quarta-feira, 13 de maio de 2026

      Irã/Teerão ameaça EUA com derrota se não aceitarem proposta de paz

 

 Bissau,  13 Mai 26 (ANG) - O Governo iraniano ameaçou hoje que os Estados Unidos “devem esperar uma repetição das suas derrotas passadas no campo de batalha” se não aceitarem a proposta de paz apresentada por Teerão.

 

"Se o inimigo não ceder às justas exigências do Irão através dos canais diplomáticos, deve esperar uma repetição das suas derrotas passadas no campo de batalha", disse o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, sublinhando que "se estes direitos razoáveis e definitivos não forem alcançados, o inimigo não conseguirá livrar-se do pântano em que está preso".

 

Talaei-Nik enfatizou que qualquer agressão futura será respondida com uma resposta "decisiva e final", afirmando ainda que "a retirada repetida de navios norte-americanos da zona de conflito demonstra a determinação e a capacidade das Forças Armadas iranianas", segundo a televisão iraniana Press TV. 

 

As declarações de Talaei-Nik surgiram depois de o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, ter declarado na terça-feira que o curso de ação "mais racional" e benéfico para Teerão é "completar a vitória no campo de batalha" através de um processo de negociação com Washington, quando as conversações entre as partes estão paralisadas. 

 

Por sua vez, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, disse que "não há alternativa" para o fim da guerra a não ser que os Estados Unidos aceitem a proposta apresentada por Teerão, antes de alertar que qualquer outra opção "só levará a um fracasso após o outro", após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter classificado o documento apresentado por Teerão como "totalmente inaceitável". 

 

Os Estados Unidos e o Irão estão num processo de diálogo mediado pelo Paquistão, embora as divergências entre as suas posições tenham impedido, até ao momento, um segundo encontro em Islamabad, cidade que acolheu a primeira reunião presencial após o acordo de cessar-fogo assinado em 08 de abril, posteriormente prorrogado indefinidamente por Trump. 

 

O bloqueio do Estreito de Ormuz e a recente incursão e apreensão de navios iranianos pelos EUA na região estão entre os motivos alegados por Teerão para não comparecer às negociações em Islamabad, uma vez que considera estas ações uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo. 

 

Apesar disso, ambos os países mantêm contacto através da mediação de Islamabad. 

 

Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão em 28 de fevereiro, levando os iranianos a retaliarem contra países do Golfo que têm interesses norte-americanos, estende a guerra no Médio Oriente. 

ANG/Inforpress/Lusa

 

França/Macron propõe nova política francesa na África, com foco em segurança, migração e valorização das diásporas

Bissau, 13 Mai 26 (ANG) – O  presidente francês, Emmanuel Macron, encerrou, terça-feira, em Nairobi, no Quénia, o Sommet Africa Forward, encontro inédito que reuniu cerca de 40 chefes de Estado e de governo com o objetivo de consolidar o que ele classificou como uma “relação renovada” entre a França e o continente africano. 

Em entrevista exclusiva à RFI e aos canais France 24 e TV5 Monde, Macron defendeu uma parceria “de igual para igual” e apresentou uma agenda estratégica centrada na reestruturação da presença militar francesa no Sahel, no diálogo sobre migração e no papel da diáspora africana na França.

Na conversa, o presidente francês abordou inicialmente a presença histórica da França na África e os interesses económicos e de investimento no continente, em um cenário de crescente concorrência com potências como Estados Unidos e China.

Macron destacou que o anúncio, na véspera, de € 23 bilhões em investimentos franceses na África representa, segundo ele, uma “verdadeira revolução” na relação económica bilateral, com foco na geração de empregos e na melhoria das condições de vida da população.

Outro ponto citado na entrevista foi a reestruturação da presença militar francesa no Sahel. Macron afirmou que Paris mudou sua abordagem, passando a responder às demandas específicas dos países africanos. 

“Não é porque estamos aqui desde sempre, com uma base militar e com soldados franceses, que isso precise continuar existindo (...) É uma parceria. São vocês que definem. Nós respondemos às suas demandas de segurança. Assim, repensamos tudo completamente. Fechamos bases, reduzimos significativamente outras. Todas as bases em que permanecemos funcionam de forma conjunta; muitas delas foram até rebatizadas com nomes africanos”, explicou no início da conversa de 40 minutos com os jornalistas.

“Nós normalizamos a situação: trata-se de uma parceria justa, responsável e realmente em pé de igualdade”, destacou.

Na área migratória, Macron defendeu um “diálogo honesto” que concilie controle de fronteiras, proteção de valores e atração de talentos. Ele citou os chamados “passaportes talento”, que, segundo ele, facilitam a concessão de vistos para investidores, dirigentes empresariais e profissionais qualificados, africanos ou europeus. 

“É preciso melhorar esse diálogo de maneira lúcida e totalmente franca. Assumo ter endurecido a política migratória em certos pontos, porque o contexto assim exigia”, afirmou o presidente francês, que está em seu último ano de mandato. 

Macron também destacou a restituição de obras de arte africanas como um passo essencial para encerrar ciclos coloniais. Segundo ele, a devolução desses patrimônios culturais “muda a relação cultural” e ajuda a reconstruir vínculos com instituições locais e com a juventude africana. Ele citou como exemplos os tesouros de Abomei, devolvidos ao Benim, além de restituições ao Senegal, Costa do Marfim e Madagascar. 

Ao final da entrevista, Macron destacou o potencial das diásporas africanas na França, ressaltando o papel da juventude. 

“Quero que nossa juventude na França compreenda que tem um destino ligado a este continente. A África terá sucesso, e nós teremos sucesso com ela”, afirmou. Segundo o presidente, cerca de 17 milhões de pessoas fazem parte das diásporas africanas ligadas à França. “Isso é uma chance para o nosso país”, concluiu.ANG/RFI


terça-feira, 12 de maio de 2026

Regiões/Hospital Regional de Canchungo se depara com insuficiência de Enfermeiros

Cacheu,12 Mai 26 (ANG) – O Hospital Regional de Cacheu em Canchungo está a deparar-se com insuficiência de Enfermeiros e oxigénio para atendimento dos pacientes, disse hoje a Enfermeira Chefe, Efigénia Mendes Correia, por ocasião do Dia Mundial da Enfermagem, 12 de Maio.

Em declarações á ANG, Efigénia  Correia, disse ser um dia especial  para os enfermeiros, e lamenta que  existem apenas 23 Enfermeiros, quando devia ter 60 para todas as enfermarias existentes no Hospital Regional de Canchungo.

Acrescentou que, actualmente compram uma garrafa de oxigénio no Hospital Nacional Simão Mendes por  20.000 francos CFA, e  diz que este preço está a criar dificuldades no atendimento dos pacientes.

 Efigénia Correia  pede ao Governo para colocar mais técnicos de saúde no Hospital Regional de Cacheu, em Canchungo para melhor atendimento das necessidades de assistência médica  das populações. ANG/AG/JD/ÂC//SG

 

Politica /Conselho de Ministros aprova projecto de  Decreto relativo às políticas climáticas para o setor digital

Bissau, 12 mai 26 (ANG) – O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, o projeto de  Decreto relativo às políticas de mitigação e adaptação às alterações  climáticas para o setor digital da Guiné-Bissau, acompanhado   do respetivo Plano de Ação.

A informação consta no comunicado do Conselho de Ministros, reunido hoje na sua Sessão Ordinária, presidido pelo Presidente da República de Transição Horta Inta-á.

O comunicado refere  que a medida visa promover uma transformação digital resiliente, sustentável e inclusivo.

Acrescenta que,  o Executivo  protelou depois de apresentado e discutido o pacote legislativo de autoria do Ministério da Energia e que versa sobre o sector de combustíveis e derivados de petróleo.

No início da sessão, os membros do Governo observaram um minuto de silêncio em homenagem ao falecido Secretário de Estado do Tesouro, Mamadú Baldé, que morreu recentemente em Portugal, vítima de doença prolongada.

Segundo o comunicado, os restos mortais do governante deverão chegar ao país ainda esta semana, estando previstas honras fúnebres de Estado conforme deliberação já anunciada pelo Executivo. ANG/LPG/ÂC//SG

Rússia/Kiev e Moscou retomam ataques após trégua; Kremlin considera prematuro detalhar processo de paz

Bissau, 12 mai 26 (ANG) - Ataques russos na Ucrânia deixaram ao menos um civil morto na noite de segunda para terça-feira (12), após o término de uma trégua de três dias.

Moscou e Kiev acusam-se mutuamente de ter violado o cessar-fogo, anunciado pelo presidente americano Donald Trump. O Kremlin considerou prematuro, nesta terça-feira, falar em “detalhes concretos” do processo para resolver o conflito.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de ter “escolhido pôr fim ao silêncio” ao lançar cerca de 200 drones contra o país durante a noite. Segundo autoridades locais, os ataques atingiram áreas civis e provocaram danos materiais.

“Uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas. O inimigo atacou cinco distritos da região 20 vezes com drones, artilharia e bombas aéreas”, escreveu no Telegram o governador da região de Dnipropetrovsk, no leste da Ucrânia, Oleksandr Ganja. De acordo com ele, residências, um prédio de nove andares e veículos foram danificados.

Em Kiev, pela primeira vez desde 8 de maio, as autoridades emitiram na madrugada desta terça-feira um alerta aéreo devido à ameaça de drones. Fragmentos caíram sobre um edifício de 16 andares no distrito de Obolonsky, provocando um incêndio, informou o prefeito da capital, Vitali Klitschko. Não houve vítimas.

 A administração militar regional também relatou ataques contra prédios residenciais e instituições educacionais.

Por sua vez, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou em comunicado que interceptou e destruiu, durante a noite, 27drones ucranianos sobre regiões de Belgorod, Voronej e Rostov, no sul do país, após o fim da trégua.

Em meio à retomada dos confrontos, o Kremlin considerou prematuro falar em “detalhes concretos” sobre um processo para encerrar o conflito.

“Todos os avanços em termos de processo de paz permitem dizer que o fim realmente se aproxima. Mas, nesse contexto, não é possível, por ora, entrar em detalhes concretos”, declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.

Ele comentava declarações feitas no sábado (9) pelo presidente Vladimir Putin, que afirmou que o conflito na Ucrânia “estava chegando ao fim”, durante as celebrações da vitória soviética sobre a Alemanha nazista.

O líder russo não detalhou suas declarações, mas voltou a criticar o apoio ocidental a Kiev e afirmou que o Exército russo enfrenta na Ucrânia “forças agressivas” apoiadas pela Otan.

As negociações entre Moscou e Kiev, mediadas pelos Estados Unidos, permanecem paralisadas. Segundo Peskov, a Rússia afirma continuar aberta ao diálogo e disse que verá de forma favorável eventuais novos esforços diplomáticos de Washington.

Na noite de segunda-feira (11), Zelensky voltou a acusar Moscou de preparar novas ofensivas. “Também constatamos que a Rússia não tem nenhuma intenção de pôr fim a esta guerra. Infelizmente, ela prepara novos ataques”, afirmou. ANG/RFI/AFP

 

EUA/Presidente Trump anuncia conversações com Cuba a pedido de Havana

 

Bissau, 12 Mai 26(ANG) – O Presidente norte-americano afirmou hoje que Cuba “está a pedir ajuda” a Washington e que os dois países “vão falar”, depois de repetidas ameaças contra a ilha, incluindo a possibilidade de uma ofensiva militar.

 


“Nenhum republicano alguma vez me falou sobre Cuba, que é um país falido e só vai numa direção: para baixo”, escreveu Donald Trump numa mensagem publicada nas redes sociais. 

 

“Cuba está a pedir ajuda, e nós vamos falar”, acrescentou, sem avançar pormenores, antes de iniciar uma visita oficial à China, onde se vai reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping. 

 

Trump referiu-se à possibilidade de os Estados Unidos “assumirem o controlo” de Cuba num futuro próximo, chegando mesmo a sugerir uma hipotética intervenção militar após o fim de uma ofensiva contra o Irão, lançada em 28 de Fevereiro em conjunto com Israel e relativamente à qual vigora atualmente um cessar-fogo. 

 

Os Estados Unidos reforçaram igualmente as sanções contra a ilha, medida criticada por Havana. 

 

Neste contexto, o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que estas medidas económicas “coercivas e ilegais” não “vão intimidar” as autoridades cubanas. 

 

No início deste mês, Trump anunciou um reforço das sanções contra Cuba, onde foi organizado um desfile por ocasião do 1.º de Maio para “defender a pátria” e denunciar as ameaças de agressão militar norte-americana.

 

O Presidente norte-americano considerou que a ilha comunista, situada a 150 quilómetros da costa da Florida (sudeste) continua a representar “uma ameaça extraordinária” para a segurança nacional dos Estados Unidos. 

 

Trump reiterou também a ameaça de “assumir o controlo” de Cuba, sugerindo que um porta-aviões norte-americano podia ali fazer escala “no regresso do Irão”. 

 

Além do embargo norte-americano em vigor desde 1962, Washington, que não esconde a vontade de ver uma mudança de regime em Havana, impõe à ilha, desde janeiro, um bloqueio petrolífero, tendo autorizado desde então apenas a chegada de um petroleiro russo. 

 

Por seu lado, o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou, em meados de abril, que o país estava preparado para enfrentar uma agressão militar dos Estados Unidos e reafirmou o caráter socialista do Estado cubano, por ocasião do 65.º aniversário da tentativa de invasão da Baía dos Porcos. 

 

No final da mensagem, o Presidente norte-americano escreveu: “Entretanto, parto para a China!”. 

 

Trump parte dos Estados Unidos para uma visita de dois dias a Pequim, tendo como pano de fundo a guerra no Médio Oriente e vários temas de tensão, entre os quais o comércio e Taiwan, assuntos que pretende abordar com Xi Jinping. 

ANG/Inforpress/Lusa

 

Cooperação/Associação de Amizade Guiné-Bissau e China condena tentativa de Taiwan de participar na 79ª Assembleia Mundial de Saúde

Bissau, 12 Mai 26 (ANG) - A Associação de Amizade Guiné-Bissau e República Popular da China condenou esta terça-feira a tentativa da região chinesa de Taiwan de participar na 79ª Assembleia Mundial de Saúde (AMS) que decorrerá de 18 à 23 de Maio , em Genebra, Suíça.

A condenação foi feita em  Comunicado à Imprensa, produzido pela referida Associação sedeada em Bissau, enviado à ANG.

 “Perante este fato, a Associação reafirma o seu compromisso inabalável com o princípio de uma só China e reconhece que existe apenas uma China no mundo, que Taiwan é uma parte inalienável do território chinês e que o governo tem a função de representar a República chinesa em geral”, refere o documento.

A Associação de Amizade Guiné-Bissau e China informa que a região de Taiwan não tem qualquer fundamento, razão ou direito de participar na AMS sem o consentimento do governo central da China.

“Opomos também à qualquer forma de independência de Taiwan e  interferência de forças exteriores nos assuntos internos da China. Apoiamos firmemente o governo da China na busca da reunificação nacional”, refere o comunicado assinado pelo Presidente desta Associação,  Nicolau dos Santos. ANG/AALS/ÂC//SG

Regiões/ Chefe tradicional de Fulacunda pede construção de uma Esquadra de raiz e reforço de meios para combater criminalidade

Quinará, 12 Mai 26 (ANG) - O chefe tradicional do setor de Fulacunda, região de Quinara, Sul do país, pediu ao Governo de Transição a construção de uma Esquadra policial de raiz, devidamente equipada com prisão, meios de transporte e recursos humanos, para dignificar os homens da farda e melhorar a segurança no setor.

Segundo o Correspondente da ANG na região de Quinará, o pedido de Bacar Samba foi apresentado após um encontro da “Bantaba de Paz”, organizado pelo Grupo Kumpuduris de Paz “N’NAFA SOBIA” de Quinara, uma iniciativa das organizações da sociedade civil, nomeadamente CTO Bissau, Fórum de Paz, WANEP-GB e Voz di Paz.

Samba disse que o setor de Fulacunda necessita urgentemente de uma Esquadra moderna e funcional, para  responder  às necessidades da população, sobretudo nas zonas mais longínquas.

Segundo explicou, a atual Esquadra da polícia local enfrenta uma situação de extrema precariedade, em que os agentes trabalham em condições consideradas “péssimas e desumanas”, agravadas durante a época chuvosa, devido ao avançado estado de degradação do edifício.

“O teto está degradado, não há condições de alojamento para os agentes e o edifício encontra-se praticamente sem condições de funcionamento”, lamentou.

Bacar Samba alertou ainda para o aumento da delinquência juvenil, do consumo excessivo de drogas e álcool, bem como da criminalidade, roubos e agressões físicas com armas brancas protagonizadas por alguns jovens do setor.

O chefe tradicional manifestou igualmente preocupação com o crescente abandono escolar e relatou casos graves de violência familiar registados recentemente na comunidade, incluindo um episódio ocorrido na secção de Cubambol, onde um homem  matou o próprio irmão com recurso a uma catana, na sequência de um conflito relacionado com um pomar de caju.

Para o responsável tradicional, estes fenómenos sociais continuam a preocupar, tanto as autoridades governamentais como as autoridades tradicionais da região.

Fulacunda é um dos quatro setores administrativos da região de Quinará, e as suas populações enfrentam  enormes dificuldades ligadas à falta de estradas nas diferentes secções que compõem o setor, além da ausência de infraestruturas
adequadas para  segurança pública.

O responsável lamentou também que muitas crianças e jovens passem grande parte do tempo no lazer e nas redes sociais, em vez de frequentarem regularmente a escola. ANG/RC/JD/ÂC//SG

Quénia/ Mais de 1.500 participantes no Fórum Empresarias “África em Frente: Inspirar e Conectar

Bissau, 12 mai 26 (ANG) – Mais de 1.500 decisores económicos, investidores e funcionários públicos representando a África, a França e outros países participaram do Fórum Empresarial “África em Frente: Inspirar e Conectar”, cuja cerimónia de encerramento ocorreu na segunda-feira em Nairóbi.


Este Fórum proporcionou uma oportunidade para discutir as principais questões relacionadas ao crescimento, investimento e transformação económica do continente, bem como para fortalecer os investimentos cruzados e estimular as parcerias económicas entre a África e a França.

O evento foi marcado pela organização de diversos workshops, painéis e reuniões que reuniram líderes de importantes empresas africanas e francesas com o objetivo de promover parcerias económicas e oportunidades de investimento.

O Fórum Empresarial “África Forward: Inspire & Connect” também contou com reuniões e entrevistas B2B, reunindo, além de líderes de grandes empresas africanas e francesas, gestores de pequenas e médias empresas, jovens empreendedores e representantes do setor público.

As discussões se concentraram em diversos setores estratégicos para o desenvolvimento do continente, incluindo energia, agronegócio, tecnologia digital, saúde e cidades sustentáveis ​​– áreas consideradas prioritárias para apoiar a transformação económica da África, estimular a inovação e promover o desenvolvimento sustentável e inclusivo. ANG/Faapa

 

Argentina/Manifestação de universitários  denuncia desmantelamento da Educação promovido por Milei

Bissau, 12 Mai 26 (ANG) - A quarta manifestação universitária durante o governo do presidente Javier Milei acontece nesta terça-feira (12), com um ato principal em Buenos Aires e mobilizações nas principais cidades da Argentina. Mais de um milhão de manifestantes são esperados em todo o país para protestar contra os cortes no orçamento da Educação pública, atualmente no menor nível da história.

A mobilização ocorre no momento político mais delicado de Milei desde que assumiu a presidência.

Desde que Milei assumiu o cargo, em Dezembro de 2023, a situação das universidades públicas só se agravou, atingindo o menor nível de investimento da história do país.

Cada manifestação universitária reúne mais de um milhão de pessoas nas ruas em todo o território argentino, evidenciando uma crescente insatisfação popular.

A pressão social levou o Congresso a aprovar leis que obrigam o governo a repassar os recursos necessários para o financiamento das universidades. Apesar disso, Milei se recusa a cumprir as medidas, alegando que a manutenção do superávit fiscal, base de seu plano económico, é prioridade.

Em setembro de 2024, o Congresso aprovou a primeira lei de financiamento universitário, mas ela foi vetada pelo presidente argentino. Um ano depois, em agosto de 2025, os parlamentares aprovaram uma segunda proposta. Milei voltou a vetá-la, mas, dessa vez, o Congresso derrubou o veto presidencial.

A lei busca reverter os cortes no orçamento das universidades e reajustar os salários de acordo com a inflação. O governo, no entanto, segue resistindo à implementação das medidas.

 

A Justiça já decidiu em duas instâncias a favor das universidades. Agora, a disputa chegou à Suprema Corte. A tendência é de derrota para o governo, que tenta adiar um impacto fiscal estimado em 0,23% do PIB.

Professores e estudantes enfrentam os impactos da redução dos investimentos. O financiamento das universidades caiu 45,6% desde que o presidente argentino Javier Milei assumiu o cargo, e os salários dos professores perderam, em média, 33,7% do poder de compra.

O protesto cobra o cumprimento da lei de financiamento universitário, mas, além dessa reivindicação específica, a mobilização também expressa uma insatisfação mais ampla da população com o governo.

 

Em maior ou menor grau, aposentados, servidores públicos, trabalhadores do setor privado e informais acumulam perdas salariais diante da inflação. Entre os mais afetados estão os servidores e aposentados, com perdas que chegam a cerca de 35%.

O protesto é convocado oficialmente pelo Conselho Interuniversitário Nacional, que reúne as 64 universidades públicas da Argentina, onde estudam cerca de 2,1 milhões de alunos.

No entanto, a mobilização também conta com a participação de sindicatos como a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), além de organizações sociais e partidos de oposição. Todos acusam o governo de tentar desmantelar a educação pública.

A manifestação ocorre no momento político mais delicado de Milei. Segundo 13 pesquisas de opinião, mais de 60% da população tem uma imagem negativa do presidente, enquanto menos de 35% declara apoio ao governo.

Um levantamento recente da AtlasIntel indica que 63% reprovam a gestão de Milei, enquanto 30,6% a consideram excelente ou boa. No total, a imagem negativa do presidente chega a 62%.

Os índices de rejeição aumentam em meio a investigações judiciais por casos de corrupção,à alta da inflação nos últimos ez meses e ao aumento do desemprego, consequência de um modelo económico que, segundo críticos, provoca recessão em setores intensivos em empregos, como comércio, indústria e construção civil.

 

De acordo com a AtlasIntel, os principais problemas do país são corrupção (50,3%), desemprego (38,5%), inflação (35,9%) e a situação econômica em geral (32,6%).

Cerca de 90% do orçamento universitário é destinado aos salários. Os professores da categoria mais alta, com elevada formação e dedicação exclusiva, recebem um salário em pesos argentinos equivalente a aproximadamente R$ 5.000.

Devido ao elevado custo de vida na Argentina atualmente, esse salário é apenas R$ 500 acima de uma cesta básica familiar.

A maioria, no entanto, ganha menos da metade: 60% recebe o equivalente a R$ 1.800.

Para recuperar os salários de dezembro de 2023, seria necessário um aumento de 53%.

Os hospitais universitários, responsáveis por atender mais de 700 mil pessoas por ano, ainda não receberam recursos em 2026 e sobrevivem adiando pagamentos a fornecedores.

Há dois anos e meio, com o país em crise, o orçamento universitário era de 0,72% do Produto Interno Bruto. Agora é de 0,47%, com projeção de cair para 0,42% até o final do ano. A demanda dos universitários é que volte aos 0,72%.

Segundo o Conselho Interuniversitário Nacional, nos dois anos e meio de governo Milei, mais de 10 mil professores e pesquisadores universitários deixaram o ensino público. É a chamada “fuga de cérebros” que abandona o país ou vai para o setor privado.

Na Universidade Tecnológica Nacional, mais de mil professores deixaram de dar aulas. Na Faculdade de Ciências Exatas da prestigiosa Universidade de Buenos Aires, foram 438 demissões, equivalentes a 13% do total do corpo docente, a maioria do curso de engenharia, que perdeu 342 professores. Já do curso de veterinária, 103 deixaram seus cargos.

Em média, sete cientistas por dia deixam as universidades argentinas desde Dezembro de 2023. ANG/RFI

França/Impacto climático agrava desigualdade de gênero, dizem ONGs que pressionam por financiamento antes do G7

Bissau, 12 Mai 26 (ANG) - Durante muito tempo relegado a segundo plano, o impacto das mudanças climáticas na desigualdade de gênero agora é tema de alertas de ONGs que, às vésperas da cúpula do G7, em Junho, na França, lamentam a discrepância entre os anúncios políticos e o financiamento efetivo.

"As mudanças climáticas são sexistas", afirma Mathilde Henry, da CARE França. "Elas aceleram os riscos enfrentados pelas mulheres, multiplicam" e "quando as secas atingem, quando as colheitas falham, são as mulheres que comem por último e em menor quantidade".

Atualmente, 47,8 milhões de mulheres a mais do que homens sofrem de insegurança alimentar no mundo, segundo a Ação Contra a Fome (ACF), para quem a desigualdade de género é tanto "causa quanto consequência da fome".

O aumento das temperaturas também afeta sua segurança. Cada aumento de 1ºC na temperatura global está associado a uma alta de 4,7% na violência doméstica, de acordo com um estudo de Abril de 2025 da Spotlight Initiative, uma aliança entre a União Europeia, as Nações Unidas e o governo mexicano.

 

Eventos climáticos extremos, como as inundações em Bangladesh, resultam em aumentos documentados na violência de género e no número de casamentos de crianças, destaca Henry.

 

No entanto, a inação em relação às mudanças climáticas pode levar até 158,3 milhões de mulheres e meninas adicionais à extrema pobreza até 2050, de acordo com o Panorama de Género 2025 da ONU Mulheres.

Nesse contexto, organizações estão utilizando a cúpula do G7 para tentar influenciar a resposta dos governos a essa questão.

Embora a França, que está na presidência do G7 este ano e tem adotado uma estratégia de diplomacia feminista para o período de 2025 a 2030, ONGs apontam que, na prática, houve uma redução da ajuda internacional e denunciam seus impactos negativos.

Em 2025, a ajuda oficial ao desenvolvimento (AOD) concedida por membros e associados do Comité de Assistência ao Desenvolvimento totalizou US$ 174,3 bilhões. O montante representa uma queda de 23,1% em comparação com o ano anterior — a maior contração anual já registada, segundo a OCDE.

Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Japão e França respondem por 95,7% da redução total da ajuda oficial ao desenvolvimento.

Neste contexto, o Fundo de Apoio às Organizações Feministas (FSOF), considerado "a iniciativa mais emblemática da diplomacia feminista francesa", sofreu um impacto significativo em seu financiamento, enfatiza a Plan International France.

"Estamos enfrentando um ataque à linguagem, um ataque ideológico e um ataque financeiro que sequer está sendo combatido pelos países que defendem a igualdade", comenta Léa Cros, da ACF.

 "A linguagem diplomática é uma coisa. Mas essa linguagem precisa ser colocada em prática. E, neste momento, até mesmo doadores europeus que podem defender a igualdade de género, como a França, estão causando um enorme terramoto financeiro" ao reduzirem seus financiamentos.

Esses cortes têm repercussões diretas na continuidade das operações de programas de ONGs internacionais, dezenas dos quais estão sendo encerrados, mas também em organizações locais que atuam na linha de frente e em milhões de beneficiários. “Infelizmente, tudo isso se traduz em mortes crianças fora da escola, casamentos infantis, etc.”, enumera Michelle Perrot, da Plan International França.

Para tentar conter esses fenómenos, especialistas de países em desenvolvimento defendem a participação dessas mulheres nas políticas públicas.

Além da vulnerabilidade aos riscos climáticos, essas mulheres são fundamentais para soluções de adaptação, principalmente na conservação da natureza e na agricultura. “As mulheres não são apenas vulneráveis.

Se receberem apoio, podem se tornar agentes de mudança”, argumentou Hoang Thi Ngoc Ha, pesquisadora vietnamita especializada em soluções baseadas na natureza e transversalidade da perspectiva de género na adaptação climática, em uma colectiva de imprensa antes da reunião do G7 sobre meio Ambiente, no final de Abril.

Ela também destacou a importância das doações de ONGs direcionadas a associações locais, que possibilitaram, por exemplo, a concessão de microcrédito a mulheres, o desenvolvimento de programas em aldeias e a melhoria da renda de agricultoras.

Além disso, as mulheres de comunidades indígenas ainda são "quase sistematicamente excluídas" dos órgãos internacionais de tomada de decisão, segundo uma delas, Gladys Yolanda Guamán Casillas. Essa especialista equatoriana em agroecologia fez um apelo para que "os governos de todos os países do mundo" sejam "forças motrizes para que sejamos ouvidas".

ANG/RFI/ AFP

 

       
 África do Sul
/Presidente Ramaphosa rejeita os pedidos de renúncia

Bissau, 12 Mai 26 (ANG) – O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciou na noite de segunda-feira que não renunciará ao cargo e que pretende contestar o relatório com conclusões desfavoráveis ​​a ele, após a decisão do Tribunal Constitucional sobre o chamado caso "Phala Phala".

"Quero deixar claro que não estou renunciando", enfatizou o Sr. Ramaphosa em um discurso à nação, transmitido ao vivo pela televisão a partir da sede do governo em Pretória.

Ele considerou que renunciar agora seria o mesmo que "ceder àqueles que querem minar a reconstrução da nossa sociedade", acrescentando que "pretendo continuar a servir o povo sul-africano".

Ele explicou que, embora tenha havido pedidos de sua renúncia, nada na decisão do Tribunal Constitucional o obriga a fazê-lo, já que o Tribunal não se pronunciou sobre sua conduta, mas reafirmou os princípios da ordem constitucional.

Ele indicou estar ciente da necessidade de certeza e estabilidade, especialmente em tempos difíceis como os que o país atravessa atualmente, assegurando que não havia se apropriado indevidamente de quaisquer fundos públicos, não havia cometido nenhum crime e havia cooperado com todas as investigações.

Na última sexta-feira, o Tribunal Constitucional emitiu um veredicto anulando uma votação parlamentar anterior relativa ao chamado caso "Phala Phala", abrindo assim caminho para um possível impeachment do presidente.

De acordo com essa decisão, o Parlamento é chamado a transmitir oficialmente o caso a uma comissão especializada responsável pela prestação de contas políticas (comissão de impeachment) para que esta inicie seus trabalhos.

A decisão do Tribunal Constitucional é uma das mais significativas já proferidas contra um presidente em exercício na história democrática da África do Sul.ANG/Faapa

   

Dia Internacional da Enfermagem/ SINETSA admite intensificar luta por melhores condições a partir de 2027

Bissau, 12 Mai 26 (ANG) – O Sindicato Nacional dos Enfermeiros e Técnicos de Saúde e Afins da Guiné-Bissau (SINETSA)  exigiu a  valorização da classe e avisa que poderá intensificar a luta por melhores condições a partir de 2027.

A exigência foi feita no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Enfermagem que se assinala hoje, 12 de Maio, em Nota à que a ANG teve hoje acesso.

A organização assinalou o Dia Internacional da Enfermagem com uma mensagem de homenagem aos profissionais do setor, denunciando as “difíceis condições de trabalho” enfrentadas pela classe, e de exigência por melhores salários e valorização profissional.

Na nota assinada pelo presidente do Sindicato, Inussa Intchasso, a organização saudou todos os enfermeiros e enfermeiras guineenses pelo empenho, dedicação e espírito de missão no serviço prestado diariamente à população, sublinhando o papel essencial da enfermagem no funcionamento do sistema nacional de saúde.

O SINETSA alerta para aquilo que considera ser uma “realidade dura, persistente e injusta”, marcada por “salários inadequados” face às responsabilidades da profissão, “carreiras bloqueadas, progressões congeladas” e condições de trabalho que, segundo o sindicato, em muitos casos “beiram o desumano”.

No documento, o sindicato rejeita a utilização da ideia de “vocação” como justificação para a desvalorização da classe, defendendo que a enfermagem é uma profissão técnica, científica e essencial, que exige dignidade salarial, reconhecimento institucional e melhores condições laborais.

Dirigindo-se ao Governo, ao Ministério da Saúde Pública e às demais instituições competentes, o SINETSA afirmou que a classe já não aceitará a continuidade de salários considerados indignos, apontando para remunerações na ordem dos 95 mil francos CFA como insuficientes para responder às exigências da profissão.

O sindicato deixou uma advertência, anunciando que, a partir de Janeiro de 2027, poderá intensificar a luta pela implementação efetiva de uma “carreira digna, justa e compatível” com a responsabilidade dos profissionais de enfermagem no país, independentemente da aprovação formal das medidas reivindicadas.

O SINETSA considera que não é possível construir um sistema de saúde forte com profissionais desmotivados, mal remunerados e desprotegidos, apelando ao Estado para que reconheça  o contributo dos enfermeiros para o funcionamento dos serviços de saúde em todo o território nacional.

Por ocasião do Dia Internacional da Enfermagem, o sindicato felicitou todos os profissionais da classe, reiterando, no entanto, que o compromisso dos enfermeiros com a vida é inegociável, mas que a sua dignidade profissional também o é. ANG/LPG/ÂC//SG