Suíça/Anistia Internacional acusa Israel de genocídio em Gaza; país rejeita conclusões de relatório
Bissau, 05 Dez 24 (ANG) - A ONG
Anistia Internacional acusa Israel de “cometer genocídio” contra os palestinos
na Faixa de Gaza desde o início da guerra, em um relatório publicado nesta
quinta-feira (5). A ONG pede à comunidade internacional que não seja
"cúmplice".
"Israel tratou os palestinos de Gaza
como um grupo de sub-humanos, que não merece dignidade ou o devido
respeito previstos pelos direitos humanos, demonstrando sua intenção de
destruí-los fisicamente", disse a secretária-geral da organização, Agnès
Callamard.
O
relatório de 300 páginas é resultado de 10 meses de investigação em Gaza e
inclui também a análise dos discursos das autoridades israelenses. O
documento demonstra que Israel está cometendo genocídio contra os palestinos. A
ONG se baseia em critérios definidos pela Convenção das Nações Unidas sobre
Genocídio.
"O que estamos dizendo é que o crime de
genocídio não é mais um risco provável, mas uma realidade constante",
disse Tchérina Jerolon, chefe do programa de conflitos, migração e justiça da
Anistia Internacional, à RFI.
"Nossa
investigação mostra que as autoridades israelenses cometeram três dos cinco
atos proibidos pela Convenção do Genocídio: assassinato, lesões corporais ou
mentais graves e criação de condições que levariam a uma morte lenta e
caldulada do povo de Gaza."
No relatório, a Anistia Internacional aponta
para "ataques deliberados contra civis e infraestrutura civil e uso de
armas explosivas em áreas densamente povoadas", além da obstrução da
entrega de ajuda humanitária no território e o deslocamento forçado de 90% de
sua população.
Desde
o início da guerra que teve início em 7 de outubro,44.532 pessoas morreram em
Gaza a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas para
Gaza, considerados confiáveis pela ONU.
Segundo a ONU, em outubro de 2023, no início
no conflito, Israel decretou um "cerco completo" ao território, que
tem uma população de quase 2,4 milhões de habitantes, com o slogan "Sem
eletricidade, sem água, sem gás".
O Exército israelense agora está impondo
severas restrições à entrega de ajuda e os palestinos estão sujeitos a
"desnutrição, fome e doenças", de acordo com a Anistia
Internacional.
Israel rejeita as acusações de
"genocídio" e acusa o Hamas de usar civis como "escudos
humanos". Desde o ataque do Hamas ao sul do país, que desencadeou a
guerra, Israel tem reafirmado seu direito de se defender contra o movimento
islâmico palestino.
"Mas
sejamos claros: os objetivos militares não são incompatíveis com a intenção
genocida", disse a secretária-geral da Anistia Internacional, em
entrevista coletiva em Haia, Holanda.
O relatório da ONG cita o exemplo de 15
ataques aéreos realizados entre 7 de outubro de 2023 e 20 de abril de 2024, que
mataram 334 civis, incluindo 141 crianças. A organização "não encontrou
provas de que os ataques tenham sido dirigidos a alvos militares".
O Ministério das Relações Exteriores de
Israel rejeitou o documento, que qualificou de "fabricado".
"A 'deplorável' e 'fanática'
organização Anistia Internacional mais uma vez produziu um relatório fabricado,
totalmente falso e baseado em mentiras", disse um porta-voz do Ministério
das Relações Exteriores de Israel em um comunicado.
"O massacre genocida de 7 de outubro de
2023 foi realizado pela organização terrorista Hamas contra cidadãos
israelenses. Desde então, eles têm sido submetidos a ataques diários em sete
frentes diferentes. Israel se defende contra esses ataques agindo em total
conformidade com o direito internacional", diz o comunicado.
O documento também menciona apelos de
autoridades e soldados israelenses para a "aniquilação, destruição, queima
ou 'desaparecimento' de Gaza". Essas palavras sublinham "não apenas a
impunidade sistêmica, mas também a criação de um ambiente que incentive tal
comportamento", frisa o documento.
De acordo com o
relatório, nenhuma guerra recente matou tantas crianças em tão pouco tempo.
Agora "é impossível para a comunidade internacional fechar os olhos",
diz Tchérina Jerolon. "Precisamos de medidas concretas para colocar um fim
ao genocídio que está em curso. Entre essas medidas está a necessidade de um
embargo total às armas que são transmitidas a Israel."
"Os governos
devem parar de fingir que não têm poder para acabar com a ocupação, o apartheid
e o genocídio em Gaza", disse Callamard. "Os Estados que enviam armas
para Israel violam suas obrigações de prevenir o genocídio e correm o risco de
se tornarem cúmplices dele", acusou.
A Anistia Internacional também pede a entrega de Benyamin Netanyahu ao
Tribunal Penal Internacional(TPI) o mais rápido possível. A ONG também
anunciou que publicaria um relatório sobre os crimes cometidos pelo Hamas
durante o ataque de 7 de outubro de 2023.
A organização ainda
critica em seu relatório "a incapacidade da comunidade internacional"
em achar uma solução para o conflito. "O fracasso vergonhoso da comunidade
internacional, por mais de um ano, em pressionar Israel a parar suas
atrocidades em Gaza, primeiro atrasando os apelos por um cessar-fogo e depois
continuando as transferências de armas, é e continuará sendo uma mancha em
nossa consciência coletiva", ressalta a secretaria-geral da ONG.
Das 251 pessoas sequestradas em território israelense, 97 ainda são mantidas em cativeiro em Gaza, 35 das quais foram declaradas mortas pelo exército israelense. ANG/RFI
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