Espanha/Revolta contra migrantes cresce em Ceuta e governo espanhol busca soluções
Bissau, 15 Set 26 (ANG) - A maioria dos mais de 70 mil migrantes que entraram em Ceuta após cruzar a fronteira a nado, no fim de Julho de 2026, retornou ao Marrocos, mas segundo estimativas, entre 5.000 e 8.000 pessoas continuam no território.
Na sexta-feira,
o líder de Ceuta, Juan Jesús Vivas, do Partido Popular (PP), principal partido
de oposição de direita, estimou esse número em 13 mil. Os dados não foram
oficialmente confirmados pelo governo.
A população local exige um retorno à normalidade e manifestações
ocorrem quase diariamente. Em resposta, as autoridades espanholas inauguraram
no domingo (13) um novo centro de acolhimento com capacidade para 864
migrantes.
O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez busca acomodar os
migrantes que permanecem no enclave em centros de acolhimento. Atualmente, há
cerca de 4.300 vagas disponíveis, e a meta é chegar a 6.000.
Um mês e meio depois da chegada em massa, que deixou dezenas de
mortos e desaparecidos, muitos moradores manifestam abertamente sua irritação
com a presença dos migrantes em praias, parques públicos, terrenos baldios e
diversos pontos da cidade. Os migrantes, por sua vez, denunciam atos xenófobos
e agressões.
Segundo Ángel Víctor Torres, ministro da Política Territorial e
Memória Democrática da Espanha e responsável por coordenar a resposta do
governo espanhol, 5.321 pessoas haviam retornado “voluntariamente” ao Marrocos
desde 10 de agosto, de acordo com informações divulgadas em 13 de setembro.
O governo precisou
identificar os migrantes que permaneceram por várias semanas na cidade para
verificar se tinham direito ao asilo. Já os menores desacompanhados não podem
ser expulsos. Segundo Torres, 90 pessoas desistiram de seus pedidos de proteção
internacional.
Quase mil estão em
processo de registo para que seus procedimentos de retorno possam ser
concluídos.
A estratégia do governo é acalmar os ânimos antes de analisar os pedidos, mas isso não tem sido suficiente para tranquilizar a população local. Muitos moradores afirmam sentir medo e não suportar mais a sensação de insegurança.
Na
quinta-feira (10), o Marrocos afirmou que não há nenhum elemento que
responsabilize pelo fluxo migratório para o enclave de Ceuta. O país
declarou que se recusa a servir de "bode expiatório" para
"acertos de contas" políticos na Espanha.
O fluxo migratório deixou dezenas de mortos e desaparecidos. "Nenhum dado, fato ou relatório estabelece qualquer envolvimento das autoridades marroquinas", declarou o Ministério das Relações Exteriores do Marrocos em comunicado divulgado pela agência oficial MAP.
Esta é a primeira reação pública oficial
de Rabat desde a chegada dos migrantes. Juntamente com Melilla, Ceuta é um dos
dois únicos territórios da União Europeia que possuem fronteira terrestre com a
África. ANG/Faapa

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