribuição de todos, e que as ONGs como “Muda Rumo” jogam um papel importante na elaboração e execução dos projectos junto das comunidades de base.

“Para isso é preciso adoptar pessoas de conhecimentos através de formações permitindo-lhes ter capacidades de traduzir na prática as necessidades dos grupos alvos em todos as vertentes e em especial na luta contra a pobreza que é uma linha de intervenção da organização”, disse Sanha.

Por seu turno, o Presidente da ONG “ Muda Rumo” Francisco Nhaga destacou a sua organização tem como principio, servir aos necessitados da Guine – Bissau principalmente a camada mais pobre que representa quase 60 por cento da população, dos quais 54 por cento não têm água potável e a maioria são mulheres.

“Isso nos encorajou a criar esta ONG para poder fazer face a um dos objectivos do milénio que é o combate a pobreza “, disse Francisco Nhaga.

 Nhaga lamentou o elevado índice da pobreza que caracteriza o país, acrescentando que a Guiné-Bissau sendo um país com enormes potencialidades naturais, não justifica que a sua população viva em tanta pobreza.

A ONG “Muda Rumo” foi fundada no dia 20 de Junho de 2014 e tem como objectivo principal servir aos pobres e necessitados da Guiné-Bissau.
ANG /MSC/SG