sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Justiça / Ministério Público acusa dois militares pela morte de ajudante de toca-toca

Bissau, 23 Jan 26 (ANG) – O Ministério Público acusou provisoriamente,  quinta feira, dois militares  pela morte do  ajudante de  transporte público interurbano(Toca-toca) ocorrida em Dezembro de 2025, em Bissau, revela uma Nota à Imprensa do Gabinete de Imprensa da instituição assinado pelo assessor  Maurício Alves.

O processo crime envolve o sargento Carlitos Luís Imbana e o saldado Abene Albino Sembé, alegadamente responsáveis pela agressão que vitimou Luís Rui Bedam, ajudante de um transporte publico, conhecido por “Toca-Toca”, da linha Matadouro Quelelé-Bôr.

O incidente ocorreu no dia 27 de Dezembro de 2025, tendo a vitima falecido três dias após internamento no hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau.

Segundo a acusação da vara-crime da delegacia do Ministério Público do Tribunal Regional de Bissau, os suspeitos tinham a consciência de que as suas condutas eram proibidas por lei, mas ainda asim praticaram os atos que resultaram na morte de Luís.

O Ministério Público sustenta que o óbito foi provocado por hemorragia interna, consequências diretas de espancamento, conforme relatório médico anexado  aos autos.

O documento indica que com base nos elementos probatórios recolhidos, os dois militares vão responder pelo crime de homicídio, previsto no artigo 107º do Código Penal guineense. Durante o debate instrutório, ambos confessaram a coautoria do crime e a prática dolosa dos atos, 
nos termos dos artigos 16º e 22 º do mesmo diploma legal.

De acordo com a Nota, por decisão do Juiz de Instrução Criminal, os arguidos encontram-se em prisão preventiva desde o passado  12 de Janeiro, medida que deverá manter-se até à realização do julgamento.

Em caso de condenação, os suspeitos incorrem em penas que variam entre oito e 16 anos de prisão efetiva, de acordo com a legislação penal em vigor.

O Ministério Público reafirma na Nota o seu compromisso com a legalidade e garante que continuará a pugnar pela estrita observância das leis na República da Guiné-Bissau, defendendo uma justiça acessível à todos os cidadãos, sem exceção.

ANG/LPG//SG

Comunicação Social/ Primeiro-ministro   apela aos membros do Executivo o reforço da assessoria de imprensa para garantir veracidade das informações

Bissau, 23 Jan 26 (ANG) – O Governo através do Primeiro-ministro de Transição exortou aos membros do governo o reforço  de serviços de assessoria de imprensa, a fim de garantir a veracidade e a fidelidade das informações.

A exortação foi tornada  pública  quinta-feira, pelo ministro da Comunicação Social e porta do Governo de Transição, Abduramane Turé, na apresentação à imprensa do comunicado final da reunião do Conselho de Ministros.

De acordo com o governante, o Conselho de Ministros analisou os preparativos da realização do Carnaval- 2026 a decorrer de 14 a 17 de Fevereiro, sob o lema: "Nô Guineendadi Ibalur di Nô Union".

No que toca a parte deliberativa, o porta-voz do Governo disse que o coletivo ministerial analisou o projeto de decreto sobre o Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos de Alojamento.

Ainda o colectivo governamental abordou o ponto que tem a ver com o Torneio Regional de Desenvolvimento de Luta Livre na África Ocidental, cuja organização cabe desta vez à Guiné-Bissau.

No capítulo de nomeações, o Conselho de Ministros deu a sua anuência para que por despacho do Primeiro-ministro, se  proceda a movimentação do  pessoal  da administração pública conforme  se indica:

No Ministério dos Recursos Naturais, Alfredo Malú foi nomeado  Diretor-geral da Petroguim e no Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, foi nomeada Inhaidel Helena Cunha para o cargo de Diretora-geral do Emprego, Trabalho e Relações Laborais.

Em decorrência das referidas nomeações foi dada por fim as comissões de serviços das mesmas funções dos anteriores titulares ANG/AG/JD/ÂC//SG


 

             Uganda/Líder da oposição denuncia “massacre silencioso”

Bissau, 23 Jan 26 (ANG) -  O líder da oposição, Bobi Wine, de Uganda rejeita os resultados oficiais que deram a vitória ao Presidente cessante Yoweri Museveni, de 81 anos e há 40 no poder.

A rejeição surgi uma semana após eleições presidenciais.

Em entrevista à RFI, Bobi Wine disse estar escondido, afirmou ter provas de fraude e denunciou um “massacre silencioso” em curso no país.

“Não estou em segurança porque estou a ser perseguido pelos militares sem ter cometido qualquer crime. Estou escondido. A minha esposa e a minha família não estão em segurança, estão cercadas pelos militares, não podem sair e ninguém pode entrar. Estão com fome e até a comida que lhes é entregue está a ser rejeitada”, declarou o líder da oposição ugandesa, Bobi Wine, em entrevista à jornalista da RFI Christina Okello.

O Uganda elegeu, pela sétima vez, Yoweri Museveni como Presidente. Aos 81 anos e há 40 no poder, Museveni teve 71,65% dos votos contra 24,72% para Bobi Wine, de acordo com a comissão eleitoral. O líder da oposição é um antigo cantor de 43 anos, que já tinha sido detido e torturado depois das eleições de 2021, e que é muito popular junto dos jovens, sendo conhecido o "presidente do gueto", em referência ao bairro da sua infância numa das favelas da capital. Wine acusa o Governo de fraude eleitoral.

“Temos provas antes, durante e depois da eleição. Temos vídeos de polícias, dos militares e dos próprios funcionários da Comissão Eleitoral a votarem pelo General Museveni. Não confiamos no sistema judicial no Uganda. O sistema judicial está enviesado e inclinado para favorecer Museveni”, acrescentou Bobi Wine à RFI.

O Presidente Yoweri Museveni é um antigo guerrilheiro que exerce um controlo total do aparelho eleitoral e da segurança. A mostrar isso mesmo esteve o corte da internet, desligada pelas autoridades nas vésperas das eleições, e fortes contingentes de segurança mobilizados para todo o país no dia da votação. Nesse dia, 15 de Janeiro, houve problemas técnicos em todo o Uganda, algo que a oposição apontou como um acto "deliberado" para garantir a vitória de Museveni. Ele próprio reconheceu ter sido testemunha das dificuldades técnicas encontradas pelas máquinas biométricas para verificar a identidade dos eleitores. Também a ONU tinha considerado, mesmo antes de 15 de Janeiro, que o processo eleitoral decorreu numa atmosfera "marcada pela repressão e intimidação generalizadas".

A repressão continua. Bobi Wine teve de fugir e esconder-se. O Presidente Yoweri Museveni e o seu filho, o chefe do exército Muhoozi Kainerugaba, têm classificado os membros da oposição como “terroristas”.

“O nosso povo está a ser massacrado. Está a acontecer um massacre silencioso. O filho de Museveni apareceu há dois dias a arrepender-se de ter matado apenas 22 de nós. Queria matar mais. Temos relatos de mais de 100 pessoas que foram mortas em todo o país”, disse, ainda, Bobi Wine à RFI.

Na segunda-feira à noite, o filho do chefe de Estado escreveu, na rede social X: "Matámos 22 terroristas da NUP [Plataforma da Unidade Nacional, o partido de Bobi Wine]. Rezo para que Kabobi [o apelido que lhe deu] seja o 23°". A mensagem acabaria por ser apagado algum tempo depois.

A outra figura importante da oposição, Kizza Besigye, de 69 anos, ex-médico pessoal do Presidente Museveni e que se opõe a ele há mais de 25 anos, não pôde participar nas eleições. Ele foi sequestrado em Novembro de 2024 durante uma viagem ao Quénia e reapareceu no Uganda, onde foi julgado por um tribunal militar por traição. O caso foi transferido para um tribunal civil há um ano, mas o seu pedido de fiança tem sido repetidamente negado desde então. Na terça-feira, a sua esposa, Winnie Byanyima, directora executiva da UNAIDS, denunciou à imprensa ugandesa um "plano para matar" o marido doente. Na quarta-feira, ela escreveu na rede social X que conseguiu visitar o marido que estava "encolhido numa cadeira de plástico suja" e "extremamente fraco". ANG/RFI

 

 

  Suíça/Donald Trump lança formalmente em Davos o seu "Conselho da Paz"

O Presidente americano Donald Trump rubricou nesta quinta-feira em Davos a carta formalizando a fundação do seu "Conselho da paz", na presença de cerca de vinte líderes de países que aceitaram o convite para integrar esta instância colocada sob a sua autoridade. Inicialmente pensado para gerir o pós-guerra na Faixa de Gaza, este conselho propõe-se trabalhar em prol da resolução de conflitos "em coordenação" com a ONU.

Chegado nesta quarta-feira a Davos, nos Alpes Suíços, onde participa no Fórum Económico Mundial, Donald Trump que se autoproclama "impulsionador da paz", assinou a carta instituindo o "Conselho da Paz". Uma entidade que inicialmente devia "apenas" gerir o processo de paz na Faixa de Gaza, mas cujo perímetro de acção Trump pretende alargar "em coordenação" com as Nações Unidas, instituição a seu ver com "um grande potencial mas que não foi plenamente explorado".

Discursando perante 19 dos cerca de 35 líderes mundiais que aceitaram integrar esta entidade, entre os quais o argentino Javier Milei e o húngaro Viktor Orban, seus aliados, Trump exprimiu-se ainda de forma breve sobre o Médio Oriente, referindo que o Hamas deve depor as armas ou "será o seu fim".

Palavras que antecederam o anúncio de que o ponto de passagem de Rafah entre o Egipto e a Faixa de Gaza vai ser reaberto "em ambos os sentidosna próxima semana.

Donald Trump evocou ainda o Irão e garantiu que se este país deseja iniciar negociações com os Estados Unidos, ele está "disposto" a fazê-lo.

Durante esta tarde, após um encontro com o seu homólogo ucraniano que não esconde a sua "preocupação" com uma perda de atenção relativamente ao conflito no seu país, Donald Trump disse que "a guerra deve acabar", em jeito de mensagem ao Presidente russo. Por sua vez, Zelensky limitou-se a dizer que "os documentos para acabar com a guerra estão quase prontos" e admitiu que o diálogo com Donald Trump "não foi fácil".

Refira-se que ontem, Donald Trump afirmou que Vladimir Putin tinha aceite o convite para integrar o seu "Conselho da Paz", o que Moscovo apenas disse "estudar".

Dos cinquenta países convidados para entrar nesta entidade vista como uma alternativa às Nações Unidas, 35 aceitaram segundo a administração americana. Para além de Israel, da Hungria e da Argentina, Marrocos, o Bahrein, a Turquia, a Bulgária, o Azerbaijão e a Indonésia confirmaram a sua participação nesse conselho a ser dirigido por Trump.

Também convidados, a França e o Reino Unido, ambos membros permanentes do Conselho de segurança da ONU, recusaram fazer parte dessa entidade, para a qual o bilhete de entrada -sublinhe-se- é de mil milhões de Dólares para um assento permanente.ANG/RFI

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Transição política/Conselho Nacional de Transição condena as intervenções externas nos assuntos internos da Guiné-Bissau

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) – O Conselho Nacional de Transição (CNT), condenou quarta-feira de forma “veemente” as intervenções do ministro dos Negócios Estrangeiros português Paulo Rangel, que qualifica de  “ingerência nos assuntos políticos internos da Guiné-Bissau”.

A posição do CNT foi tornada pública pelo seu porta voz Fernando Vaz, em declarações à imprensa.

Recentemente, o ministro dos Negócios Estrangeiros português Paulo Rangel, revelou que em breve, efetuará uma visita à sede da CEDEAO em Abuja, para debater a atual situação política vigente na Guiné-Bissau.

Rangel considerou  de “bastante grave”, a nova Constituição anunciada pelo Alto-Comando Militar guineense.

“O desenrolar político actual na Guiné-Bissau levanta preocupação, particularmente a prisão arbitrária de Domingos Simões Pereira, o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), visto como um obstáculo à reposição da normalidade”, sustentou o chefe da diplomacia português, durante uma audição regimental na Assembleia da República portuguesa.  

Em reação as declarações de Paulo Rangel e do Presidente de Cabo Verde José Maria Neves no âmbito das suas críticas ao Alto-Comando Militar, o porta-voz, Fernando Vaz sustentou que a soberania nacional da Guiné-Bissau foi conquistada pela força das armas, em que os “valorosos Combatentes da Liberdade da Pátria derrotaram, implacavelmente, o colonialismo português”.

Segundo o Porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT), são condenadas  todas as intervenções e interferências externas no actual processo político guineense, em especial, no que se refere a revisão constitucional do país.

“Enquanto pilar do povo guineense, da sociedade civil, e defensora dos direitos fundamentais, declaramos de forma inequívoca a nossa posição, face as recentes tentativas de pressão externa sobre o processo de revisão constitucional em curso”, disse Fernando Vaz.

Reafirmou por outro lado que, a República da Guiné-Bissau, é um Estado soberano e independente, e que o processo da revisão da lei fundamental do país é uma questão de estrito fórum interno.

“As autoridades guineenses não permitirão que os Estados ou Organismos internacionais imponham o ritmo ou conteúdo das nossas reformas institucionais, porque qualquer tentativa nesse sentido, não é a diplomacia, mas pelo contrário,  uma ingerência intolerável”, disse.

Aquele responsável referiu que a soberania dos Estados é protegida pela Carta das Nações Unidas (NU), e o art: 02 Nº 7, veda expressamente, qualquer intervenção dos assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna dos Estados.

“A tentativa de influenciar a nossa política interna é um atentado direto contra este principio universal. Nenhum parlamento, seja ele nacional de Portugal, ou Comunitária da CPLP, possui legitimidade jurídica ou política para intervir nos assuntos que cabem ,exclusivamente, ao povo e as instituições da Guiné-Bissau", disse o Porta-voz do Conselho de Nacional de Transição, órgão que funciona como parlamento nacional.ANG/LLA/ÂC//SG  

         

Alemanha/ "Mundo onde só o poder interessa é perigoso. Alemanha já fez isso", diz Merz

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - O chefe do governo federal alemão, Friedrich Merz, avisou hoje para o perigo de uma ordem internacional baseada exclusivamente no poder, dando como exemplo o drama vivido aquando do regime nazi no seu país.

"Um mundo onde só o poder interessa é perigoso. Primeiro, para os pequenos estados e as médias potências, depois para as grandes [potências]. O meu país já trilhou esse caminho no passado (...) e arrastou o Mundo para o abismo. Lembremo-nos, portanto, de que a nossa maior força continua a ser capacidade de construir parcerias e alianças entre iguais", disse, no Fórum Económico Mundial, em Davos, Suíça.

Merz descreveu a invasão da Ucrânia pela Rússia como a "expressão mais radical" até o momento de uma "nova era" da política internacional, num contexto em que a China,

"Graças à sua visão estratégica, conquistou um lugar entre as grandes potências".

"A posição dos Estados Unidos como líder global está a ser desafiada", continuou, acrescentando que Washington está a "reformular radicalmente a política externa e de segurança".

O 'chanceler' alemão frisou que as "autocracias" têm "súbditos", ao passo que as "democracias têm parceiros e amigos confiáveis".

Num discurso maioritariamente em Inglês, Merz encorajou os "europeus e parceiros com ideias semelhantes" a avançar e pediu, especificamente, aos "amigos europeus" que façam "investimentos maciços" nas capacidades de Defesa, desejando que as economias europeias fiquem "mais competitivas".

A Alemanha quer desempenhar um "papel fundamental" na proteção de uma ordem mundial baseada em regras, garantiu. ANG/Lusa

 

EUA/Acordo entre EUA e NATO pode implicar maior presença da Aliança Atlântica na Gronelândia

 

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - O Presidente americano operou um volte-face na quarta-feira relativamente às suas pretensões territoriais sobre a Gronelândia, depois de vários dias de tensões sem precedentes em décadas entre os Estados Unidos e os seus aliados europeus.

Após um encontro à margem do Fórum Económico de Davos, na Suiça, com o secretário-geral da NATO, Trump anunciou ter encontrado um quadro de acordo com Mark Rutte.

Logo a seguir ao seu encontro com o secretário-geral da NATO , o Presidente americano anunciou na sua rede social que tinha chegado a um consenso com o seu interlocutor acerca da Gronelândia e que desistia de aplicar taxas alfandegárias suplementares aos oito países, incluindo a França, que se tinham abertamente oposto à sua intenção de se apoderar daquele território sob tutela dinamarquesa.

Questionado pouco depois pelos jornalistas, Trump não acrescentou muito mais.

"Este acordo dá-nos tudo o que queríamos e penso que ele coloca todas as partes numa posição favorável especialmente no que tange aos minerais e à segurança e vai vigorar para sempre", disse o chefe de Estado americano.

Por sua vez, o secretário-geral da NATO esclareceu hoje que o acordo alcançado com Trump não diz respeito à soberania da Gronelândia, nem aos seus minérios, mas implica um reforço da presença da Aliança Atlântica na Gronelândia e que isto iria ser discutido com os altos comandantes da aliança.

Neste sentido, uma fonte próxima do dossier também indicou que os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o seu acordo de defesa datando de 1951 sobre a Gronelândia, entretanto revisto em 2004, e que já por si dá praticamente carta branca às forças armadas americanas naquele território.

Reagindo ao anúncio de Trump, a Primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen assegurou que o seu país "está disposto a prosseguir um diálogo construtivo com os seus aliados sobre a forma de reforçar a segurança no Árctico, incluindo o sistema antimíssil dos Estados Unidos, com a condição de que isto seja feito no respeito da sua integridade territorial".

Também prudentes, os parceiros europeus saudaram esta decisão e anunciaram suspender a activação do seu instrumento anti-coerção comercial, a chamada "Bazuca", mas mantêm a sua cimeira urgente em Bruxelas esta noite sobre o braço-de-ferro com os Estados Unidos.

"Ser firme hoje, num mundo em que a lei do mais forte tem tendência por vezes a impor-se, é importante", considerou Roland Lescure, ministro da Economia da França, país que tem preconizado o recurso à "Bazuca" contra Washington.ANG/RFI

 

EUA/ Governo vai renegociar com Dinamarca acordo de 1951 de defesa da ilha

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - Os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Gronelândia, disse hoje uma fonte próxima das discussões de quarta-feira entre o Presidente norte-americano e o chefe da NATO.

segurança do Ártico será reforçada e contará com a contribuição dos países europeus da Aliança Atlântica, afirmou a mesma fonte à agência de notícias France-Presse (AFP).

A fonte, que não foi identificada pela agência francesa, acrescentou que a hipótese de colocar bases norte-americanas na Gronelândia sob soberania norte-americana não foi abordada no encontro de quarta-feira entre Donald Trump e Mark Rutte em Davos.

Trump e Rutte discutiram na estância suíça um pré-acordo sobre a Gronelândia que o secretário-geral da NATO disse hoje que visa impedir o acesso económico e militar da Rússia e da China aos países do Ártico.

A revisão do tratado de 1951 surge num contexto de crescente interesse estratégico pela região, procurando os aliados garantir uma maior coordenação militar face aos novos desafios de segurança no Hemisfério Norte, de acordo com a AFP.

O acordo de 1951 refere-se ao destacamento de tropas na Gronelândia e foi alterado pela última vez em 2004.

O documento, intitulado "Defesa: Gronelândia", estabelece atualmente no primeiro artigo que a base aérea de Thule, ou Pituffik, é a "única zona de defesa" na ilha ártica.

A nova renegociação destina-se a incluir uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimíssil que Trump pretende implementar, indicou a agência de notícias espanhola EFE.

O projeto tem um custo estimado de 175 mil milhões de dólares (149,6 mil milhões de euros, ao câmbio atual).

Inspirado no sistema de defesa de Israel, o escudo deverá estar operacional até ao final do atual mandato de Trump, em 2029.

O sistema visa proteger não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, prioritariamente contra eventuais ameaças da China e da Rússia.

A revisão do tratado bilateral de 1951 é um dos quatro pilares do pré-acordo alcançado em Davos sobre a Gronelândia entre Trump e Rutte, com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.

O entendimento, divulgado por meios de comunicação alemães como o Der Spiegel e o Die Welt, inclui a suspensão das taxas aduaneiras que Trump tinha ameaçado impor aos países europeus.

A ameaça de taxas, inicialmente de 10% e depois de 25%, foi feita à Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, países-membros da UE, e ainda Noruega e Reino Unido.

A UE vai discutir hoje a questão numa cimeira Europeu extraordinária em Bruxelas, em que participa o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.

Os dirigentes da UE admitiram retaliações comerciais com taxas sobre importações dos Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros se Trump mantivesse a ameaça.

Outro ponto do entendimento NATO-EUA é o controlo de investimentos e minérios, indicou a EFE.

A Administração norte-americana vai poder intervir no controlo de investimentos na Gronelândia, impedindo que potências rivais assegurem recursos estratégicos.

Trump confirmou que o acordo vai garantir direitos sobre minerais de terras raras na região.

O quarto ponto tem a ver com o reforço da segurança europeia no Ártico, com os Estados europeus da NATO a assumirem um compromisso mais firme com a segurança regional.

Trata-se de uma exigência de Washington face à presença de navios e submarinos russos e chineses, com Trump a defender que apenas os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da "massa de gelo" ártica.

O pré-acordo não inclui, até ao momento, qualquer menção à transferência de soberania ou integridade territorial da ilha, disse a EFE, pontos em que a Dinamarca e a Gronelândia têm recusado ceder. ANG/Lusa

 

     São Tomé e Príncipe/ADI apresenta moção de censura ao Governo

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - A Ação Democrática Independente (ADI), do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, apresentou hoje uma moção de censura ao Governo são-tomense porque "não tem demonstrado habilidade sustentável à governação", disse à Lusa o secretário-geral do partido.

Segundo Elísio Teixeira, a decisão surge na sequência da posição do partido desde a demissão do ex-primeiro-ministro e presidente do partido, Patrice Trovoada, em janeiro do ano passado, e após, na semana passada, o Tribunal Constitucional ter declarado inconstitucional o decreto do Presidente da República, Carlos Vila Nova, que demitiu o anterior executivo, numa decisão sem direitos retroativos.

"Nós continuamos a manter o nosso posicionamento e, a partir daqui, tendo em conta que o Governo não tem demonstrado habilidade sustentável à governação, então decidimos introduzir a moção de censura", declarou. ANG/Lusa

 

Venezuela/Regime e oposição da Venezuela unidos para "fazer avançar" o país

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - O ministro da Administração Interna venezuelano declarou hoje existir unidade entre os apoiantes do regime do deposto presidente Nicolás Maduro e os opositores para "fazer avançar" o país sul-americano, que "todos amam".

Durante um programa televisivo que protagoniza, Diosdado Cabello defendeu que há uma "firme rejeição ao que aconteceu", no início de janeiro, quando forças armadas dos Estados Unidos capturaram Maduro e a mulher, Cilia Flores.

"Nós conhecemo-los e sabemos quem são", esclareceu o governante e secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), sublinhando que só há um caminho a seguir: "permanecermos unidos".

Para Cabello, "aqueles venezuelanos que vivem no estrangeiro e pediram o bombardeamento da Venezuela não se importam com suas famílias ou com os seus filhos, são desprezíveis".

O povo venezuelano "está a recuperar, gradualmente, do ataque dos EUA e do sequestro de Maduro e da mulher", disse o responsável.

Cabello admitiu que a intervenção norte-americana foi "um duro golpe para o país", inclusivamente "para as pessoas que nada têm a ver com a Revolução Bolivariana".

O ministro condenou também as "campanhas mediáticas que visam gerar desinformação e divisão", já que procuram "repetir mentiras" e "têm como único propósito semear a discórdia entre a população venezuelana". ANG/Lusa

 

Regiões/Grupo Kumpuduris de Paz realiza campanha de limpeza na cidade de Canchungo

Cacheu, 22 Jan 26 (ANG) – Os membros do Grupo Kumpuduris de Paz, do setor de Canchungo e da Rede de Defesa do Meio Ambiente, na Região de Cacheu (REDMARC), norte do país, realizaram quarta-feira, uma limpeza voluntária nas diferentes artérias da cidade de Canchungo, com objetivo de melhorar o  saneamento básico da cidade.

Em declarações ao Correspondente da ANG na Região de Cacheu, Djadja Djau, em nome do Grupo "Baetchan Plentche"(Construtores da Paz) na língua manjaca, disse que recolheram os sacos plásticos espalhados por toda a cidade, que foram queimados para deixar a cidade limpa e saudável.

Djau recomenda  aos citadinos de Canchungo o tratamento de  lixos para evitarem  doenças.

Por sua vez, a Presidente da Rede de Defesa do Meio Ambiente, na região de Cacheu-REDMARC, Djanqué Indjai, disse que os membros da Rede que dirige, participaram nesta limpeza para minimizarem os riscos das doenças provocadas pelos lixos .

Djanqué promete realizar no próximo dia 26 de Janeiro, em Canchungo, uma ação de sensibilização da população local sobre a melhor forma de lidar com os lixos sem contaminar o meio ambiente.  ANG/AG/MSC/ÂC//SG

Infraestruturas marítima/Primeiro-ministro garante que  dragagem do Porto de Bissau vai criar  condições para  atracagem de vários navios

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - O Primeiro-ministro de Transição garantiu que a dragagem do Porto de Bissau vai criar  condições mínimas necessárias para a atracagem de vários navios, reforçando a capacidade operacional da principal infraestrutura portuária do país.

 Ilídio Vieira Té falava na cerimónia que assinalou o arranque das obras de drenagem, prevista para durar seis meses e financiada pelo Banco Oeste-Africano de Desenvolvimento (BOAD), no valor de 15 mil milhões de francos CFA .

“A conclusão dos trabalhos irá contribuir para o aumento das receitas fiscais do Estado, que deverão ser canalizadas para a construção de mais hospitais, melhoria das infraestruturas rodoviárias e reforço das condições de vida da população guineense”, disse Té.

O Primeiro-ministro defendeu a necessidade de haver uma estabilidade política e social, sublinhando que “um país sem tranquilidade não pode avançar”. Nesse sentido, apelou à união de todos os guineenses nos esforços de construção nacional, independentemente de quem esteja no poder.

O governante disse que é contra  qualquer forma de violência, condenando práticas como raptos, espancamentos, simulações e calúnias , de defendeu  que a Guiné-Bissau precisa de paz, convivência harmoniosa e confiança entre os seus filhos.

Relativamente à  suspensão, pelo Banco Mundial, de  desembolsos financeiros previstos para a  Guiné-Bissau, Vieira Té disse que o Governo não recebeu qualquer nota oficial da instituição nesse sentido. Acrescentou que o Banco Mundial concede empréstimos e donativos, e que não houve  comunicação formal da suspensão das operações.

Por isso, Ilidio Vieira Té desafiou ainda os órgãos de comunicação social a tornarem pública qualquer nota oficial do Banco Mundial ou do Fundo Monetário Internacional sobre o assunto, referindo que uma missão do FMI deverá deslocar-se ao país entre 3 e 17 de Fevereiro.

Sobre o pagamento presencial de salários aos professores , o chefe do Executivo denunciou a existência de casos de pessoas que se encontram no estrangeiro, há mais de dois anos, e que, ainda assim, continuam a receber salários do Estado. Por outro lado, disse  que o Governo pretende liquidar todas as dívidas contraídas com os bancos comerciais que operam no país.

ANG/LPG/ÂC//SG

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Regiões/ Diretor-geral do Hospital Regional de Cacheu diz reunir   condições para prestação de serviço médico de qualidade aos pacientes

Cacheu, 21 Jan 26 (ANG) – O Diretor-geral do Hospital Regional, Buota Na Fantchamna de Cacheu, em Canchungo, disse que já há condições necessárias para prestação de  serviço médico de qualidade aos utentes daquele hospital nortenha.

Segundo o Correspondente da ANG na região de Cacheu, Ambrósio Pereira, falava terça-feira,  no ato de receção da nova equipa médica chinesa, composta por cinco médicos de diferentes especialidades, nomeadamente da Pediatria, Acupunctura e Consultas Internas.

Pereira prometeu usar a sua influência  junto dos médicos chineses para que haja uma boa  colaboração com os médicos guineenses ali colocados, para a prestação de serviços de qualidade aos doentes da região de Cacheu, que procuram  tratamentos médicos e medicamentosa no hospital.

Lançou um apelo ao Governo para, através do Ministério da Saúde Pública,   colocar  técnicos de saúde no Bloco Operatório desse hospital, para se evitar   evacuações  frequentes dos doentes para  hospitais em Bissau.

O dirigente lembrou que a chegada dos médicos chineses ao Hospital Regional de Cacheu em Canchungo, é o fruto de boas relações de cooperação existentes entre os Governos da República da Guiné-Bissau e da República Popular da China. ANG/AG/JD/ÂC//SG


Transição Política
/Primeiro-ministro anuncia novas eleições gerais para Dezembro deste ano

Bissau, 21 Jan 26 (ANG) - O Primeiro-ministro de Transição, Ilídio Vieira Té, disse hoje que após  decisão presidencial, novas eleições gerais  deverão realizar-se em dezembro do ano em curso.

Vieira Té falava à imprensa após uma audiência com o Presidente da República de Transição, Horta Ntá, promovida para auscultações sobre a data  para novas eleições gerais a ser anunciada em decreto presidencial.

Instado a falar se Governo tem  condições financeiras para o efeito, Ilídio Vieira Té prometeu fazer tudo para que as eleições tenham lugar na data que deverá ser anunciada pelo Presidente de Transição, apesar de o país ter saído agora das eleições.

Por seu lado, igualmente a saída da audiência, o Presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Npabi Cabi, defendeu a necessidade de um recenseamento eleitoral de raiz antes das eleições gerais previstas para Dezembro.

 Segundo explicou, os dados atuais já foram atualizados por duas vezes, mas deixaram de refletir a realidade.

“Há cidadãos que faleceram ou emigraram e, ainda assim, os seus nomes continuam a constar nos cadernos eleitorais”, afirmou, alertando que, sem um novo recenseamento, a taxa de abstenção poderá atingir entre 40 e 50 por cento no próximo ato eleitoral.

Npabi Cabi salientou ainda que, caso o recenseamento seja realizado, deve começar de imediato, tendo em conta a época das chuvas, de forma a garantir a realização das eleições na data a ser fixada pelo Presidente da Transição.

Além das dificuldades financeiras, o Presidente da CNE referiu que o órgão gestor do processo eleitoral enfrenta carências significativas de meios materiais, como computadores, motorizadas e urnas.

Disse que  alguns materiais  foram destruíd0s nas Comissões Regionais de Eleições, nomeadamente na região de Bafatá, na sequência do golpe de Estado de 26 de Novembro do ano passado. ANG/LPG/AC//SG

 

Dia dos Heróis Nacionais/Presidente da República de Transição apela união no seio dos guineenses para promover progresso comum

Bissau, 21 Jan 26 (ANG) - O Presidente da República de Transição apelou terça-feira à união no seio dos guineenses, com a finalidade de promover o progresso comum no país e  dar continuidade à luta de Amílcar Lopes Cabral e seus companheiros.

Horta Inta-á falava após a deposição de coroa de flores no Mausoléu Amílcar Cabral, na Amura, em Bissau, no âmbito da celebração do Dia dos Heróis Nacionais, assinalado em 20 de Janeiro.

O Chefe de Estado lançou ainda um apelo aos guineenses, no sentido de rezarem pela promoção de paz na Guiné-Bissau, de modo a construir uma Nação mais justa e progressivo, na qual todos vão encontrar sossego emocional e espiritual.

“O dia de hoje não é um momento de festejo nacional ou de comemorações, mas sim,  de reflexão sobre o futuro da pátria de Amílcar Cabral. Por isso, é fundamental rezar pela paz interna, com o objectivo de promover o progresso comum”, considerou aquele estadista.

Hora Inta-á sublinhou também que a cultura de violência não pode desenvolver um país e que muito pelo contrário só traz  retrocessos. ANG/AALS/ÂC//SG

 

Regiões/ Gabu regista  aumento de cem por cento na arrecadação das receitas fiscais  durante ano fiscal 2025 

Gabu, 21 Jan 26 (ANG) - O Diretor-geral de Contribuições e Impostos afirmou que a região de Gabu registou um aumento na arrecadação das receitas na ordem dos cem por cento durante o ano fiscal de 2025.

Ufé Bil Vieira que falava durante o Fórum Fiscal realizado naquela cidade leste do pais, disse que este é o resultado do valor de pagamento dos impostos dos comerciantes e empresários da zona  Leste.

Aquele responsável disse que, a região de Gabu, em termos de arrecadação de receitas de Estado,  superou todas as outras regiões, ao nível nacional durante o ano de 2025 e que subiu de 60 por cento de 2024 para 100 por cento em 2025.

Aquele responsável encorajou aos comerciantes local para se empenharem ainda mais para o bem do país.

Ufé Vieira acrescentou que ao  nível de cumprimento voluntário e obrigação fiscal a região cresceu bastante.

Por sua vez, o porta-voz dos Comerciantes, Amadi Embaló criticou a situação degradante das estradas e falta de cumprimento das normas de CEDEAO, concernente a livre circulação de pessoas e bens.

Depois das regiões de Tombali e Quinara, o Primeiro Fórum Fiscal Nacional, termina este fim de semana em Gabu, e  visa constatar  o funcionamento das estruturas das Finanças e sensibilização dos comerciantes sobre novos impostos do Ministério das Finanças.

O Fórum juntou centenas de empresários, comerciantes grossistas e retalhistas SS/JD/ÂC//SG

 

Transição política/ Presidente de Transição fixa 06 de Dezembro para realização de novas eleições gerais no país

Bissau, 21 Jan 26 (ANG) – O Presidente da República de Transição fixou o dia 06 de dezembro do ano em curso para a realização das eleições presidenciais e legislativas.

O anuncio consta no Decreto Presidencial número 02/2026, assinado pelo Presidente da República de Transição Major General Horta Inta-a publicado hoje.

De acordo com o Decreto, a decisão foi tomada, após audições separadas com o Conselho Nacional de Transição, o Alto Comando Militar para a Restauração da Ordem Constitucional, o primeiro-ministro do Governo de Transição e a Comissão Nacional de Eleições, com vista a avaliar as condições necessárias para a realização de novas eleições  gerais, previstas para Dezembro do ano em curso.

Em declarações à imprensa, à saída de audiência com o Presidente da República de Transição, o vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e membro do Alto Comando para a Restauração da Ordem Constitucional, Samuel Fernandes, afirmou que o órgão foi convocado pelo Presidente da Transição para discutir a marcação da data de realização das eleições gerais ainda este ano e que deram as suas opiniões.

Segundo o vice-presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Nelson Moreira, o encontro serviu para debater a fixação da data do escrutínio, sublinhando que compete ao Chefe de Estado da Transição, Horta Inta-á, anunciar oficialmente a data através de um decreto presidencial, em cumprimento dos compromissos assumidos com os parceiros internacionais.

ANG/LPG/ÂC//SG