Ambiente/Aprovado financiamento de 10 milhões de dólares para proteger zonas costeiras e urbanas na Guiné-Bissau
Bissau, 04 Jun 26 (ANG) – O Fundo para os Países Menos Desenvolvidos (LDCF) gerido pelo Fundo Global para o Ambiente (GEF), aprovou um financiamento de 10 milhões de dólares para uma nova iniciativa de resiliência climática destinada a ajudar a proteger as zonas costeiras e urbanas vulneráveis da Guiné-Bissau contra os crescentes riscos climáticos.
Segundo o Programa das Nações
Unidas para O Desenvolvimento(PNUD),que cita um comunicado à imprensa enviado à ANG, o projeto que deverá absorver
esse montante terá a vigência de sete anos
e denominado“ Futuros Resilientes:
Proteger as Zonas Costeiras e Urbanas da Guiné-Bissau contra os Riscos
Climáticos”, e foi concebido para
reforçar a resiliência das comunidades costeiras e urbanas vulneráveis em todo
o país.
“As alterações climáticas já estão a afetar vidas e meios de
subsistência em toda a Guiné-Bissau, particularmente nas comunidades costeiras
e urbanas vulneráveis”, afirmou Alessandra Casazza, Representante Residente do
PNUD na Guiné-Bissau.
Casazza disse que esta iniciativa representa um investimento
estratégico nas pessoas, nos ecossistemas e nas infraestruturas, reforçando
simultaneamente as capacidades locais para melhor antecipar e responder aos
riscos climáticos.
Acrescentou que , ao combinar soluções baseadas na natureza,
infraestruturas resilientes e planeamento inclusivo, o projeto ajudará as
comunidades a adaptarem-se, promovendo, simultaneamente, o desenvolvimento
sustentável e a igualdade de género.
“Este projeto combinará na Guiné-Bissau o planeamento
baseado na ciência, soluções baseadas na natureza e ação impulsionada pela
comunidade para reforçar a resiliência das comunidades vulneráveis”, afirmou.
Por sua vez, o Diretor Executivo Interino e Presidente do GEF, Claude
Gascon, afirmou que o projeto foi concebido, não só para proporcionar
benefícios imediatos, mas também para ajudar a alargar abordagens integradas
onde estas são mais necessárias.
Referiu que a degradação dos
ecossistemas naturais de proteção, particularmente mangais e florestas
costeiras, está a aumentar ainda mais a vulnerabilidade da zona costeira à
fenómenos meteorológicos extremos, inundações e erosão costeira, agravando
assim os riscos para os meios de subsistência, as infraestruturas e a saúde
humana.
“As zonas costeiras da Guiné-Bissau estão entre as mais vulneráveis da
África Ocidental. Desde as zonas urbanas de baixa altitude de Bissau até às
ilhas do Arquipélago dos Bijagós e as margens propensas à erosão de Varela, as
alterações climáticas ameaçam, cada vez mais, as habitações, os meios de
subsistência, ecossistemas e as
infraestruturas críticas”, disse.
Destacou que a subida do nível
do mar, as inundações, a erosão costeira e os fenómenos meteorológicos extremos
estão a exercer uma pressão crescente sobre as comunidades que já enfrentam
desafios de desenvolvimento significativos.
As mulheres, segundo Gascon, são frequentemente afetadas de forma
desproporcional devido ao acesso desigual à recursos, terra e oportunidades económicas,
numa altura em que os riscos climáticos se intensificam e a urbanização
continua a expandir-se para áreas propensas inundações, o projeto oferece uma resposta prática
e integrada.
No quadro deste projecto serão levados a cabo desde o reforço de infraestruturas resilientes às alterações
climáticas, restauração de sistemas naturais de proteção costeira, melhoramento
da preparação para catástrofes à apoios
às comunidades — particularmente as mulheres e as populações vulneráveis — para
se adaptarem e prosperarem face às alterações climáticas.
Gascon, revelou que o projeto será implementado pelo Ministério do
Ambiente, Biodiversidade e Ação Climática (MABAC), com o apoio do Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com foco na paisagem urbana e
periurbana mais ampla de Bissau, na Ilha de Bubaque e em Varela.
“Estas áreas estão altamente expostas à inundações costeiras, erosão,
intrusão salina e riscos relacionados com o clima.
O projeto coloca ênfase na inclusão e liderança das mulheres,
promovendo a sua participação ativa nos processos de tomada de decisão,
reforçando o seu acesso à oportunidades de subsistência resilientes às
alterações climáticas e garantindo que as medidas de adaptação respondam às
necessidades e vulnerabilidades específicas das mulheres e das raparigas,”
referiu.
ANG/JD/ÂC//SG

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