quarta-feira, 15 de abril de 2026

Saúde/Direcção do HNSM anuncia aplicação de novos preços para pagamento da assistência médica

Bissau, 15 Abr 26 (ANG) – A Direcção do Hospital Nacional Simão Mendes(HNSM), acaba de anunciar a aprovação de novos preçários para pagamento de atos médicos e de serviços hospitalares.

Segundo o comunicado à imprensa relativo ao assunto, os novos preços para serviços de assistência hospitalar(consultas, análises e internamentos) entram em vigor no próximo dia 20 de Abril.

 “Passa a funcionar um Guiché Único de pagamento, onde todos os pagamentos relacionados aos serviços do hospital  deverão ser efectuados num só local ao contrário do que acontecia, em que  cada serviço tem o seu exactor que faz cobrança dos serviços prestados “, refere  a nota.

Este guiché de acordo com o comunicado visa organizar melhor o fluxo de utentes, evitar pagamentos informais e assegurar que todo e qualquer pagamento seja acompanhado de recibo oficial.

Na missiva, a Direcção do Hospital Nacional Simão Mendes apela á todos os cidadãos para que exijam sempre o recibo de pagamento feito   e que evitem pagamentos em mão fora do guiché oficial e denunciem  junto da administração do hospital, qualquer prática irregular observada.

A tabela do novo preçário de atos médicos no HNSM vai ser conhecida em breve, segundo apurou a ANG.ANG/MSC/ÂC//SG

Saúde/”Foram registados 1.051 pacientes com problemas de saúde mental no primeiro trimestre de 2026”, revela Directora do Centro de Saúde Mental

Bissau, 15 Abr 26(ANG) - A Diretora do Centro de Saúde Mental “Osvaldo Máximo Vieira”Finhamba Quissangue revelou que foram registados 1.051 pacientes com problemas de saúde mental, no primeiro trimestre deste ano, dos quais 197 casos estão ligados ao consumo de drogas.

Os dados foram apurados pela Rádio Sol Mansi, numa  reportagem feita na sequência de denúncias de organizações da sociedade civil  que alertam para o aumento significativo do consumo de drogas no país.

Finhamba Quissangue diz que os casos da doença provocados por consumo de drogas  são “altamente preocupantes”, e que o fenómeno já é visível em várias regiões .

“Só no primeiro trimestre deste ano  temos um total de 1.051 pacientes. Ainda falta muito tempo para o fecho do ano, o que poderá  ultrapassar o índice do ano passado. Em relação ao consumo de drogas, registámos 197 casos. Por isso, é necessário que as autoridades tomem medidas para combater esse mal”, alertou a diretora.

De acordo com dados oficiais, em 2025 o centro registou um total de 2.909 pacientes com problemas de saúde mental, o que reforça o cenário de agravamento progressivo.

A responsável destacou ainda que o maior centro de saúde mental do país tem capacidade para internar apenas 36 pacientes, mas que atualmente não está a realizar internamentos devido à falta de condições de trabalho,
devido
  a  falta de  apoios por parte das sucessivas entidades responsáveis.

 Acrescenta que em consequência dessa falta de apoios  muitos pacientes são obrigados a regressar às suas casas sem  acompanhamento adequado.

“Não se trata apenas dos atendimentos que realizamos. Muitos casos deveriam ser de internamento, mas, infelizmente, a nossa missão reduziu-se apenas à consulta médica com tratamento ambulatório”, acrescentou Finhamba Quissangue.

O Centro de Saúde Mental Osvaldo Máximo Vieira conta com um total de 32 funcionários, sendo que 12 são contratados há vários anos, e neste momento a instituição funciona sem nenhum assistente social.

Questionada sobre os tipos de drogas mais consumidas , Finhamba Quissangue apontou substâncias como MD, crack e “cus”, destacando o impacto devastador destas no aumento dos casos.

“Posso falar de MD, Crack e ‘cus’. Há também casos de policonsumo, ou seja, pessoas que consomem mais de uma droga. Posso dizer que o ‘cus’ é uma das substâncias mais fatais para os consumidores”, salientou a responsável.

A diretora alertou ainda que a maioria dos casos registados envolve jovens, apelando às autoridades para assumirem as suas responsabilidades. Caso contrário, advertiu, o consumo de drogas poderá atingir níveis fora de controlo no país. ANG/RSM

 

Marrocos/ São Tomé e Príncipe apoia soberania de Marrocos sobre Saara

Bissau, 15 Abr 26 (ANG) – A República de São Tomé e Príncipe reiterou , terça-feira, em Rabat, sua posição  de apoio à identidade marroquina do Saara e ao plano de autonomia sob a soberania marroquina como a única solução para essa disputa regional.

Em declaração à imprensa após suas conversas com o Ministro das Relações Exteriores de Marrocos, Nasser Bourita, a Ministra de Estado para Assuntos Exteriores, Cooperação e Comunidades de São Tomé e Príncipe, Ilza Maria dos Santos Amado Vaz, reiterou a posição firme e constante de seu país em favor da integridade territorial e da soberania de Marrocos sobre todo o seu território, incluindo a região do Saara.

Nessa ocasião, a chefe da diplomacia de São Tomé reafirmou o apoio total de São Tomé e Príncipe ao plano de autonomia apresentado por Marrocos, como a única solução credível e realista para resolver essa disputa regional.

Ela também saudou a adoção histórica da Resolução 2797 do Conselho de Segurança da ONU, que consagra, no âmbito da soberania marroquina, o plano de autonomia proposto por Marrocos como uma base séria, credível e sustentável para alcançar uma solução política para esta questão.

A nível continental, a chefe da diplomacia de São Tomé saudou as iniciativas reais e expressou a sua admiração pela liderança e pelo forte compromisso do Rei Mohammed VI com a paz, a estabilidade e o desenvolvimento em África.

Nesse contexto, ela reafirmou seu compromisso inabalável com o fortalecimento das relações bilaterais e a promoção de uma parceria estratégica baseada no respeito mútuo, na solidariedade e na consonância com os princípios do direito internacional.

Os dois ministros também saudaram o impulso iniciado no âmbito do Processo dos Estados da África Atlântica (AASP) para fazer do espaço africano atlântico uma estrutura geoestratégica com oportunidades significativas de cooperação entre os países que o compõem, podendo, nesse aspecto, constituir uma área de coemergência e estabilidade.

O Sr. Bourita e a Sra. Amado Vaz também reconheceram o papel estratégico do Processo dos Estados Africanos Atlânticos na consolidação da paz, da estabilidade e da prosperidade na região atlântica.

A Sra. Amado Vaz também saudou a iniciativa do Soberano marroquino de promover o acesso dos países do Sahel ao Oceano Atlântico, bem como o projeto do Gasoduto Africano Atlântico Nigéria-Marrocos, destacando a importância estratégica dessas iniciativas, que fazem parte da solidariedade ativa de Marrocos com os países africanos irmãos.

Em termos de cooperação, Marrocos e São Tomé e Príncipe congratularam-se com as excelentes relações bilaterais de cooperação multissetorial, reafirmando o desejo partilhado de fazer destas relações um modelo de cooperação interafricana.

Nesta ocasião, o Sr. Bourita e a Sra. Amado Vaz congratularam-se com os progressos alcançados na implementação do Roteiro de Cooperação entre os dois países para o período 2025-2027.

Este Roteiro permitiu expandir a cooperação para novos setores prioritários para São Tomé e Príncipe, incluindo a educação, a formação, a cooperação técnica multissetorial e a promoção de intercâmbios económicos e investimentos, bem como intensificar as atividades de promoção económica para desenvolver a parceria entre os dois países nestas áreas. ANG/Faapa

 

Reino Unido/Ministra britânica classifica como loucura a guerra dos EUA no Irão

 

Bissau,  15 Abr 26(ANG) - A ministra da Economia britânica classificou a guerra iniciada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, no Irão como uma loucura devido à falta de um plano claro para colocar fim ao conflito, dizendo-se frustrada e irritada com a situação.

 

“Obviamente, nenhuma pessoa sensata apoia o regime iraniano, mas iniciar um conflito sem um objetivo claro ou um plano para o resolver parece-me uma loucura que está a afetar as famílias aqui no Reino Unido, mas também as famílias nos Estados Unidos e em todo o mundo. Não acredito que tenha sido a decisão correta”, declarou Rachel Reeves numa entrevista divulgada hoje pelo jornal The Mirror.

 

“Esta é uma guerra que não começámos. Foi uma guerra que não queríamos. Sinto-me muito frustrada e irritada com o facto de os Estados Unidos terem entrado nesta guerra sem um plano de saída claro, sem uma ideia clara do que pretendiam alcançar”, afirmou.

A ministra referiu ainda que, como resultado desta situação, “o Estreito de Ormuz está agora bloqueado”.

 

“Não vamos aderir ao bloqueio dos Estados Unidos, não acreditamos que seja a abordagem correta. Ao longo de todo este conflito, temos dito: ‘Desescalar, desescalar'”, enfatizou.

 

Para Reeves, a decisão do primeiro-ministro britânicos de manter-se à margem deste conflito foi “absolutamente correta”. 

 

Reeves disse ainda estar frustrada porque, antes do conflito, o Reino Unido caminhava para uma descida da inflação e das taxas de juro, enquanto a dívida estava a diminuir.

 

A dívida líquida acumulada do setor público britânico, excluindo os bancos estatais, atingiu os 93,1% no final de Fevereiro, enquanto a inflação está atualmente nos 3%, acima da meta de 2% do Banco de Inglaterra.

 

Os preços do gás natural aumentaram drasticamente devido ao encerramento do Estreito de Ormuz, por onde 20% do petróleo mundial era transportado antes da guerra, iniciada em 28 de Fevereiro com os ataques dos EUA e Israel ao Irão.

 

A ministra britânica estará hoje em Washington para reuniões com o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

 

O FMI indicou na terça-feira, no seu relatório Perspetivas da Economia Mundial, que a economia britânica será a que mais sofrerá com as consequências da guerra no Irão entre as economias mais avançadas dos países do G7.

 

O FMI reduziu a sua previsão de crescimento britânico em cinco décimas de ponto percentual, de 1,3% projetado em janeiro para apenas 0,8% no relatório. ANG/Inforpress/Lusa

 

Argentina/Morte do 'Deus' do futebol do país volta à Justiça com suspeita de 'negligência'

Bissau, 15 Abr 26 (ANG) - Seis anos e meio depois, as circunstâncias da morte de Diego Maradona voltam a ser analisadas pela Justiça argentina, com a abertura, nesta terça-feira (14), de um segundo julgamento.

 A retomada ocorre dez meses após a anulação do primeiro processo, envolvido em um escândalo ligado à produção secreta de um documentário com a participação de uma juíza.

Sete profissionais de saúde – entre médico, psiquiatra, psicólogo e enfermeiros – serão julgados em San Isidro, ao norte de Buenos Aires, por pelo menos três meses, com duas audiências semanais. Eles são acusados de negligência que pode ter contribuído para a morte do ídolo do futebol.

O “Deus”Maradona – ainda idolatrado por muitos argentinos, nem mesmo ofuscado por Lionel messi – morreu porque seu corpo, desgastado por excessos e dependências, não resistiu? Ou houve falhas, talvez até deliberadas, da equipe médica responsável por seus cuidados? Essas dúvidas voltam agora ao centro do processo.

Os acusados respondem por “homicídio com dolo eventual”, ou seja, quando se assume o risco de provocar a morte. As penas previstas variam de oito a 25 anos de prisão.

A audiência desta terça contou com a presença das três filhas de Maradona e de suas irmãs. Logo no início, houve um breve debate sobre a transmissão ao vivo de todo o julgamento – e não apenas da abertura e do encerramento. O pedido, feito por um advogado de defesa, foi rejeitado pelo tribunal.

Maradona morreu aos 60 anos, em 25 de Novembro de 2020, em decorrência de uma crise cardiorrespiratória associada a edema pulmonar. Ele estava sozinho, em um quarto de uma residência privada onde se recuperava de uma cirurgia neurológica para tratar um hematoma na cabeça.

Na exposição inicial, o promotor Patricio Ferrari afirmou que a acusação pretende demonstrar uma série de omissões durante uma internação domiciliar que classificou como “cruel, precária e desprovida de recursos”. Segundo ele, a equipe médica, descrita como “improvisada”, teria “abandonado Diego Maradona à própria sorte, condenando-o à morte”.

Os réus negam qualquer responsabilidade e alegam que atuaram dentro dos limites de suas funções.

“Meu papel e minha responsabilidade foram compatíveis com minha profissão, a de psiquiatra, e sempre agi convicta de que fazia o correto no interesse do paciente”, afirmou Agustina Cosachov durante o primeiro julgamento.

Esse processo foi anulado em Maio de 2025, após mais de 20 audiências e o depoimento de 44 testemunhas, também em meio a controvérsia.

A juíza Julieta Makintach havia participado, sem o conhecimento das partes, da produção de uma minissérie documental sobre o caso, na qual aparecia como personagem central.

Ela foi afastada do cargo, e o novo julgamento passou a ser conduzido por outro colegiado de magistrados.

“Nada disso deveria estar acontecendo”, disse Jana, uma das filhas de Maradona, antes da retomada do caso. “O fato de não ter sido resolvido antes foi, para mim, como viver o luto uma segunda vez”, afirmou ao site Infobae.

Do lado de fora do tribunal de San Isidro, pequenos grupos de admiradores se reuniram na manhã desta terça, com bandeiras e cartazes pedindo “Justiça por D1OS” – referência ao apelido que combina “Deus” e o número 10.

Entre eles estava Francisco Tesch, 34, morador da região metropolitana de Buenos Aires, que espera “que tudo seja esclarecido”. “Desde que ele morreu, muita gente se pergunta quem estava ao lado de Diego e por que ele não foi protegido . Acho que essa dúvida é de muitos”, disse.

O primeiro julgamento já havia revelado falhas importantes no acompanhamento médico na fase final da vida do ex-jogador. Entre os pontos levantados estão a decisão de mantê-lo em casa, e não em uma clínica, a falta de equipamentos adequados – como oxigênio, soro e monitor cardíaco – e o nível de supervisão médica.

A autópsia concluiu que Maradona agonizou por “ao menos 12 horas” antes de ser encontrado morto em sua cama.

Também vieram à tona dúvidas sobre quem tomava decisões no entorno do ex-jogador. Suas filhas e uma ex-companheira afirmaram que foram mantidas à margem e mal informadas pela equipe médica.

Com qual objetivo? Em 2025, Fernando Burlando, advogado de Dalma e Gianinna, falou em “assassinato” e sugeriu a existência de interesses financeiros de terceiros na morte de Maradona – o que chamou de a “outra face” do caso. ANG/RFI/AFP

 

Médio Oriente/Israel e Líbano iniciam negociações diretas inéditas em décadas sob pressão no Oriente Médio

Bissau, 15 Abr 26 (ANG) - Representantes de Israel e do Líbano se reuniram  terça-feira (14), em Washington, em rodada preliminar de negociações diretas de paz, mediadas pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

É o primeiro encontro desse tipo em décadas.

Marco Rubio, saudou o que chamou de uma “oportunidade histórica” para que Líbano e Israel façam a paz, ao reunir os dois países em Washington para negociações diretas. “Trata-se de pôr fim, de forma definitiva, a 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah nessa parte do mundo”, declarou. “Isso vai além de um único dia, vai levar tempo”, alertou.

Já o presidente libanês, Joseph Aoun, disse esperar que as negociações marquem “o começo do fim do sofrimento dos libaneses”. Mas “a estabilidade não será restabelecida no sul do Líbano se Israel continuar ocupando territórios ali”, acrescentou.

“Queremos alcançar a paz e a normalização com o Estado libanês”, afirmou um pouco antes o chefe da diplomacia israelense, Gideon Saar. “Não há divergências importantes entre Israel e o Líbano. O problema é o Hezbollah.”

Antes mesmo da reunião, o líder do Hezbollah, apoiado pelo Irã, Naim Qassem, pediu na segunda-feira o cancelamento das conversas, classificando a iniciativa como uma “capitulação”. 

O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio no início de março pelo movimento xiita, em apoio ao Irã, alvo de uma ampla ofensiva israelo-americana.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu  terça a eetomada de “negociações sérias para encerrar a guerra no Oriente Médio afirmando que “não há solução militar” para a crise.

“Não existe solução militar para essa crise. A paz exige compromisso e vontade política persistente. É preciso retomar negociações sérias”, disse Guterres a jornalistas na sede da ONU, em Nova York, ao comentar também as conversas realizadas no fim de semana, no Paquistão, entre representantes de Teerã e Washington.

Segundo ele, o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã “deve ser preservado”, assim como a liberdade de navegação, inclusive no estreito de Ormuz.

“É hora de agir com moderação e responsabilidade. É hora de priorizar a diplomacia em vez da escalada”, afirmou, defendendo o respeito ao direito internacional, que, segundo ele, vem sendo “desrespeitado” em várias partes do mundo.

 “O desrespeito às normas internacionais gera caos, amplia o sofrimento e leva à destruição”, alertou.

Sobre as negociações entre Israel e Líbano, Guterres afirmou que “ninguém espera” uma solução imediata, mas disse que o diálogo pode abrir caminho para mudanças de comportamento das partes.

Ele criticou tanto Israel quanto o Hezbollah, afirmando que os dois lados têm contribuído para desestabilizar o governo libanês, ao justificar suas ações com base nas atitudes do adversário.

“É hora de Israel e Líbano trabalharem juntos, em vez de o país continuar sendo vítima dessa dinâmica negativa”, disse.

As negociações realizadas no fim de semana entre autoridades dos Estados Unidos, lideradas pelo vice-presidente J.D. Vance, e representantes iranianos, chefiados pelo presidente do Parlamento Mohammad Baqer Qalibaf, não alcançaram avanços significativos.

O resultado aumenta as dúvidas sobre a viabilidade do cessar-fogo de duas semanas anunciado recentemente. Ainda assim, fontes ouvidas pela imprensa indicam que os contatos continuam.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que “todos os esforços seguem em curso” para resolver as divergências.

Vance disse que “a bola está com o Irã”, ao sugerir que Teerã precisa fazer concessões. “Houve avanços, eles se aproximaram da nossa posição, mas ainda não o suficiente”, declarou à Fox News.

Na sexta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido,Keir Starmer, devem copresidir uma videoconferência com países não envolvidos diretamente no conflito para discutir a situação no estreito de Ormuz, rota por onde costumava passar 20% das exportações mundiais de hidrocarbonetos antes do conflito.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer navio iraniano que tente furar o bloqueio imposto pelos EUA aos portos do país será “eliminado”.

Segundo dados de navegação da LSEG, três petroleiros sob sanções norte-americanas atravessavam o estreito de Ormuz nesta terça-feira.

Além da segurança no estreito de Ormuz, um dos principais pontos de atrito segue sendo o programa nuclear iraniano.

Trump afirmou que não aceitará um acordo que permita à Teerã desenvolver armas nucleares. “O Irã não terá arma nuclear. Não podemos permitir que um país ameace ou pressione o mundo”, disse. Na semana passada, ele chegou a ameaçar “destruir” a civilização iraniana. ANG/RFI/AFP

 

Espanha/Governo inicia regularização de imigrantes ilegais podendo beneficiar meio milhão de pessoas

Bissau, 15 Abr 26 (ANG) - A Espanha lançou oficialmente, terça-feira (14), um amplo plano de regularização de imigrantes em situação irregular, na contramão do endurecimento das leis de imigração observado em diversos países europeus.

. A medida poderá beneficiar “quase meio milhão de pessoas”, segundo anunciou o primeiro‑ministro socialista Pedro Sánchez.

“O Conselho de Ministros aprovará hoje um decreto real que dá início a um processo extraordinário de regularização de pessoas em situação irregular no país”, afirmou Sánchez em uma carta ao povo espanhol publicada na rede social X, confirmando a iniciativa anunciada no fim de Janeiro.

Segundo o premiê, a medida representa “antes de tudo, um ato de normalização”. “Trata‑se de reconhecer a realidade de quase meio milhão de pessoas que já fazem parte do nosso cotidiano”, escreveu.

Na mensagem, Pedro Sánchez classificou a regularização como “uma necessidade” diante do envelhecimento da população espanhola e da necessidade de sustentar a economia nacional — a quarta maior da zona do euro e, atualmente, uma das mais dinâmicas do continente.

“Estamos cientes de que a migração apresenta desafios. Seria irresponsável negar isso”, afirmou, acrescentando que “a migração é uma realidade que deve ser gerida com responsabilidade, integrada de forma justa e transformada em prosperidade compartilhada”.

O primeiro‑ministro também destacou que se trata de um processo semelhante a outros realizados ao longo dos mais de 40 anos de democracia na Espanha, inclusive sob governos do Partido Popular, principal legenda de direita do país, que se opõe à medida, assim como o partido de extrema direita Vox.

A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Pequim, onde Sánchez cumpre visita oficial.

Para viabilizar a implementação do plano, o governo espanhol recorrerá a um “decreto real”, instrumento previsto na Constituição que permite a publicação da norma no Diário Oficial sem necessidade de votação no Parlamento, onde o Executivo não dispõe de maioria.

A reforma regulamentar é resultado de uma iniciativa popular assinada por mais de 600 mil pessoas e apoiada por cerca de 900 associações, que defendiam a regularização excepcional de todos os imigrantes em situação irregular no país.

Poderão ter acesso ao processo imigrantes que comprovem residência na Espanha anterior a 31 de dezembro de 2025, assim como requerentes de asilo sem antecedentes penais.

A porta‑voz do governo espanhol, Elma Saiz, afirmou à rádio Cadena Ser, nesta terça‑feira, que o procedimento terá início on‑line na quinta‑feira, seguirá de forma presencial a partir da próxima segunda‑feira e será concluído em 30 de junho.

A Espanha é um dos três principais pontos de entrada da imigração na Europa, ao lado da Itália e da Grécia. ANG/RFI/AFP

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Regiões /Centro de Saúde de Prabis enfrenta escassez de técnicos e  aumento de casos de diarreia

Biombo, 14 Abr 26 (ANG) - O Centro de Saúde do setor de Prábis, Região  de Biombo,  enfrenta  dificuldades operacionais devido à falta de recursos humanos, situação que compromete o funcionamento de vários serviços essenciais.

A informação foi avançada ao Correspondente regional da ANG, pela responsável da área sanitária local, Maria Sábado Sá Indi, também conhecida por Celeste.

Ela disse  que a insuficiência de técnicos afeta, diretamente, vários serviços:  laboratório, a maternidade e a farmácia.

“No laboratório, por exemplo, há apenas um técnico, que não consegue assegurar o serviço todos os dias, o que dificulta o atendimento”, explicou, sublinhando a necessidade urgente de reforço da equipa para colmatar as lacunas existentes.

Maria Sábado Sá Indi,  acrescentou que, nas últimas semanas, o centro tem registado um aumento significativo de casos de diarreia e vómitos, tanto em crianças como em adultos.

De acordo com os dados, citados pela  Maria Sábado
Sá Indi, estas patologias têm sido as mais frequentes no final do mês de Fevereiro e ao longo de Março.

Sobre o relacionamento com os utentes, garantiu que o atendimento decorre de forma normal, respeitando a ordem de chegada dos pacientes.

A responsável assumiu recentemente funções no Centro de Saúde de Prábis, após transferência do Centro de Saúde de Safim, oficializada no dia 2 de Janeiro do ano em curso. ANG/LPG/ÂC//SG


Regiões
/ Governador da Região de Biombo entrega viatura ao Comité de Estado de Prábis

Biombo, 14 Abr 26 (ANG) – O Governador da Região de Biombo, norte do país,  procedeu, segunda-feira, a entrega de uma viatura de marca Toyota dupla cabine ao Comité de Estado do setor de Prábis.

De acordo com o Correspondente da ANG na Região de Biombo, no ato da entrega, Aldo José Lima elogiou os esforços do administrador do setor por ter minimizado as dificuldades que a administração local estava a enfrentar.

José Lima disse que a Região de Biombo, especificamente o setor de Prábis, se confronta  com problemas relacionados com os efeitos do  alargamento da cidade de Bissau, e diz  que, em consequência, estão a  diminuir, cada vez mais, a superfície administrativa da Região de Biombo.

O governador de Biombo declarou que  está determinado  a manter e proteger o limite territorial da Região de Biombo  e aponta como  os mais afectados  os  sectores de Biombo e Safim.

 “São dois setores  com problemas devido a  extensão do Setor Autónomo de Bissau, e o assunto já é de conhecimento do Estado. Decidimos rever o Boletim Oficial de 1997, que fixava o setor de Prábis na  Região de Biombo, mas, neste momento são considerados bairros periféricos de Bissau,  não de forma oficial”, disse.

Aldo José Lima  sustenta que  o Boletim Oficial de 1997 que determina que o setor de Prábis é  parte da Região de Biombo, indica que este sector  inicia no bairro de Quelélé concretamente do hotel Hala, passando por  Enterramento, Bôr até Prábis.

Por sua vez, o Administrador de setor de Prábis, Mamadú Turé vulgo Baba, disse que a viatura ora recebida vai minimizar dificuldades com que debatia a administração e facilitará nos trabalhos da fiscalização e arrecadação das receitas.

Turé, prometeu que vai mandar reparar a ambulância do hospital setorial, tal como já se fez em relação à  algumas escolas. ANG//MN /JD/ÂC//SG

Cabo Verde/ Cidade da Praia acolhe encontro da Aviação Civil para harmonização da regulação económica em África

Bissau, 14 Abr 26(ANG) – Cabo Verde acolheu hoje, na Praia, um workshop para socialização de um conjunto de modelos legislativos desenvolvidos com o desígnio de assegurar a viabilidade e a regularidade das operações aéreas em solo africano.

O coordenador de Regulação Económica e Direitos do Consumidor da Agência de Aviação Civil (AAC), Carlos Monteiro, realçou que um dos pontos críticos a ser abordado vai ser a proteção dos consumidores.

Monteiro falava à imprensa à margem da abertura do workshop sobre a regulação económica do transporte aéreo em África, promovido pela Comissão Africana de Aviação Civil (AFCAC).

Apesar de Cabo Verde possuir legislação sobre o tema desde 2005, Carlos Monteiro reconheceu que os direitos dos passageiros são frequentemente violados, especialmente em situações de cancelamentos ou atrasos prolongados.

«O que se visa com um sistema consistente e robusto de Regulação Económica é precisamente fazer valer os direitos quando estes são violados pelas transportadoras”, afirmou o coordenador, que precisou que as operadoras falham muitas vezes no dever de assistência e informação aos clientes.

A nível continental, o cenário é desafiante e Carlos Monteiro revelou dados alarmantes sobre o custo do transporte aéreo na África Central e Ocidental, classificando-os como os mais caros do mundo.

“Para cada 100 dólares de um bilhete, cerca de 86 a 90 dólares podem ser taxas de Estado”, explicou, sublinhando que o sector ainda é “fraturado e descontínuo”.

“O encontro procura precisamente mitigar esta realidade através da harmonização legislativa, com a criação de quadros legais homogéneos que facilitem a atividade comercial e o turismo”, disse, afirmando que a intenção é conseguir maior acessibilidade e tornar o transporte aéreo mais barato, alinhando-o com a Agenda 2063 da União Africana.

A conectividade, segundo referiu, consta também do modelo em debate, que visa melhorar as infraestruturas para garantir serviços mais pontuais e seguros entre as diversas latitudes do continente.

A disparidade económica entre os estados africanos é assumida como um dos maiores entraves à implementação destas medidas.

“Por isso, as ferramentas agora apresentadas servem como base de referência que cada país deverá ajustar à sua realidade específica, garantindo que o mercado único de transporte aéreo africano se torne, finalmente, uma realidade sustentável”, concluiu.

Cabo Verde, através da Agência de Aviação Civil, acolhe o Workshop sobre o Modelo Africano de Regulação Económica das Companhias Aéreas e dos Prestadores de Serviços de Navegação Aérea (ANSP), que decorre até quinta-feira, 16.

O evento reúne, na Praia, mais de 50 especialistas e representantes de estados africanos. 

O objetivo é a partilha de ferramentas que permitam aos países adaptar e implementar sistemas de regulação mais robustos, protegendo os direitos dos passageiros e reduzindo os elevados custos das tarifas aéreas no continente.ANG/Inforpress

 

França/ Governo e Reino Unido articulam missão multinacional pacífica para proteger navegação em Ormuz

Bissau, 14 Abr 26 (ANG) - França vai organizar uma conferência conjunta com o Reino Unido e com países “dispostos a contribuir” para “uma missão multinacional pacífica com o objetivo de restaurar a liberdade de navegação” no Estreito de Ormuz, anunciou o presidente Emmanuel Macron nesta segunda-feira (13).

O bloqueio americano do canal aumenta a possibilidade de um confronto direto entre os Estados Unidos e o Irã, segundo especialista. 

"Esta missão estritamente defensiva, separada dos países envolvidos na guerra, será implantada assim que a situação permitir", acrescentou o presidente francês no X, indicando implicitamente que a missão não se destina a ser diretamente integrada aos esforços dos Estados Unidos no estreito Emmanuel Macron, que conversou com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer no domingo, não comentou a decisão americana de impor um bloqueio naval nesta via nevegavel do Golfo, anunciada por Donald Trump após o fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irã e com entrada em vigor nesta segunda-feira.

Em sua mensagem na rede social, o presidente francês pediu que "nenhum esforço" seja poupado para "alcançar rapidamente uma solução sólida e duradoura para o conflito no Oriente Médio por meio da diplomacia", "uma solução que proporcione à região uma estrutura robusta que permita a todos viver em paz e segurança".

“Para alcançar esse objetivo, todas as questões substantivas devem ser abordadas com soluções duradouras, tanto em relação às atividades nucleares e de mísseis balísticos do Irã quanto às suas ações desestabilizadoras na região, mas também para permitir a retomada, o mais rápido possível, da navegação livre e desimpedida no Estreito de Ormuz e garantir que o Líbano retorne ao caminho da paz, respeitando plenamente sua soberania e integridade territorial”, insistiu ele. Keir Starmer, por sua vez, afirmou na segunda-feira que não apoiava o bloqueio naval americano.

“O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz é extremamente prejudicial. A retomada do tráfego marítimo global é essencial para aliviar as pressões sobre o custo de vida”, declarou o premiê britânico no X, confirmando que uma cúpula seria realizada para desenvolver um “plano coordenado, independente e multinacional para proteger a navegação internacional após o fim do conflito”.

Em 2 de abril, representantes de cerca de 40 países pediram a “reabertura imediata e incondicional” do estreito e ameaçaram o Irã com novas sanções durante uma reunião virtual presidida pela ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper.

Para Jean Christophe Charles, ex-oficial da Marinha francesa e pesquisador associado da Fundação Mediterrânea para Estudos Estratégicos, o risco de um confronto direto entre os Estados Unidos e o Irã no estreito de Ormuz existe.

“Houve um vídeo dos dois destróieres (americanos) passando pelo estreito de Ormuz, mostrando embarcações (iranianas) passando em alta velocidade pelos navios americanos. Isso ocorreu durante o período de cessar-fogo, então obviamente não houve confronto direto”, disse o especialista à RFI. O Exército dos EUA afirma ter posicionado dois destróieres no estreito de Ormuz. 

“Existe sim o risco de um confronto direto. Agora, acho que qualquer iraniano que queira correr esse risco estará cometendo um ato suicida. As capacidades militares americanas são tão poderosas que isso não duraria muito tempo”, afirmou.

A ideia é usar essas capacidades para permitir a passagem de navios, sabendo que o Irã já permite a passagem de cargueiros chineses. “O bloqueio é um ato de guerra. Portanto, dessa perspectiva, não podemos dizer que houve uma escalada; é apenas mais uma tática”, disse.

“Em última análise, é uma ameaça, mas Trump sempre opera dessa maneira: ele usa ameaças, levanta questões, atrasa os navios. O que ele quer é atrasar os iranianos, não deixá-los operar livremente”, analisa Charles. “Então, se ele conseguir atrasar um certo número de navios, particularmente os navios iranianos, que, neste caso, podem ser neutralizados com relativa facilidade, se ele quiser neutralizar esses navios e deixar os outros passarem, então, no geral, ele terá vencido. Porque o importante é permitir o tráfego que não seja controlado pelo Irã. Isso é o mais importante, eu acho, nesta situação”.

O chefe da agência marítima da ONU declarou nesta segunda-feira que nenhum país tem o direito legal de bloquear a navegação no Estreito de Ormuz. "De acordo com o direito internacional, nenhum país tem o direito de proibir o direito de passagem pacífico ou a liberdade de navegação em estreitos usados para trânsito internacional", disse o Secretário-Geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsénio Dominguez, em uma coletiva de imprensa. 

O tráfego por essa via navegável estratégica, que normalmente transporta quase 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito, foi reduzido em aproximadamente 90% desde o início da guerra, de acordo com a empresa de dados marítimos Lloyd's List Intelligence. ANG/RFI/AFP

 

Médio Oriente/Guerra no Irã testa a supremacia do dólar e reconfigura o sistema financeiro internacional

Bissau, 14 Abr 26 (ANG) - Nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial — realizadas entre Abril e Maio, no calendário do hemisfério norte —, a guerra no Irã emergiu como um tema central.

Além das tensões geopolíticas, o conflito revela um fenómeno importante: o enfraquecimento gradual do papel do dólar no sistema financeiro internacional.

Um evento crucial está em curso em Washington: as reuniões do FMI e do Banco Mundial. Neste ano, porém, o contexto é particularmente tenso em razão da guerra no Oriente Médio. Uma questão domina as discussões: estamos testemunhando uma mudança no sistema financeiro internacional?

Isso ocorre porque o dólar não é uma moeda como qualquer outra. Trata-se da moeda dominante em todo o mundo. Ele é usado para liquidar grande parte do comércio internacional, especialmente nas transações de petróleo, e funciona como referência para os mercados. Bancos centrais de todo o mundo também o utilizam como reserva de valor.

Essa posição confere aos Estados Unidos um poder considerável, especialmente no setor financeiro. Graças ao dólar, Washington pode excluir certos países do sistema financeiro internacional, por exemplo, por meio de sanções. Por muito tempo, essa ferramenta foi eficiente. Ser privado do dólar significava ficar economicamente isolado.

Mas hoje esse mecanismo mostra suas limitações. A guerra no Irã é uma ilustração expressiva desse processo. Apesar das sanções extremamente severas, o país continuou vendendo seu petróleo. Mais importante ainda, com as tensões no Estreito de Ormuz Teerã conseguiu impor suas condições para a passagem pela área estratégica.

Em outras palavras, mesmo excluído do sistema dominado pelo dólar, um país pode continuar funcionando. Isso revela uma mudança significativa: a aparente onipotência do dólar está se desgastando gradualmente.

Por quê? Porque os países sancionados aprenderam a se adaptar e estão desenvolvendo alternativas.

 O Irã, por exemplo, vende parte de seu petróleo em yuans, a moeda chinesa. Ao mesmo tempo, redes financeiras alternativas passaram a se expandir — menos visíveis, às vezes ilegais, mas eficazes.

Acima de tudo, uma nova tendência está ganhando força: a ascensão das criptomoedas. Elas permitem que o dinheiro seja transferido sem passar pelos canais tradicionais, sem um banco central e, portanto, sem depender diretamente do dólar dos Estados Unidos.

Essa situação pode ter consequências duradouras. Ao usar o dólar como instrumento de pressão, os Estados Unidos desencadearam um efeito inesperado: incentivaram outros países a se afastarem dele. Esse processo é conhecido como desdolarização. Não se trata de um colapso repentino do dólar, mas de uma transformação gradual do sistema.

O mundo financeiro está se tornando mais fragmentado. De um lado, há um sistema ocidental centrado no dólar; de outro, circuitos alternativos, muitas vezes ligados à China. Outras soluções também estão surgindo, como as criptomoedas. O resultado é um cenário com menos regras comuns, mais tensões e maior incerteza — um ambiente que enfraquece a estabilidade da economia global. ANG/RFI