Médio
Oriente/Israel e Líbano
iniciam negociações diretas inéditas em décadas sob pressão no Oriente Médio
Bissau, 15 Abr 26 (ANG) - Representantes de Israel e
do Líbano se reuniram terça-feira (14),
em Washington, em rodada preliminar de negociações diretas de paz, mediadas
pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
É o primeiro encontro desse tipo em décadas.
Marco
Rubio, saudou o que chamou de uma
“oportunidade histórica” para que Líbano e Israel façam a paz, ao reunir os
dois países em Washington para negociações diretas. “Trata-se de pôr fim,
de forma definitiva, a 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah nessa
parte do mundo”, declarou. “Isso vai além de um único dia, vai levar tempo”,
alertou.
Já o
presidente libanês, Joseph Aoun, disse esperar que as negociações marquem “o
começo do fim do sofrimento dos libaneses”. Mas “a estabilidade não será
restabelecida no sul do Líbano se Israel continuar ocupando territórios
ali”, acrescentou.
“Queremos alcançar a paz e a
normalização com o Estado libanês”, afirmou um pouco antes o chefe da
diplomacia israelense, Gideon Saar. “Não há divergências importantes entre
Israel e o Líbano. O problema é o Hezbollah.”
Antes
mesmo da reunião, o líder do Hezbollah, apoiado pelo Irã, Naim Qassem,
pediu na segunda-feira o cancelamento das conversas, classificando a iniciativa
como uma “capitulação”.
O
Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio no início de março pelo
movimento xiita, em apoio ao Irã, alvo de uma ampla ofensiva israelo-americana.
O
secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu terça a eetomada de “negociações sérias
para encerrar a guerra no Oriente Médio afirmando que “não há solução
militar” para a crise.
“Não
existe solução militar para essa crise. A paz exige compromisso e vontade
política persistente. É preciso retomar negociações sérias”, disse Guterres a
jornalistas na sede da ONU, em Nova York, ao comentar também as conversas
realizadas no fim de semana, no Paquistão, entre representantes de Teerã e
Washington.
Segundo
ele, o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã “deve ser preservado”, assim como
a liberdade de navegação, inclusive no estreito de Ormuz.
“É hora de agir com moderação e
responsabilidade. É hora de priorizar a diplomacia em vez da escalada”,
afirmou, defendendo o respeito ao direito internacional, que, segundo ele, vem
sendo “desrespeitado” em várias partes do mundo.
“O desrespeito às normas
internacionais gera caos, amplia o sofrimento e leva à destruição”, alertou.
Sobre
as negociações entre Israel e Líbano, Guterres afirmou que “ninguém
espera” uma solução imediata, mas disse que o diálogo pode abrir caminho para
mudanças de comportamento das partes.
Ele criticou tanto Israel quanto o
Hezbollah, afirmando que os dois lados têm contribuído para desestabilizar o
governo libanês, ao justificar suas ações com base nas atitudes do adversário.
“É hora
de Israel e Líbano trabalharem juntos, em vez de o país continuar
sendo vítima dessa dinâmica negativa”, disse.
As negociações realizadas no fim de
semana entre autoridades dos Estados Unidos, lideradas pelo vice-presidente
J.D. Vance, e representantes iranianos, chefiados pelo presidente do Parlamento
Mohammad Baqer Qalibaf, não alcançaram avanços significativos.
O resultado aumenta as dúvidas sobre a
viabilidade do cessar-fogo de duas semanas anunciado recentemente. Ainda assim,
fontes ouvidas pela imprensa indicam que os contatos continuam.
O primeiro-ministro do Paquistão,
Shehbaz Sharif, afirmou que “todos os esforços seguem em curso” para resolver
as divergências.
Vance disse que “a bola está com o Irã”,
ao sugerir que Teerã precisa fazer concessões. “Houve avanços, eles se aproximaram
da nossa posição, mas ainda não o suficiente”, declarou à Fox News.
Na
sexta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do
Reino Unido,Keir Starmer, devem copresidir uma videoconferência com países não
envolvidos diretamente no conflito para discutir a situação no estreito
de Ormuz, rota por onde costumava passar 20% das exportações mundiais de
hidrocarbonetos antes do conflito.
O presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, afirmou que qualquer navio iraniano que tente furar o bloqueio imposto
pelos EUA aos portos do país será “eliminado”.
Segundo
dados de navegação da LSEG, três petroleiros sob sanções norte-americanas
atravessavam o estreito de Ormuz nesta terça-feira.
Além da segurança no estreito de Ormuz,
um dos principais pontos de atrito segue sendo o programa nuclear iraniano.
Trump afirmou que não aceitará um acordo
que permita à Teerã desenvolver armas nucleares. “O Irã não terá arma nuclear.
Não podemos permitir que um país ameace ou pressione o mundo”, disse. Na semana
passada, ele chegou a ameaçar “destruir” a civilização iraniana. ANG/RFI/AFP