quarta-feira, 19 de julho de 2023

 Afeganistão/ONU denuncia que talibãs aumentaram restrições a mulheres

Bissau, 19 Jul 23 (ANG) - As autoridades talibãs aumentaram ainda mais nos últimos meses as restrições impostas às mulheres e raparigas no Afeganistão, sobretudo nas áreas da educação e emprego, denuncia  um relatório da ONU sobre os Direitos Humanos naquele país.


Segundo o relatório da missão da ONU no Afeganistão, que analisou acontecimentos e medidas decretadas entre Maio e Junho, o Ministério da Saúde Pública do governo talibã anunciou que só os homens poderão fazer exames para prosseguirem estudos médicos especializados.

A medida vem na sequência da proibição de as mulheres estudantes de medicina se submeterem a exames de licenciatura, anunciada em Fevereiro passado, e da proibição das mulheres frequentarem universidades, decretada em Dezembro de 2022, segundo o documento.

A ONU afirma ainda ter registado casos em que os talibãs aplicaram as limitações (anteriormente anunciadas pelos extremistas) à liberdade de circulação e de acesso ao emprego das mulheres.

No início de Maio, duas funcionárias afegãs de uma organização não-governamental (ONG) internacional foram detidas por forças talibãs num aeroporto porque viajavam sem um acompanhante masculino, ou “mahram”, segundo o relatório.

Em Junho, uma parteira foi detida e interrogada durante cinco horas pelos serviços de informação dos talibãs, que a ameaçaram de morte se continuasse a trabalhar para uma ONG. Segundo o relatório, dois dias depois, a parteira demitiu-se.

"Duas outras ONG viram as licenças suspensas pelo Departamento de Economia devido à presença de funcionárias nos seus escritórios", denuncia-se no mesmo documento, que adianta ter igualmente registado casos de violência física contra as mulheres, incluindo um incidente em que membros do Departamento de Vícios e Virtudes espancaram uma mulher com um pau e obrigaram-na a abandonar um parque público.

Apesar das promessas iniciais de um governo mais moderado em comparação ao seu anterior período no poder, na década de 1990, os talibãs têm vindo a impor medidas severas desde que tomaram novamente o controlo do Afeganistão em Agosto de 2021, quando as forças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) ainda estavam a retirar-se do país.

Desde então, proibiram o acesso das mulheres à maior parte dos sectores da vida pública e do trabalho e reprimiram a liberdade dos meios de comunicação social.

O Governo de Cabul proibiu também as raparigas de frequentarem a escola para além do sexto ano e ainda as mulheres afegãs de trabalhar em organizações locais e não-governamentais. Em Abril, a proibição foi alargada às funcionárias de agências da ONU que operam no país.

As medidas desencadearam uma forte revolta internacional, aumentando o isolamento do país numa altura em que a economia afegã entrou em colapso e em que a crise humanitária se agravou.

Durante o primeiro regime talibã, de 1996 a 2001, os oficiais aplicavam castigos corporais e execuções públicas a pessoas condenadas por crimes, frequentemente em estádios desportivos.

Em Junho, os talibãs concretizaram o que se crê ser a segunda execução pública desde que regressaram ao poder.

A primeira ocorreu em Dezembro passado, quando um homem condenado por assassínio foi executado com uma espingarda de assalto pelo pai da vítima, na província ocidental de Farah, perante centenas de espectadores e vários altos funcionários talibãs.

O segundo, executado em Cabul, foi um homem identificado como Ajmal, considerado culpado do assassínio de cinco pessoas no ano passado.

Em Maio, a ONU declarou que 274 homens, 58 mulheres e dois rapazes tinham sido publicamente chicoteados nos seis meses anteriores. ANG/Angop

 

 Genebra/Vacinação mundial chega a mais quatro milhões de crianças em 2022

Bissau, 19 Jul 23 (ANG) - A vacinação infantil pelos serviços globais abrangeu mais quatro milhões de crianças em 2022 do que no ano anterior, uma recuperação pós-covid que está a ser mais lenta em países de baixo rendimento, indicam dados oficiais hoje anunciados.


De acordo com um comunicado conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a imunização infantil global começou a recuperar, após o retrocesso causado pela pandemia, indicam os mais recentes números de referência das vacinas contra difteria, tétano e tosse convulsa (DTP).

Os dados hoje publicados pelas duas organizações mundiais "revelam sinais promissores de recuperação dos serviços de imunização em alguns países".

Mas, a cobertura "fica ainda aquém dos níveis pré-pandemia, colocando as crianças em risco elevado de surtos de doenças".

Dos 73 países que registaram diminuições substanciais na cobertura durante a pandemia, 15 recuperaram os níveis pré-pandemia, 24 estão a recuperar e, "o mais preocupante, 34 estagnou ou continuaram a diminuir", segundo os dados da OMS e da UNICEF.

Em 2022, 20,5 milhões de crianças não receberam uma ou mais vacinas administradas através dos serviços de imunização de rotina, em comparação com 24,4 milhões de crianças em 2021, indicam.

Apesar desta melhoria, o número continua a ser superior aos 18,4 milhões de crianças que ficaram sem vacinação em 2019, antes das interrupções relacionadas com a pandemia, indicam as organizações internacionais, defendendo a "necessidade de esforços contínuos de recuperação e de fortalecimento do sistema".

Das 20,5 milhões de crianças que não receberam uma ou mais doses da vacina DTP em 2022, 14,3 milhões não receberam nenhuma dose, designadas por "dose zero".

Este número representa uma melhoria em relação aos 18,1 milhões de crianças "dose zero" em 2021, mas continua a ser superior aos 12,9 milhões de crianças em 2019, apontam os dados do relatório.

"Estes dados são encorajadores e representam uma homenagem àqueles que trabalharam arduamente para restaurar os serviços de imunização vitais, após dois anos de declínio sustentado na cobertura de imunização", sublinha director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no comunicado.

No entanto, considera que "as médias globais e regionais não contam a história completa, e mascaram desigualdades graves e persistentes" nalguns países, com o progresso a verificar-se sobretudo em nações "com bons recursos e populações infantis grandes, como a Índia e a Indonésia".

Esses valores "disfarçam a recuperação mais lenta ou mesmo o declínio contínuo na maioria dos países de baixo rendimento, especialmente para a vacinação contra o sarampo", alerta o responsável no comunicado conjunto.

Na vacinação contra o sarampo um dos patógenos mais infecciosos não se verificou uma recuperação tão positiva como aconteceu com outras vacinas, colocando mais 35,2 milhões de crianças em risco de infecção por sarampo, indicam os dados das organizações internacionais.

Por detrás da tendência positiva, há um alerta grave", afirma também no comunicado Catherine Russell, directora executiva da UNICEF.

Defendendo a "urgência de fortalecer esforços para chegar a mais crianças e prevenir mortes, porque os vírus, como o sarampo, não reconhecem fronteiras".

Os dados indicam que o Sul da Ásia que registou aumentos graduais e contínuos na cobertura na década anterior à pandemia, "demonstrou uma recuperação mais rápida e robusta do que as regiões que sofreram declínios prolongados, como a América Latina e as Caraíbas".

A região africana, "que está atrasada na recuperação, enfrenta um desafio adicional: com o aumento da população infantil, os países precisam de expandir os serviços de imunização de rotina todos os anos para manter os níveis de cobertura".

Pela primeira vez, a cobertura vacinal contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV) ultrapassou os níveis pré-pandemia, tendo os programas de vacinação alcançado o mesmo número de raparigas em 2022 do que em 2019.

A OMS e a UNICEF referem ainda que várias entidades estão a trabalhar para acelerar a recuperação em todas as regiões, e em todas as plataformas de imunização através de uma campanha global que apela aos governos para que cheguem às crianças que não foram vacinadas durante a pandemia. ANG/Angop

 

 Ucrânia/ Rússia bombardeia Odessa em retaliação ao ataque à ponte da Crimeia

Bissau, 19 Jul 23 (ANG) - O exército russo bombardeou massivamente, durante a noite de segunda-feira, o porto de Odessa, no sul da Ucrânia, como forma de retaliação ao ataque ucraniano contra a ponte da Crimeia.


Este ataque afasta, desde já, a renovação imediata do acordo de exportação de cereais através do Mar Negro. Enquanto Kiev diz que pode continuar o acordo sem a Rússia, Moscovo pretende escoar os cereais para os países que necessitem, nomeadamente no continente africano.

Na sequência do ataque ucraniano à ponte de Odessa, Vladimir Dzhabarov, primeiro vice-presidente do Comité do Conselho da Federação para os Assuntos Internacionais, afirmou que a Ucrânia deveria ser privada do acesso ao Mar Negro e pediu que Odessa e Nikolaev voltem a ser regiões russas.

Durante a noite de segunda-feira o exército russo bombardeou massivamente o porto de Odessa. Canais de comunicação ucranianos informam que esta manobra era esperada, e que posicionaram sistemas de defesa em locais estratégicos. Também foram atingidas infra-estructuras de energia, que provocaram apagões e cortes de energia na região durante a noite. Nikolaev e Okachov foram atacadas pela Rússia.

Na madrugada de terça-feira, a defesa aérea ucraniana foi activada na região de Odessa, no sul do país, onde três portos faziam parte do  acordo de exportação de cereais, informaram as autoridades locais.

O alto representante da administração militar ucraniana em Odessa, Sergei Bratchuk, informou que o ataque foi efectuado com recurso a seis mísseis Kalibr que foram disparados desde o mar Negro, que teriam sido abatidos. Os destroços dos mísseis abatidos e as “explosões" das intercepções "causaram danos em objectos das infra-estruturas portuárias e em várias casas", detalhou.

De acordo com o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, o tenente-general Igor Konashenkov, esta operação foi uma retaliação ao ataque contra a ponte de Kerch, que liga a Rússia à Península da Crimeia, na madrugada de segunda-feira.

"Ontem à noite, as Forças Armadas russas realizaram um ataque múltiplo de retaliação com armas marítimas de alta precisão contra os locais onde os ataques terroristas estavam a ser planeados contra a Federação Russa com o uso de barcos drones, e contra o local da sua produção, numa fábrica de reparação naval na área do porto de Odessa"

O representante também afirma que além disso, as forças russas destruíram as instalações que armazenavam cerca de 70.000 toneladas de combustível para o equipamento militar ucraniano nas áreas das cidades de Nikolaev e Odessa. "Todos os alvos destacados para o ataque foram destruídos. Foram registados incêndios e detonações nos locais destruídos", sublinhou o porta-voz.

Esta situação agrava a questão do acordo de exportação de cereais através do Mar Negro, acordo este que terminou oficialmente na segunda-feira e Moscovo decidiu não renovar. Em reacção a esta decisão, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que “ninguém tem o direito de destruir e ameaçar a segurança alimentar de qualquer nação” e que o “mundo tem a oportunidade de mostrar à Rússia que não permite chantagens”. Esta questão dos cereais é uma prioridade para Kiev, segundo consta o mandatário.

Este acordo não foi assinado directamente entre Kiev e Moscovo. Ambas capitais assinaram paralelamente com a Turquia e as Nações Unidas. Na sequência deste ataque à ponte da Crimeia, o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan afirmou que Vladimir Putin pretende continuar com o acordo.

Esta manhã os chefes da diplomacia turca e russa conversaram ao telefone a respeito dos últimos acontecimentos. O Kremlin afirma que a Rússia está pronta para disponibilizar os cereais para os países necessitados, nomeadamente em África, segundo avança o porta-voz Dmitry Peskov. Os fornecimentos de cereais da Rússia a África serão discutidos numa cimeira a realizar no final de Julho”, acrescentou.

Moscovo acusa activamente o regime ucraniano de utilizar os corredores destacados para este acordo de cereais para propósitos militares.ANG/RFI

          
        São Tomé e Príncipe
/Cerca de 85% da população  consome álcool

Bissau, 19 Jul 23 (ANG) – Cerca de 85% da população de São Tomé e Príncipe consome álcool, segundo dados do relatório da missão da cobertura universal da saúde divulgados na terça-feira pela Organização Mundial da Saúde, que pede a mudança de estilo de vida no aquipélago.

Os dados foram apresentados durante a entrega da nova estratégia da OMS para garantir a cobertura universal da saúde em São Tomé e Príncipe.

Cerca de “85% da população de São Tomé e Príncipe consome álcool, 54% consome menos de cinco porções de frutas ou legumes por dia, cerca de 18% consome regularmente alimentos processados ricos em sal e sete em cada dez pessoas em São Tomé e Príncipe não pratica qualquer tipo de atividade física”, anunciou Sara Pereira, consultora da OMS em São Tomé e Príncipe.

O arquipélago são-tomense com cerca de 1001 quilómetros quadrados tem cerca de 200 mil habitantes, segundo dados do último recenseamento geral da população de 2012.

Sara Pereira indicou outros dados que permitem avaliar as áreas que deverão ser prioritárias “para melhorar a qualidade de vida e os indicadores de saúde no país”, sublinhando a ​necessidade de mudança de hábitos de vida no arquipélago.

A médica consultora da OMS referiu que o estudo realizado no ano passado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), concluiu que 54% das famílias são-tomenses “não conseguem comprar os medicamentos necessários”, essencialmente para o tratamento das doenças crónicas, e 10% “não conseguem ter acesso aos serviços de saúde de que precisam”.

“Além disso, acresce ainda dizer que São Tomé e Príncipe é o pequeno Estado insular em desenvolvimento com maior percentagem de custo catastróficos em saúde […] há uma percentagem importante de famílias em São Tomé que ao pagarem diretamente custos da saúde empobrecem, ou seja gastam mais de 40% do seu orçamento doméstico em cuidados de saúde”, indicou.

Sara Pereira referiu que o investimento do Governo no Orçamento Geral do Estado (OGE) para o setor da saúde tem vindo a aumentar, situando em 11%, mas sublinha que ainda está “um pouco a quem daquilo que é o valor ideal”, 15%.

A consultora indicou que São Tomé e Príncipe tem um “número insuficiente de recursos humanos”, situando em 2,4 médicos, enfermeiros e parteiras por mil habitantes, quando a OMS recomenda um rácio de 4.4 a 5, “como ideal para alcançar a cobertura universal da saúde”.

“É realmente um domínio que precisa de investimento”, precisou.

Durante a apresentação dos dados, a consultora da OMS afirmou que houve ganhos nos últimos anos, sobretudo nos 14 indicadores do índice de cobertura universal de saúde, nomeadamente saúde reprodutiva, maternoinfantil e neonatal, doenças infecciosas, doenças não transmissíveis, vacinação e acessibilidade aos serviços da saúde.

No entanto, “este indicador também esconde alguma desigualdade ainda existente no contexto nacional, seja pelas fragilidades do seu sistema de saúde, seja porque do ponto de vista geográfico financeiro nem todas as pessoas de São Tomé e Príncipe têm igualmente acesso aos cuidados de saúde”.

Sara Pereira referiu-se também a um novo indicador que cobre a saúde, educação e nível de vida das pessoas, que concluiu que “11,7% da população é multidimensionalmente pobre” em São Tomé e Príncipe.

“Significa que as pessoas não têm saúde, que é preciso investir na educação, mas que é preciso também olhar para as suas condições de vida […] se queremos saúde temos que fazer uma abordagem multissetorial. Não é suficiente tratar a doença se as condições de habitação, se o acesso a água potável, e se as condições de saneamento não são suficientes”, disse.

A OMS alerta que “existe um novo perfil epidemiológico” em São Tomé e Príncipe em que as doenças não transmissíveis, como diabetes, cancros ou traumatismos, “representam uma crise para a saúde, mas também uma crise económica e de desenvolvimento do país” porque os gastos para o controlo dessas doenças são muito elevados e o país ter recursos limitados.

A Organização Mundial da Saúde entregou ao Governo são-tomense a nova estratégia, avaliada em 9 milhões de euros, com cinco prioridade para melhorar a qualidade e acesso aos serviços da saúde e reforçar as capacidades dos recursos humanos no arquipélago até 2027.

“Cobertura universal da saúde significa que todas as pessoas, sem exepção, ninguém fica para trás, mas todos têm aceso a cuidados de saúde de qualidade, sempre e onde precisarem, independentemente da fase e do ciclo de vida em que se encontram”, sublinhou Sara Pereira durante a apresentação do documento.

A nova estratégia foi apresentada numa cerimónia que contou a presença de membros do Governo são-tomense, responsáveis do setor da saúde e das agências da ONU.

“Uma vez cumprindo estas estratégias em conjunto e com suporte técnico da OMS, o Ministério da Saúde, Trabalho e Assuntos Sociais, e mais propriamente São Tomé e Príncipe estará no futuro muito melhor do que se encontra hoje. O caminho é longo, mas faz-se caminhando e o primeiro passo começa hoje com a implementação deste documento e sua respectiva materialização”, sublinhou o ministro da Saúde são-tomense, Celsio Junqueira. ANG/Lusa

 

 Joanesburgo/Áfricado Sul diz que prender Putin na cimeira dos BRICS seria ato de guerra

Bissau, 19 Jul 23 (ANG) - O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, alertou terça-feira que uma eventual detenção do Presidente russo, Vladimir Putin, durante a cimeira das economias emergentes conhecidas como BRICS, em agosto, seria uma "declaração de guerra".

"A Rússia deixou claro que deter o seu Presidente em exercício seria uma declaração de guerra; seria contrário à nossa Constituição arriscar-se a entrar em guerra com a Rússia", disse Ramaphosa numa declaração que até agora era confidencial e foi terça-feira tornada pública, contra a vontade do chefe de Estado, por ordem de um tribunal de Gauteng, no norte do país.

Assumir o risco de guerra com a Rússia seria "um exercício temerário, inconstitucional e ilegal face aos poderes conferidos ao Governo", disse ainda Ramaphosa, que acrescentou: "Tenho obrigações constitucionais de proteger a soberania nacional, a paz e a segurança da República e de respeitar, proteger, promover e satisfazer os direitos à vida, à segurança e à proteção do povo da República".

De acordo com os meios de comunicação locais, citados pela agência de notícias EFE, esta foi a resposta presidencial a um pedido apresentado ao tribunal pela Aliança Democrática (AD), o principal partido da oposição na África do Sul, para conseguir uma ordem do tribunal para garantir a detenção de Putin se o chefe de Estado russo realmente participar na cimeira dos BRICS (Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul), marcada para agosto na África do Sul.

A maior economia da África subsaariana e um tradicional aliado da Rússia está num dilema relativamente à ida de Putin, já que, por um lado, impende sobre ele um mandado de captura internacional por crimes contra a Humanidade no seguimento da invasão da Ucrânia, mas por outro lado é um convidado do país organizador da cimeira.

A África do Sul, país que é um Estado-membro do Tribunal Penal Internacional (TPI), vai receber a cimeira entre 22 e 24 de agosto em Joanesburgo, mas está obrigada a colaborar com a detenção de Putin, mas Pretória ainda não tinha revelado, até agora, como vai fazer se Putin realmente aterrar no país.

No final de maio, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da África do Sul emitiu uma ordem que garante imunidade diplomática a todos os russos que participem na cimeira, abrindo assim caminho à ida de Putin.

No entanto, o porta-voz do ministério admitiu que "estas imunidades não anulam nenhuma ordem judicial emitida por um tribunal internacional sobre qualquer participante na cimeira".

A África do Sul adotou uma postura de neutralidade sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia, e defendeu o diálogo e a diplomacia como meios para resolver o conflito.

Esta posição não está apenas vinculada ao papel estratégico, político e económico que Moscovo tem nalguns países africanos, mas também a motivos históricos como o apoio russo aos movimentos anticolonialistas e de libertação no século XX, como a luta contra o regime segregacionista 'apartheid'.

Brasil, Rússia, Índia e China criaram em 2006 o acrónimo BRIC, a que se juntou a África do Sul em 2010, formando-se assim os BRICS como símbolo de economias emergentes que estavam, na altura, a crescer acima da média mundial, mas que desde então perderam fulgor. ANG/Lusa

terça-feira, 18 de julho de 2023

Política/Governo condena  “atos de vandalismo” ocorridos no Campo Comunitário de bairro de Háfia em Bissau

Bissau,18 Jul 23(ANGG) – O Governo diz “condenar com veemência os atos de vandalismo”, ocorridos segunda-feira no Campo Comunitário do bairro de Háfia, em Bissau.

A condenação vem expressa no comunicado do Conselho de Ministros reunido hoje em sessão extraordinária sob a presidência do primeiro ministro Nuno Gomes Nabiam, à que a ANG teve acesso.

No comunicado, o coletivo governamental instruiu os membros do Governo que tutelam as áreas de ordem pública, da administração do território e do desporto para promoverem uma concertação prévia em ordem à adoção de medidas  que garantam a delimitação e preservação de determinados espaços comunitários.

Os jovens do bairro de Háfia destruíram, segunda-feira, os boutiques em construção na proximidade do campo de futebol do mesmo bairro e vandalizaram duas viaturas da proprietária de uma das obras em curso no mercado local.

As Forças de Ordem dispararam alguns tiros ao ar e lançaram gás lacrimogéneo para dispersar os jovens em protesto contra as construções no campo daquele bairro tendo causado ferimentos em alguns.

De acordo com o comunicado, o Conselho de Ministros adoptou o Relatório sobre o bloqueio de salários do Pessoal de Quadro do Ministério da Educação Nacional.

Sobre esse assunto, o coletivo ministerial instruiu a ministra da Educação Nacional a promover a execução das medidas necessárias visando um efetivo controlo e apuramento do número real, quer de docentes quer do pessoal administrativo, em serviço naquele departamento governamental.

Recomendou ao mesmo ministério a prosseguir com o controlo rigoroso dos funcionários em efetividade de funções, para desta forma criar as premissas para o início do próximo Ano Letivo, em tempo útil. ANG/ÂC//SG

Cooperação/Coordenador residente da ONU promete reforço de  parceria com governo para cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Bissau, 18 Jul 23(ANG) – O Coordenador residente do Sistema das Nações Unidas ( ONU), na Guiné-Bissau prometeu hoje o reforço de  parcerias com o governo  para o cumprimento  dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Anthony Ohemeng-Boamah  falava  na reunião do Comité Conjunto do quadro da Cooperação das Nações Unidas(ODS)  para a Guiné-Bissau,durante a qual se analisou  o relatório anual dos resultados obtidos até aqui no quadro da implementação dos ODS

Acrescentou  que,  além disso, o Comité da Direcção Conjunto fornecerá mais orientações para implementação do quadro da cooperação entre as duas partes visando, não só o cumprimento dos ODS, mas também o alcance da Agenda 2030.

Ohemeng-Boamah frisou que os desafios que se apresentam são enfrentados  num contexto regional e global difícil, e sustenta que embora  as atividades económicas estejam a recuperar depois da pandemia da Covid-19,  a guerra da Ucrânia/Rússia veio a prejudicar esse crescimento.

Felicitou o governo guineense pela  implementação de reformas orçamentais, o reforço da credibilidade junto dos parceiros e pela libertação de financiamentos concecionais, adicionais para suas prioridades de desenvolvimento.

“A ONU está firme no seu compromisso de apoiar a Guiné-Bissau para cumprimento dos  ODS, utilizando as três prioridades estratégicas no quadro da cooperação como motores de mudança, através dos trabalhos das agências, dos fundos e programas das Nações Unidas”, disse.

Sublinhou que assistiu-se a melhoria  no quadro institucional e nas capacidades humanas dos intervenientes estatais e nacionais.

Em relação ao financiamento, disse que a ONU desembolsou mais de 40 milhões de dólares americano ao abrigo deste quadro de cooperação, em várias intervenções de assistência técnica e problemáticas em todo o país.

Por sua vez, a ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades  disse que o sucesso deste quadro de cooperação com a ONU vai trazer um verdadeiro desenvolvimento socioeconómico para o país e a prosperidade  para o povo  guineense.

Suzi Barbosa defendeu que enquanto se trabalha para alcançar os 17 ODS e  cumprir a agenda 2030 deve-se ter  em mente o último objetivo que é a melhoria das condições de vida da população. ANG/JD/ÂC//SG

Ambiente/"A Guiné -Bissau não tem infraestrutura costeiras para travar  riscos ambientais", diz Namir Domingos Raimundo Lopes

Bissau, 18 Jul 23 (ANG) - O Engenheiro Ambiental e igualmente Membro da Associação dos Estudantes Guineenses na República Popular da China, disse que a Guiné-Bissau não tem infraestruturas para fazer face aos  riscos ambientais.

Namir Lopes falava em entrevista aos jornalistas da Agência de Notícias da Guiné, Rádio Difusão Nacional e Jornal o Democrata que se encontram em Pequim, República Popular da China, numa formação destinada aos jornalistas de países de Língua Oficial Portuguesa.

Lopes acrescenta que o que está a ajudar as zonas consteiras é o ecosistema , mas que está a degradar-se num rimo muito rápido.

Segundo essse ambientalista os riscos são enormes e atingem mais de 65 por cento do  território da Guiné-Bissau que constituem a  zona costeira.

Defendeu que  é preciso conservar a ecossistema costeiras do país, e critica que têm sido  criados  projetos de conservação mas que não passam de projetos “empíricos”.

"Estudos científicos que identificam reais problemas não existem e o que é preciso fazer primeiro é identificar onde deve ser protegido, porque não são  todos os lugares que estão em riscos. Não pode ser implementado o projecto onde não há risco e para saber isso  deve haver  um estudo profundo”, disse.

(Despacho de Mariama Ia
fa, representante da ANG na formação em Pequim
).

Tempo/Meteorologia prevê para até 18H00 desta terça-feira  possibilidades de Céu nublado e ocorrência de chuva fraca à moderada 

Bissau, 18 Jul 23 (ANG) - O Boletim Meteorológico de Previsão do Tempo do Instituto Nacional da Meteorologia da Guiné-Bissau(INM-GB), prevê  para até as 18H000 desta, terça-feira, possibilidades de o Céu estar nublado e ocorrência de chuva fraca à moderada por vezes forte, acompanhadas de trovoadas e vento variável moderado.

A informação consta no Boletim Meteorológico de Previsão do Tempo à que a ANG teve acesso hoje, produzido diariamente para manter  as pessoas informadas sobre o estado tempo, num período e 24 horas.

Conforme o mencionado Boletim Meteorológico, a velocidade do vento será de até 19km/h no continente com rajadas que podem atingir até 36km/h e de quadrante Sul (s) no mar até 25km/h. A visibilidade será boa, mas reduzida no momento de chuvas.

“As temperaturas máximas nas zonas Centro, Norte e Leste variam de 31º c (em Bissau e Cacheu) à 33º c (em Farim, Bafatá, Gabu, Pirada e Buruntuma) As mínimas variam de 23º c (em Farim, Bissorã, Bafatá, Gabu, Pirada, Buruntuma e Madina de Boé) à 25ºc (em Bissau)”, lê-se no documento.

No mesmo Boletim indica que  nas zonas Sul e Ilhas as temperaturas máximas variam de 29ºc (em Bubaque) à 31º c (em Buba) e as mínimas variam de  29º c (em Bubaque) à 31ºc (em Buba) ”.

No período da manhã,  Bissau terá as mínimas de 25ºc, Bolama 26ºC e Bafatá 23ºC. Já no período da tarde com as temperaturas máximas Bissau terá 31ºc, Bolama 30ºC e Bafatá 33ºC. 

Quanto a navegação maríima o Boletim avisa de que o  mar estará num estado um pouco agitado com ondulação de quadrante Sul até 1,5 metros de altura.

ANG/AALS/ÂC//SG

 

 

 

 

 

Sociedade/Jovens do bairro de Háfia em protestos destroem boutiques em construção na proximidade do campo de futebol local e alguns  acabaram presos

Bissau, 18 Jul 23 (ANG) – Os jovens do bairro de Háfia, em protestos destruíram segunda-feira os boutiques em construção na proximidade do campo de futebol do mesmo bairro e vandalizaram duas viaturas da proprietária de uma das obras em curso .

Segundo a rádio Capital FM, as Forças de Ordem dispararam alguns tiros ao ar e lançaram gás lacrimogéneo para dispersar os jovens em protesto contra as construções no campo daquele bairro.

Na sequência dos tumultos, de acordo com a mesma fonte, foram registados vários feridos entre polícias e os jovens em fúria, tendo alguns deles  detidos na 2ª Esquadra, em Bissau.

Cadija Djaló, dona de duas viaturas e igualmente  proprietária de uma das obras em curso, disse  que o espaço foi lhe cedido pela Câmara Municipal de Bissau (CMB), e acrescentando que  não tem nada a ver com o sítio onde osjovens fazem a pratica do  desporto.

“Fui cedida este espaço pela Câmara Municipal de Bissau e estou a fazer o meu armazém. Aquele local tem o número de registo, a barraca que eu tinha caiu, mas tenho outro cacifo a frente e o armazém. Não fui a primeira pessoa a construir no local e toda a gente tem o seu espaço”, disse.

Djaló contou  que quando se iniciou  as obras os jovens foram queixar-se dela na CMB emas foram informados de que o espaço em questão pertence ao mercado e não um campo de futebol.

Por causa dos protestos da juventude de Háfia as obras estiveram suspensas por algum tempo mas depois foram retomadas.

Cadija Djaló diz acreditar  que os protestos têm motivações políticas.

  “Tivemos confusões muitas vezes porque somos de partidos diferentes, mas eles têm que saber separar as coisas ,porque cada um tem o direito de escolher o seu partido. A campanha eleitoral já terminou”, disse Djaló.

Lamentou a vandalização da sua casa onde estavam 11 crianças que ela adotou, informando que a sua casa está bem distante do espaço em causa, acrescentando que isso é “má-fé”.

Djenabu Embaló Djaló, uma moradora de Háfia, testemunha que vive no bairro desde 1993, e que esse  campo existe há muitos anos e é o único espaço que os jovens têm para se divertir.

O porta-voz dos moradores de Háfia, Mama Samba Djaló, pediu a intervenção das autoridades do país para resolução deste problema, acrescentando que aquele bairro merece.

“Se vejamos, até hoje o bairro de Háfia não tem água de torneira, ao contrário de outros bairros novos que já têm. Estamos a pedir a paz. Não somos contra qualquer cidadão morador desse bairro”, salientou. ANG/DMG/ÂC    

   Tchad/Confrontos entre pastores nómadas e agricultores fazem 17 mortos

Bissau, 18 Jul 23 (ANG) - Pelo menos 17 pessoas foram mortas hoje em confrontos entre pastores nómadas e agricultores sedentários na província de Mandoul, no sul do Tchad, confirmaram as autoridades regionais.

O incidente ocorreu por volta das 06h00 locais de hoje, quando uma manada de bois ocupou campos na aldeia de Kemkian, disse à agência EFE, por telefone, o chefe da aldeia, Makota Allasra.

"Quando os pastores e os proprietários dos campos entraram em confronto, um pastor e quatro agricultores foram mortos. Ao serem informados, pastores de diferentes campos organizaram-se para atacar os habitantes de Kemkian e queimar as suas casas", disse Allasra.

De acordo com o chefe, nove agricultores e três outros pastores perderam a vida durante o ataque.

"Logo que fomos informados, enviámos uma equipa da polícia e da gendarmaria para a localidade para restabelecer a calma. Várias pessoas foram detidas e os suspeitos estão a ser procurados para serem levados à justiça", explicou Adoum Moussa, prefeito da cidade de Koumra, a capital da província.

Os confrontos entre pastores nómadas muçulmanos e agricultores nativos sedentários, na sua maioria cristãos ou animistas, são muito frequentes nesta região, mas também noutras zonas férteis do país.

Num episódio semelhante ocorrido na passada quarta-feira, pelo menos 27 pessoas foram mortas na subprefeitura de Sido, na província meridional de Moyen-Chari.

Os agricultores acusam os pastores de pilharem os seus campos, apascentando neles os seus animais ou instalando-se em terras que consideram suas.

A violência inter-comunitária é frequente no Tchad, onde muitos habitantes estão armados.

De acordo com um relatório do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), os confrontos inter-comunitários no país causaram mais de 500 mortos, 600 feridos e mais de sete mil deslocados em 2022. ANG/Angop

 

China Popular/Americanos e chineses relançam,em Pequim, o diálogo sobre o clima

Bissau, 18 Jul 2 (ANG) - O emissário americano para o clima, John Kerry encontra-se desde segunda-feira em Pequim onde permanece até quarta-feira no âmbito de conversações, sem agenda oficial, com os seus homólogos chineses para preparar a próxima cimeira do clima em Novembro no Dubai.


Estas conversações entre os representantes dos dois países que são os maiores emissores de gás com efeito de estufa a nível global acontecem num contexto de reaproximação entre essas potências rivais no domínio estratégico e comercial. Recentemente, Pequim recebeu a visita do chefe da diplomacia dos Estados Unidos, assim como da secretária americana para o tesouro, o que marcou um reatar de um diálogo ainda ténue, mas efectivo.

No seu primeiro dia de contactos com os seus parceiros chineses, John Kerry avistou-se com o seu homólogo chinês Xie Zhenhua para abordar com ele o desafio de reduzir as emissões de dióxido de carbono e outros gases prejudiciais para a atmosfera. De acordo com a televisão pública chinesa, este primeiro encontro durou quatro horas.

«As mudanças climáticas são um desafio comum para toda a Humanidade», disse hoje Mao Ning, porta-voz da diplomacia chinesa, antes de garantir que o seu país «iria trabalhar com os Estados Unidos para responder aos desafios e melhorar o bem-estar das gerações actuais e futuras».

No mesmo sentido, John Kerry disse esperar que nestes próximos três dias «possam começar a tomar medidas importantes que enviem um sinal ao mundo quanto à seriedade das intenções da China e dos Estados Unidos de fazer face a um risco, uma ameaça, um desafio que implica toda a Humanidade, que os seres humanos criaram eles mesmos».

Após recordar os mais recentes fenómenos climáticos extremos registados pelo mundo fora, nomeadamente na Califórnia ou na China, com altas temperaturas, ou na Coreia do Sul e na Índia com chuvas torrenciais, o emissário americano constatou que «as inundações e as tempestades intensas são mais frequentes do que nunca. Os incêndios devoram milhões de hectares de floresta em cada ano», e exortou Pequim a cooperar com Washington para reduzir as emissões de metano e dos gases resultantes da utilização do carvão.

Nestes últimos tempos, a China comprometeu-se a começar a reduzir o seu consumo de carvão, mas só a partir de 2026, sendo que desde o ano passado, o país conheceu uma aceleração da validação de novos projectos de centrais de carvão.

Nos Estados Unidos, apesar de o executivo democrata se ter comprometido a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa de 50 a 52% até 2030 -isto depois de um interregno durante a era Trump- as energias fósseis continuam a ser importantes.

De acordo com estimativas da EIA (Energy Information Administration), muito embora se antecipe um aumento da produção e consumo das energias renováveis no horizonte 2050, também se prevê que os combustíveis fósseis continuem a representar cerca de dois terços do consumo de energia do país até 2050, contra cerca de 80% em 2022. ANG/RFI

 

Israel/Autoridades  reconhecem a soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental

Bissau, 18 Jul 23 (ANG) - Israel reconheceu oficialmente a soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental na segunda-feira, segundo informação avançada pelo gabinete da casa real alauita em comunicado, no qual confirma que rei Mohammed VI recebeu uma carta do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.

Esta manobra política é uma tentativa de Tel Aviv de se reaproximar de Rabat após vários meses de “relações frias”.

Esta informação foi confirmada pela diplomacia marroquina nas redes sociais: "Sua Majestade Mohammed VI recebeu uma carta do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, que chamou a atenção do rei para a decisão do Estado de Israel de reconhecer a soberania de Marrocos sobre o território do Sahara Ocidental.”

Neste mesmo comunicado, a diplomacia marroquina informa que Israel também sublinhou que esta decisão será "transmitida às Nações Unidas, às organizações regionais e internacionais de que Israel é membro e a todos os países com os quais Israel mantém relações diplomáticas". Na sua carta, o Primeiro-Ministro israelita informou que o seu país está a examinar positivamente "a abertura de um Consulado na cidade de Dakhla", como parte da implementação desta decisão de Estado.

Esta posição inscreve-se nos esforços diplomáticos de Washington para que os Estados do Golfo e do África normalizassem as relações com Tel Aviv, através dos Acordos de Abraão, anunciados em Agosto, mas assinados oficialmente em Setembro de 2020 entre os Estados Unidos, os Emirados Unidos e o Bahrein. Em Dezembro foi a vez do Sudão e de Marrocos assinarem este acordo. Na época a administração de Donald Trump reconheceu a soberania marroquina sobre o Saara como moeda de troca para que o reino cherifiano aceitasse a reaproximação com o Estado hebreu.

Desde a normalização das relações entre as capitais, múltiplos acordos bilaterais foram assinados nos sectores do turismo, da economia e da defesa. Não obstante, Rabat e Tel Aviv vivem nos últimos meses um esfriar das relações, devido à pressão popular exercida pelos cidadãos marroquinos que se opõem à decisão do governo, que forçam a diplomacia marroquina a equilibrar a sua postura.

Nesta senda, Rabat condenou com veemência a “colonização, a repressão e a violência israelita contra os palestinianos”. Posteriormente, Marrocos também renunciou a sediar o Fórum de Neguev, uma cimeira que reuniria os Estados Unidos, Israel e os demais países árabes em Junho.

Esta manobra política de Netanyahu é uma sinalização de que está disposto a reviver as relações entre os dois países, e que pretende contar com o apoio do governo marroquino num futuro próximo.

Desde o retorno do antigo império cherifiano à União Africana em 2017, cuja participação foi suspensa pela inclusão por parte da organização continental do Saara Ocidental, Marrocos opera uma nova estratégia geopolítica que almeja obter o reconhecimento da sua integridade territorial. ANG/RFI

 

 Ruanda/Todos os países falharam no compromisso para a igualdade total de género

Bissau, 18 Jul 23 (ANG) – Um relatório da ONU conclui que todos os países falharam no compromisso para a igualdade de género, que as mulheres ainda não conseguiram atingir o seu potencial e que as diferenças de género são bastante comuns.


“A comunidade internacional comprometeu-se com a igualdade de género e o empoderamento das mulheres. No entanto, podemos ver claramente a partir de novos dados que em todos os países as mulheres ainda não conseguiram atingir todo o seu potencial e as diferenças de género são comuns", disse a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, na apresentação do relatório, feito em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Tanto a ONU Mulheres quanto o PNUD apresentaram dois novos índices com que avaliaram a situação das mulheres no mundo e "abrir caminho para intervenções direcionadas e reformas políticas": o Índice de Empoderamento das Mulheres (WEI, sigla em inglês) e o Índice Global de Paridade de Género (GGPI).

O WEI avalia o poder e a liberdade das mulheres para tomar decisões e aproveitar oportunidades, enquanto o GGPI examina a situação das mulheres em relação aos homens nas principais questões do desenvolvimento humano [saúde, educação, inclusão e tomada de decisões].

Desta forma, as duas organizações da ONU alertaram que, de acordo com os dois novos índices, “as mulheres são promovidas para atingir em média apenas 60% do seu potencial total” e “conseguem 72% em relação ao que os homens podem alcançar em termos de desenvolvimento humano”.

“São necessários esforços sustentados para cumprir as promessas de igualdade de género, garantir os direitos humanos de mulheres e raparigas e garantir plenamente as suas liberdades fundamentais”, afirmou Bahous.

O relatório da ONU Mulheres e do PNUD foi apresentado hoje em Kigali, capital do Ruanda, por ocasião da conferência Women Deliver 2023 (WD2023), que acontece até a próxima quinta-feira. ANG/Lusa