quinta-feira, 4 de junho de 2026

China/"A Governança da China sob a Liderança de Xi Jinping"  lançada em São Petersburgo

Bissau, 04 Jun 26(ANG) - A edição russa do primeiro volume de "A Governança da China sob a Liderança de Xi Jinping" foi lançada, quarta-feira, no âmbito do 29º Fórum Económico Internacional de São Petersburgo .

Cerca de 100 representantes de meios de comunicação, think tanks e autoridades governamentais da China, Rússia e outros países participaram da cerimónia de lançamento.

Durante a cerimónia, o presidente da Agência de Notícias Xinhua, Fu Hua, o diretor-geral da TASS, Andrey Kondrashov, e o cônsul-geral chinês em São Petersburgo, Luo Zhanhui, apresentaram conjuntamente o novo livro.

Os participantes do evento destacaram que o livro é uma obra documental que apresenta uma visão panorâmica das grandes práticas e notáveis conquistas na governança da China na nova era.

Com estudos de casos detalhados, perspectivas objetivas e elaboração sistemática, o livro documenta completamente a árdua jornada da China na superação das dificuldades e no avanço na nova era.

Espera-se que a edição russa do livro sirva como uma referência com autoridade e vívida para pessoas de várias origens na Rússia que buscam entender melhor como a China alcançou seu desenvolvimento e a eficácia de sua governança, ao mesmo tempo que constrói uma ponte sólida para intercâmbios culturais mais profundos entre China e Rússia, disseram os participantes.

Compilado pela Agência de Notícias Xinhua e publicado pela Editora Xinhua para distribuição global, o primeiro volume de "A Governança da China sob a Liderança de Xi Jinping" já está disponível em chinês, inglês, árabe, russo e outros idiomas. Ang/ Xinhua

Ensino/CONAEGUIB alerta para crise nas escolas e pede medidas urgentes para salvar ano letivo

Bissau, 04 Jun 26 (ANG) – A Confederação Nacional das Associações dos Estudantes da Guiné-Bissau (CONAEGUIB) apelou ao Ministério da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica  a adoção urgente de medidas que garantam a normalidade do ano letivo, face à crescente crise que afeta o setor educativo.

De acordo a página da Conaeguib no Facebook, a preocupação foi manifestada na quarta-feira durante um encontro entre a direção da organização estudantil manteve com o ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica
, Barros Bacar Bandjai, com o objetivo de apresentar as principais inquietações dos estudantes sobre a situação do ensino no país.

Durante a reunião, a CONAEGUIB destacou os efeitos da suspensão das aulas para milhares de alunos, sobretudo devido à greve  dos professores contratados, situação que tem provocado interrupções no processo de ensino e aprendizagem em várias escolas públicas.

A organização estudantil chamou igualmente a atenção para os problemas que continuam a comprometer o funcionamento de diversos estabelecimentos de ensino, defendendo uma intervenção rápida das autoridades competentes para evitar maiores prejuízos aos estudantes.

Informa que, entre os temas debatidos, esteve  a situação da Escola José Ramos-Horta, localizada em Quelelé.

Segundo a CONAEGUIB, os conflitos e dificuldades registados naquela instituição exigem uma atenção especial por parte do Ministério da Educação, tendo em conta o impacto no normal funcionamento das atividades escolares.

No final do encontro, a organização considerou positiva a reunião, sublinhando a abertura e  disponibilidade demonstradas pelo novo titular da pasta da Educação, para ouvir e analisar as preocupações apresentadas pelos estudantes.

A CONAEGUIB reiterou o seu compromisso de defesa dos interesses da classe estudantil e garantiu que continuará a acompanhar ,de perto, a evolução da situação no setor educativo, mantendo o diálogo com as autoridades na busca de soluções para os desafios que escolas do país enfrentam.ANG/MI/ÂC//SG

Brasil/”Interesses de grupos americanos estão no centro de novo tarifação  de Trump contra Brasil”, dizem analistas

Bissau, 04 Jun 26 (ANG) - Medidas anunciadas pelos Estados Unidos geram reações de políticos e do setor produtivo, exigindo novo esforço da diplomacia brasileira nas negociações.

Especialistas ouvidos pela RFI apontam que interesses de instituições financeiras norte-americanas, que temem avanço do PIX para outros países, estão no cerne do impasse comercial

O pacote do governo Donald Trump contra o Brasil elevou o clima de disputa eleitoral no país em meio à preocupação de empresários, principalmente os exportadores de manufatura.

Às vésperas da entrada em vigor da medida que classificou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, a Casa Branca anunciou que pode sobretaxar produtos brasileiros em 12,5 por cento além da tarifa de 25 por cento que foi defendida por Washington um dia antes.

As justificativas reúnem de trabalho forçado a desmatamento, com destaque para críticas ao PIX, sistema de pagamento popular no Brasil, citado tanto na questão do terrorismo quanto no impasse comercial.

“O setor exportador vê com muita preocupação o que está acontecendo, porque, ao fim, é o setor que está pagando a conta”, afirmou à RFI José Augusto de Castro, presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que destacou os possíveis reflexos na economia:

“Isso para nós é péssimo, porque além do comércio internacional em si, que fica prejudicado, atinge emprego, atinge a atividade económica”, acrescentou Castro.

Contrariando a própria justificativa ambiental, o governo norte-americano anunciou que alguns produtos, como a carne bovina, não estão na lista de produtos que podem vir a ser novamente sobretaxados, ao contrário, por exemplo, de maquinários e equipamentos.

RFI também ouviu Caio Roberto Cortez, advogado, especialista em direito penal, que contesta os argumentos oficiais trazidos pelos Estados Unidos. No caso do terrorismo, Cortez não vê resultado eficaz das medidas no combate às organizações criminosas no Brasil.

“Não ajuda em nada na prática. Os Estados Unidos rotularam os cartéis mexicanos como terroristas em Fevereiro do ano passado e ninguém viu o crime organizado no México acabar por causa disso. Na Venezuela o que se viu foi uma atuação com claro interesse geopolítico, mas não focado em acabar com a violência”, disse o advogado.

Se não ajuda no combate ao crime organizado, a classificação atribuída pelo governo Trump, por sua vez, pode ter reflexo na segurança nacional. “A invasão clássica do jeito que as pessoas imaginam, para mim é pouco provável. Mas usar isso como pressão e até fazer ações pontuais fora do território dos Estados Unidos, isso sim é possível. E aí a questão das terras raras da Amazônia é a questão mais delicada”, ressaltou Cortez.

“Tem quem mostre que a diplomacia segura essa onda. Um bom exemplo é o México. A relação da presidente Cláudia com o Trump, mais conversada, mais pacificada, ajudou a preservar a soberania mexicana mesmo depois da classificação dos cartéis.”

Os dois analistas ouvidos pela RFI destacaram a preocupação de instituições financeiras americanas, especialmente as operadoras de cartão de crédito, com o modelo de pagamentos no Brasil nesse cenário de pressão económica.

“Sobre essa questão do terrorismo, se tem outro interesse por trás, para mim é evidente que sim, principalmente econômico. Veja, não é por acaso que no mesmo período os Estados Unidos fecham uma investigação comercial e miram o Pix e a nossa regulação financeira”, afirmou o advogado.

“O Pix é uma operação comercial bancária que deu muito certo no Brasil. O mundo vai tentar copiar a mesma coisa. E isso significaria redução de lucro dos banqueiros”, avaliou o representante da AEB.

O governo Lula criticou as medidas dos Estados Unidos e reforçou números que apontam queda do desmatamento e esforço de combate ao trabalho escravo Lula afirmou que entregou nas mãos de Trump uma série de documentos sobre todos os pontos hoje elencados por eles.

“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa com a decisão deles”, disse o presidente brasileiro.

“E mais ainda, o que é triste, é que tem brasileiro, que eu não vou citar o nome aqui, fomentando essa briga, na perspectiva de que se eles taxam a gente, vão prejudicar uma candidatura. E não percebe que prejudicado é o povo, não é o Lula.

Em qualquer outro país do mundo, em qualquer outro momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria”, afirmou Lula se referindo à recente viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, onde ele se encontrou com Donald Trump.

O assunto ganhou as redes sociais, com críticas ao presidenciável do PL, que teve de vir a público negar que houvesse pedido um novo tarifaço contra o Brasil.

“Eu fiz o pedido direto para que os Estados Unidos não taxassem as empresas brasileiras, que já são absurdamente taxadas pelo governo Lula, empresas estão até saindo do Brasil. Eu reforcei que os Estados Unidos não precisariam mais usar a política de tarifas porque a partir de Janeiro de 2027, o Brasil terá um presidente da República que vai sentar para negociar de igual para igual e fechar um acordo que seja bom para as duas nações”, disse Flávio Bolsonaro.

Para os empresários que vendem mercadorias lá fora, no meio da disputa eleitoral e dos vários interesses dos Estados Unidos, o setor exportador pode pagar um preço alto.

“Nós temos dois presidenciáveis que se reuniram com o Trump, discutiram e, no final, o que aconteceu? Em vez de reduzir o nível das taxas, fala-se em aumentar as tarifas. Os Estados Unidos adotam apenas o que eles querem e nós tentamos não cumprir o que eles querem. É um cenário difícil”, afirmou o empresário da Associação de Comércio Exterior do Brasil. ANG/RFI

 

    EUA/Deputados exigem fim da guerra contra o Irã, em afronta a Trump

 Bissau, 04 Jun 26 (ANG) - Pela primeira vez desde o início da guerra contra o Irã, em 28 de Fevereiro, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos chegou a um acordo, na noite de quarta-feira (3).

Os deputados aprovaram um texto exigindo a retirada das tropas americanas da região, em uma afronta ao presidente Donald Trump.

A decisão teve uma novidade de peso: quatro republicanos votaram junto com os democratas para aprovar a resolução por 215 votos contra 208.

O voto é simbólico. O texto ainda precisa passar pelo Senado, e o presidente americano tem direito de veto. De qualquer forma, a resolução não tem força de lei, mas sua aprovação é uma surpresa. Os democratas já haviam tentado três vezes exigir o fim da guerra no Irã sem sucesso.

Desta vez, porém, a mudança ocorreu graças a quatro parlamentares republicanos. Eles mudaram de posição devido às eleições de meio de mandato, que acontecem em Novembro.

O conflito no Oriente Médio não é popular nos Estados Unidos e, ao apoiar Donald Trump de forma incondicional, os conservadores moderados começam a assumir riscos, especialmente diante dos eleitores independentes.

Os membros democratas do Comité de Relações Exteriores saudaram a "mensagem firme e inequívoca dirigida a Donald Trump pelos americanos". "Chegou o momento de encerrar essa guerra ilegal e profundamente impopular."

O papel de fiscalização do Congresso também está em jogo. Após 60 dias de conflito, a lei determina que a Casa Branca deveria ter solicitado autorização do Congresso para continuar a guerra. No entanto, isso não aconteceu. O governo Trump alegou que não havia mais hostilidades desde o cessar-fogo de 8 de Abril.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, voltou a defender esse argumento na quarta-feira diante da Câmara dos Representantes. Em outras palavras, todos os meios e recursos retóricos foram utilizados pela Casa Branca para evitar o controle parlamentar.

Ainda assim, a pressão vem aumentando, pois a guerra se prolonga e Donald Trump não consegue resolver diplomaticamente o conflito, iniciado em Fevereiro.

Além do sinal enviado pelo Congresso na noite de quarta-feira, o Senado havia se pronunciado em 19 de maio, também sobre a guerra no Irã. A aprovação final desse texto na câmara alta pode ocorrer ainda nesta semana.

A adoção desses dois projetos, em quinze dias, representa um avanço político significativo.

Donald Trump tem interesse em firmar um acordo o mais rápido possível com o regime iraniano, caso contrário poderá enfrentar um debate sobre a guerra em sessão plenária no Congresso.

O presidente americano deverá inclusive vetar uma dessas resoluções caso ela avance até o final do trâmite parlamentar, o que seria muito delicado do ponto de vista do eleitorado. A opinião pública americana é sensível ao aumento dos preços provocado pelo conflito e poderia concluir que o presidente não está fazendo nada para conter essa alta. ANG/RFI

 

Mali/ Reflexões sobre desafios enfrentados pela profissão jornalística em África

Bissau, 04 Jun 26 (ANG) – A primeira edição do Fórum Pan-Africano de Mídia foi inaugurada  quarta-feira em Bamako, colocando a reflexão sobre os desafios da profissão jornalística no centro dos debates.

Este encontro tem como objetivo permitir que jornalistas, legisladores, pesquisadores, diretores de veículos de comunicação públicos e privados, bem como órgãos reguladores, examinem a evolução do jornalismo na era digital, na era da inteligência artificial (IA) e nas mídias sociais.

Os participantes estão analisando questões relacionadas ao combate à desinformação e à adaptação das práticas profissionais às demandas da informação moderna.

Para responder à essas transformações tecnológicas e novas ferramentas de produção, o fórum visa fortalecer as capacidades técnicas de pelo menos 250 profissionais da mídia por meio de workshops práticos e sessões técnicas.

O trabalho também aborda questões fundamentais de formação e proteção profissional, social e económica dos profissionais de mídia africanos.

Em seu discurso de abertura, o primeiro-ministro do Mali, Sr. Abdoulaye Maïga, destacou que as revoluções tecnológicas transformaram profundamente as formas como a informação é produzida, disseminada e consumida.

O funcionário do Mali, no entanto, especificou que a tecnologia digital e a IA oferecem oportunidades sem precedentes para educar, informar, aproximar as pessoas e promover o acesso ao conhecimento no continente.

De acordo com o Sr. Maïga, dominar a narrativa continental representa agora um grande desafio estratégico, com a soberania da informação a tornar-se um pilar de estabilidade e desenvolvimento para os Estados.

Ele reafirmou que o desafio atual da África reside na sua capacidade de produzir, analisar e disseminar informações rigorosas e equilibradas que sejam fiéis à sua própria realidade.

Realizado de 3 a 6 de Junho, sob o tema "Unindo Vozes, Fortalecendo Laços entre a Mídia Africana", este evento visa estabelecer um fórum pan-africano permanente para o diálogo. Essa estrutura institucional reúne profissionais do Mali, da Aliança dos Estados do Sahel (AES) e de outras regiões geográficas da África.

Esta primeira edição é marcada pela presença de Marrocos como país convidado de honra e inclui painéis dedicados, em particular, à guerra da informação, à construção de uma narrativa africana soberana e aos desafios do jornalismo em tempos de crise e conflito. ANG/Faapa

    

 

Itália/ Imigrantes queimados vivos na Calábria e crime expõe escravidão moderna ligada à máfia

Bissau, 04 Jun 26 (ANG) - Quatro trabalhadores agrícolas imigrantes – três de nacionalidade afegã e um paquistanês – foram queimados vivos dentro de um veículo em Corigliano-Rossano, sul de Itália, no passado dia 1º de Junho .

As autoridades prenderam dois suspeitos paquistaneses, identificados como "caporali", termo utilizado para designar intermediários que controlam de forma abusiva a mão de obra precária no país.

O episódio brutal reacendeu o debate sobre o fenómeno do "caporalato" e a persistente exploração de imigrantes.

Os detalhes do ataque revelam uma crueldade extrema. Segundo as investigações, os agressores teriam bloqueado as portas do automóvel e despejado gasolina no interior do veiculo, antes de atear fogo com um isqueiro.

A identificação dos suspeitos foi possível graças às imagens de câmaras de segurança de um posto de gasolina e ao relato de um sobrevivente afegão, que conseguiu escapar das chamas ao pular por uma das janelas do carro.

O jovem testemunhou que o motivo da violência seria uma cobrança de dinheiro feita pelos intermediários para cobrir os custos de transporte até as fazendas, valor que as vítimas não podiam pagar devido aos salários miseráveis e irregulares que recebiam.

O sistema de "caporalato" é descrito como uma forma de escravidão moderna, na qual esses intermediários recrutam trabalhadores para grandes explorações agrícolas, operando frequentemente com o apoio ou sob o controle de organizações mafiosas. Relatórios do sindicato CGIL apontam que aproximadamente 70% dos operários agrícolas nessas condições trabalham sem contrato formal.

Embora uma lei rigorosa tenha sido aprovada em 2025, prevendo até seis anos de prisão e confisco de bens para quem explora trabalhadores, a aplicação da norma enfrenta obstáculos logísticos. Atualmente, a Itália carece de pelo menos 6 mil inspetores do trabalho adicionais para fiscalizar as propriedades e garantir o cumprimento da legislação.

A exploração, contudo, não é exclusividade dos campos de frutas e vegetais do sul da Itália.

 O fenómeno se estende para setores como logística, indústria têxtil e construção civil, inclusive nas regiões mais ricas do norte e centro do país.

Um caso recente em Milão envolveu a prisão de um dirigente de uma empresa de construção acusado de empregar clandestinamente centenas de trabalhadores indianos nas obras do novo consulado americano.

De acordo com o Ministério Público, os operários eram submetidos a jornadas de 12 horas diárias, mesmo em períodos de doença, recebendo apenas dois euros por hora trabalhada. ANG/RFI

 

      África do Sul/ Repatriamento bem-sucedida de 926 moçambicanos

Bissau, 04 Jun 26 (ANG) - A Autoridade de Gestão de Fronteiras da África do Sul (BMA) confirmou na quinta-feira a saída de 933 cidadãos moçambicanos pelo posto fronteiriço de Lebombo, numa das maiores operações coordenadas de repatriação realizadas nos últimos meses.

"Ao término da operação, 926 pessoas deixaram o país com sucesso, enquanto sete foram impedidas de sair devido a problemas de documentação ou nacionalidade, incluindo menores sem os documentos necessários", disse a Subcomissária Assistente da BMA, Sra. Mogotsi.

Segundo a BMA, 349 dessas pessoas foram expulsas do centro de detenção de Lindela pelo Departamento de Assuntos Internos da África do Sul, enquanto outras 584 viajaram de Mossel Bay em um acordo organizado pela Alta Comissão de Moçambique.

Todos os viajantes foram submetidos à verificação de identidade, exames biométricos e inspeção de sua situação imigratória, explicou a mesma fonte.

Estima-se que o número de moçambicanos residentes na África do Sul seja de 300 mil, dos quais "milhares" já retornaram ao país devido à violência, de acordo com as autoridades.

Moçambique continua sendo o principal parceiro comercial da África do Sul na região e no continente, com um comércio anual superior a 128 bilhões de meticais (aproximadamente 2 bilhões de dólares). ANG/Faapa

  

Comunicação Social/Bonifácio Malam Sanha é interinamente novo Director Geral da ANG

Bissau, 04 Jun 26 (ANG) – Agência de Notícias da Guiné-ANG tem novo Diretor-geral interino, na pessoa de Bonifácio Malam Sanhá, que até então desempenha neste órgão público de comunicação social, as funções Diretor  para Administração e Recursos Humanos.

O Despacho de nomeação de Bonifácio Sanhá produzido pelo ministro da Comunicação Social, Abduramane Turé tem a data de 2 de Junho e determina que, em consequência, é dada por finda a comissão de serviço exercida pelo antigo Diretor-geral, Salvador Gomes.

A decisão de nomear o novo Director Geral da ANG vem na sequência do cumprimento  do Decreto nº11/2012 de 18 de Outubro que fixa 60 anos de idade como limite para aposentação obrigatória de funcionários públicos..

Salvador Gomes, jornalista de profissão, com cerca de 40 anos de experiência, vem exercendo, ininterruptamente, o cargo de Director-geral da ANG desde  Fevereiro de 2002, substituindo em funções o falecido jornalista Pedro José Albino. ANG/AALS/ÂC//SG

 

Diplomacia/Guiné-Bissau eleita para Vice-Presidência da 81.ª Sessão da Assembleia-Geral da ONU

Bissau, 04 Jun 26 (ANG) – A Guiné-Bissau foi eleita para uma das vice-presidências da 81.ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

A informação foi divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades, na sua página oficial nas redes sociais,  consultada pela ANG.

Segundo a nota, essa eleição reforça a presença diplomática do país nos fóruns internacionais e constitui uma nova oportunidade para a Guiné-Bissau contribuir para o fortalecimento do diálogo e da cooperação internacional, promovendo a paz, o desenvolvimento sustentável, a dignidade humana e o multilateralismo.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros aproveitou a ocasião para agradecer aos Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) pela confiança depositada no país, e reafirma. o compromisso das autoridades guineenses com os princípios e valores consagrados na Carta das Nações Unidas.

As atividades da nova sessão da Assembleia-Geral da ONU decorrerão entre setembro de 2026 e setembro de 2027, reunindo os 193 Estados-membros da organização para debater e deliberar sobre questões de interesse global.

A Mesa da Assembleia-Geral é composta pelo presidente, vice-presidentes, presidentes das seis comissões principais e representantes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, desempenhando um papel fundamental na condução dos trabalhos do principal órgão deliberativo das Nações Unidas.

A nota destaca que, com esta eleição, a Guiné-Bissau reforça a sua projeção internacional e amplia a sua participação nos debates sobre os grandes desafios globais, consolidando a sua presença no cenário diplomático multilateral.ANG/M
I/ÂC//SG

Justiça/Detidos familiares de duas menores de idade por  prática de mutilação genital

Bissau, 04 Jun 26 (ANG) – A  Polícia Judiciária(PJ), prendeu  a mãe e o avô de  duas irmãs de 09 e 13 anos de idade após uma denúncia de que terão submetido as duas crianças à prática de mutilação genital.

Segundo  a Rádio Sol Mansi que cita um comunicado, os dois casos foram identificados através de uma denúncia feito pelo Comité Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas (CNAPN) no passado  1 de Junho,  Dia Internacional da Criança.

“Após a denúncia, a Polícia Judiciária foi imediatamente acionada e deslocou-se ao local para investigar a situação tendo constatado . que, as vítimas são duas irmãs, que residem com a mãe em Bissau, concretamente em Bôr mas que o ato terá ocorrido no Senegal”, refere o comunicado.

De acordo com o comunicado, as menores apresentam complicações de saúde em consequência das mutilações sofridas  e foram submetidas à vários exames médicos , por conta da CNAPN que ainda garante  às vítimas a assistência médica  medicamentosa.

A Rádio Sol Mansi  ainda refere que, perante o sucedido, o CNAPN reiterou o seu compromisso de continuar a trabalhar para a eliminação definitiva da Mutilação Genital Feminina (MGF) na Guiné-Bissau, destacando os impactos físicos, emocionais e psicológicos causados por esta prática às meninas e mulheres.

O Comité elogiou  a colaboração da Polícia Judiciária no combate à MGF e apelou ao Ministério Público para que trate este e outros processos semelhantes com maior celeridade e rigor, garantindo a aplicação da Lei n.º 14/2011, que criminaliza a prática da MGF no país.

O CNAPN condenou  o ocorrido e incentiva a população a denunciar casos de MGF e outras práticas nefastas, reforçando a necessidade de proteger os direitos e a integridade das crianças na Guiné-Bissau. ANG/AALS/ÂC//SG

Regiões/Habitantes de  Fulamansa exaltam empenho do administrador na recuperação da  ponte de ligação à cidade de Gabu

Gabu, 04 Jun 26 (ANG) – Os habitantes  do bairro de Fulamansa, em Gabu, felicitaram , terça-feira , o administrador local pelos esforços empreendidos para a melhoria das condições da ponte que liga aquela aldeia à cidade de Gabu.

Em declarações à TV Rádio Gandal, Sene Baldé, em nome da comunidade, disse  que a mobilização atual dos jovens para melhorar a ponte só foi possível graças ao envolvimento do administrador de Gabu,Mutaro Colubali.

 “Não podemos falar do nosso caminho sem falar de Mutaro Culubali, porque, há mais de 40 anos, aquela estrada nunca tinha sofrido uma intervenção de manutenção. Foi o administrador, com a sua influência, quem trouxe um trator e aterro para melhorar o troço onde se encontra a ponte”, declarou.

Sene Baldé, recordou que a empresa Arezky, chegou de iniciar os trabalhos no local, mas que foram depois interrompidos devido a situações, que não identificou, verificadas no país .

Segundo ele, o administrador Mutaro Culubali prometeu dar continuidade ao projeto assim que as condições permitissem.

“As chuvas já começaram , não podemos continuar à espera.. Decidimos unir os nossos próprios meios para garantir pelo menos uma passagem segura para a população”, explicou.

Apesar do reconhecimento ao esforço da administração local, os moradores  de Fulamansa pedem mais apoio para a reconstrução  da ponte.

“A nossa confiança está no administrador  Mutaro e na governadora da região, Elisa. O Mutaro é um dos administradores que realmente se preocupa com o desenvolvimento local e queremos continuar a contar com o seu apoio”, concluiu Sene Baldé. ANG/JD/ÂC//SG

 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Ucrânia/Drones ucranianos atingem São Petersburgo em abertura de fórum económico na cidade natal de Putin

Bissau, 03 Jun 26 (ANG) - Drones ucranianos atingiram São Petersburgo nesta quarta-feira (3), no dia de abertura do principal fórum económico da Rússia, provocando incêndio em terminal petrolífero, interrupção de voos e forte impacto simbólico.

O ataque durou mais de 5 horas, segundo autoridades locais, e ocorreu após bombardeios russos na Ucrânia que deixaram ao menos 23 mortos, sinalizando uma virada estratégica na guerra em território russo.

Às 9h18 pelo horário local (3h18 no horário de Brasília), um alerta enviado aos celulares dos moradores anunciou o “fim da ameaça de drones no território”, encerrando uma operação que se estendeu por mais de cinco horas e meia e atingiu simultaneamente instalações energéticas e militares na cidade onde ocorre o principal fórum económico da Rússia.

A sequência dos acontecimentos mostra que cerca de duas horas antes dessa mensagem, canais locais já difundiam imagens registadas por moradores com várias colunas densas de fumaça subindo na zona portuária. O elemento mais visível da ofensiva foi o incêndio em um terminal petrolífero estratégico na região do mar Báltico, localizado a menos de vinte quilómetros do local que recebe as delegações internacionais. 

O ataque, no entanto, não se limitou a esse alvo. Segundo autoridades ucranianas, drones também atingiram um navio de guerra em manutenção na base naval de Kronstadt, situada em uma ilha próxima à cidade e associada à frota russa do Báltico. A embarcação foi identificada por Kiev como a fragata “Boiky”, embora a extensão dos danos não tenha sido confirmada de forma independente. 

Autoridades russas confirmaram que infraestruturas foram atingidas em diferentes distritos urbanos, sem detalhar a natureza exata de todos os alvos. O governador Aleksandr Beglov informou que várias instalações foram danificadas e que houve feridos, mas sem registo de mortos na cidade. 

A operação contou com grande volume de drones. Autoridades regionais indicaram a interceptação de 59 aeronaves não tripuladas apenas na região de Leningrado, enquanto o Ministério da Defesa russo afirmou que 354 drones foram abatidos durante a noite em diferentes áreas do país, evidenciando a dimensão coordenada da ofensiva.

Registos divulgados nas redes sociais mostram moradores filmando drones sobrevoando bairros enquanto sistemas de defesa antiaérea eram acionados. Em algumas dessas imagens, um drone continua em trajetória mesmo sob disparos, o que sugere limitações na capacidade de interceptação em determinados pontos da cidade.

O ataque ocorreu poucas horas antes da abertura do Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, evento anual que reúne lideranças políticas e empresariais e que historicamente foi a principal plataforma russa de atração de capital estrangeiro. Cerca de 20 mil participantes de mais de 100 países são esperados nesta edição.  

O presidente Vladimir Putin deve discursar na sexta-feira (5), em uma apresentação considerada central para a estratégia política e económica do Kremlin. A área do evento recebeu reforço de segurança, embora não haja indicação de que drones tenham se aproximado diretamente do centro de convenções.

A cena registada na manhã desta quarta-feira evidencia o contraste entre a tentativa de projeção institucional e o contexto militar. Do centro histórico da cidade, uma nuvem de fumaça era visível enquanto explosões eram ouvidas, inclusive por participantes que já haviam chegado para o fórum.

Entre os convidados de maior destaque estão autoridades sauditas, incluindo o ministro da Energia, Abdulaziz bin Salman. A lista inclui ainda um conjunto heterogéneo de participantes estrangeiros, entre eles o ator norte-americano Steven Seagal, conhecido por sua proximidade com o governo russo.

Outro nome citado pelo Kremlin é Rodney Mims Cook Jr, indicado pelo presidente norte-americano Donald Trump para dirigir a comissão responsável por projetos  arquitetónicos federais nos Estados Unidos, sendo apontado como o primeiro representante em exercício daquele país presente no evento desde 2018.

Também constam entre os participantes figuras públicas e políticas de diferentes países, refletindo o novo perfil do fórum após a redução significativa da presença de lideranças europeias desde o início da guerra em larga escala.

O aeroporto internacional Pulkovo, localizado a cerca de vinte quilómetros do centro da cidade, precisou restringir temporariamente suas operações durante a noite. 

Mais de 30 voos foram cancelados ou sofreram atrasos, segundo relatos de veículos locais, e conexões entre Moscou e São Petersburgo continuaram afetadas no início da manhã, demonstrando o impacto direto da ofensiva sobre a mobilidade aérea na região.

Além das operações aéreas, houve relatos de interrupções na conectividade, com usuários registando dificuldades no acesso à internet móvel durante o período do ataque, o que ampliou o alcance dos efeitos sobre a rotina da população.

A dimensão simbólica do episódio é reforçada pelo histórico recente. No mês anterior, ameaças semelhantes com drones já haviam alterado a realização do desfile militar de 9 de Maio em Moscou, quando autoridades optaram por reduzir a exibição de equipamentos militares por razões de segurança.

O padrão indica uma mudança progressiva no ambiente interno russo, com eventos institucionais sendo diretamente afetados pela capacidade ucraniana de realizar ataques em profundidade no território adversário.

O ataque ocorre em um momento de intensificação das hostilidades entre Rússia e Ucrânia. Na véspera,uma ofensiva russa de grande escala com mísseis e drones resultou na morte de pelo menos 23 pessoas em território ucraniano. 

Em outro episódio relacionado, autoridades instaladas pela Rússia no leste da Ucrânia relataram a morte de civis após um drone atingir um ônibus que fazia a ligação entre Moscou e a cidade de Simferopol, na Crimeia anexada, evidenciando a multiplicidade de frentes ativas no conflito.

O Kremlin reagiu afirmando que continuará a responder com ataques sistemáticos contra a Ucrânia, reiterando a estratégia de pressão militar contínua. 

Do lado de Kiev, a ofensiva em São Petersburgo foi apresentada como parte de uma política de alcance ampliado, voltada a atingir alvos estratégicos fora da linha de frente. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que o plano está sendo executado de acordo com os objetivos estabelecidos, relacionando diretamente essas ações ao esforço de pressionar Moscou.

A capacidade de atingir instalações situadas a mais de mil quilómetros da fronteira confirma uma evolução técnica e operacional relevante no uso de drones, ampliando a área de risco no interior do território russo e alterando a dinâmica da guerra.

Ao mesmo tempo, o episódio levanta questionamentos dentro da própria Rússia sobre a eficácia de seus sistemas de defesa aérea, tema que passou a ganhar maior visibilidade à medida que ataques desse tipo se tornaram mais frequentes e mais próximos de centros urbanos estratégicos. ANG/RFI

 

 

EUA/Ofensiva tarifária ampliada após derrota na Suprema Corte, mas afirmam querer negociar com Brasil

Bissau, 03 Jun 26 (ANG) - O governo de Donald Trump apresentou , terça-feira, nova proposta de tarifas contra cerca de 60 países após derrota na Suprema Corte em Fevereiro.

A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, prevê taxas de até 12,5% sob alegação de combater trabalho forçado.

 O movimento se soma à ofensiva direta contra o Brasil, alvo de tarifas de até 25% por supostas barreiras comerciais e regras digitais consideradas prejudiciais aos Estados Unidos.

A ofensiva norte-americana ocorre ao mesmo tempo em que o governo brasileiro tenta conter seus efeitos por vias diplomáticas.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participa nesta semana de um encontro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em Paris, onde também está o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, responsável direto pela formulação das tarifas contra o Brasil, afirmou em declaração à imprensa brasileira que já está em contato com Washington para dar continuidade às negociações.

A presença simultânea das duas autoridades na capital francesa ocorre poucos dias após a conclusão da investigação norte-americana que propõe sobretaxas de até 25% sobre produtos brasileiros, citando retaliações a práticas brasileiras ligadas a serviços digitais.

Segundo dados do próprio governo, cerca de 21% das exportações do Brasil para os Estados Unidos podem ser atingidas caso as medidas sejam implementadas. A avaliação predominante em Brasília é de que a disputa ganhou caráter político, com impacto direto na relação bilateral.

Nos bastidores, a diplomacia brasileira contesta a base das acusações e tenta demonstrar que parte das críticas norte-americanas extrapola o campo comercial.

 A inclusão de instrumentos como o Pix entre os pontos questionados, por exemplo, é interpretada como reflexo de disputas regulatórias e tecnológicas mais amplas.

O desfecho dependerá das consultas públicas previstas para as próximas semanas e da capacidade de negociação entre os dois países. Até lá, o cenário permanece de incerteza para exportadores e investidores, com risco concreto de novas barreiras comerciais no curto prazo.

A iniciativa apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) estabelece dois níveis de tarifas.

Países que "possuem mecanismos legais contra o trabalho forçado", mas considerados "ineficazes" na aplicação, terão sobretaxa de 10%. Já aqueles onde a prática é vista como mais tolerada enfrentarão tarifa de 12,5%.

Segundo o governo norte-americano, todos os cerca de 60 parceiros analisados falham, em algum grau, na restrição a esses produtos, o que criaria uma competição desigual para trabalhadores dos Estados Unidos

A proposta surge como uma tentativa de estabelecer uma base jurídica sólida para sobretaxas, após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter rejeitado, em Fevereiro, as tarifas "recíprocas" anunciadas anteriormente pela Casa Branca. Para viabilizar a nova medida, o governo recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite investigar e taxar práticas comerciais consideradas "desleais".

Atualmente, o governo aplica taxas temporárias de 10 por cento que expiram em 24 de Julho, buscando agora um mecanismo permanente.

O plano detalha dois níveis de tributação: uma tarifa de 10% para economias que possuem proibições ao trabalho forçado, mas cuja aplicação é julgada insuficiente — incluindo a União Europeia, Canadá, México, Argentina e Reino Unido — e uma taxa de 12,5% para outros 45 países, como a China, Japão e Índia. Apesar da abrangência, a proposta prevê isenções para setores estratégicos, como produtos energéticos, terras raras, semicondutores, produtos farmacêuticos, café e carne bovina.

A reação internacional foi imediata. A União Europeia classificou os novos direitos aduaneiros como "injustificados", argumentando que os acordos comerciais vigentes já prevêem cláusulas de combate ao trabalho forçado e exigindo que Washington respeite os compromissos assumidos.

O processo agora segue para uma fase de consulta pública, que ocorrerá até o dia 6 de Julho, com audiências presenciais previstas em Washington a partir do dia 7 de Julho. Enquanto isso, o governo Trump finaliza outras investigações que podem resultar em novos anúncios tarifários contra parceiros comerciais acusados de sobrecapacidade industrial. ANG/RFI

 

Cabo Verde/Francisco Carvalho promete governação aberta à crítica e apela à participação da sociedade

Bissau, 03 Jun 26(ANG) - O presidente do PAICV e primeiro-ministro eleito, Francisco Carvalho, afirmou hoje que o futuro Governo vai criar um ambiente aberto à crítica e apelou à participação mais activa da sociedade civil no acompanhamento da governação.

 

O presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) falava à imprensa no âmbito das audições do Presidente da República, José Maria Neves, aos partidos políticos com assento parlamentar, antes da indigitação, ainda hoje, do novo primeiro-ministro, saído das legislativas de 17 de Maio.

 

"Vamos utilizar esse período de governação para, de forma pedagógica, criarmos um ambiente aberto a todo tipo de crítica positiva, para acompanhar a governação", declarou, defendendo que esse exercício deve começar desde já com os últimos actos do actual Governo.

 

Segundo o líder do PAICV, o desenvolvimento do país não deve depender apenas da atuação dos partidos políticos, mas também de uma intervenção crítica e responsável dos cidadãos e das organizações da sociedade civil.

 

"Não podemos remeter às questões somente à disputa partidária", afirmou, para quem a construção de uma sociedade democrática exige o envolvimento de todos os atores sociais.

 

Nesse sentido, lançou um apelo para que a sociedade mantenha uma postura vigilante e interventiva, acompanhando de forma permanente as decisões dos poderes públicos.

 

Francisco Carvalho afirmou que antes as pessoas evitavam manifestar-se por receio de represálias, mas que chegou a hora de os cidadãos exercerem o seu direito à crítica e contribuírem para a construção de uma sociedade mais livre e participativa.

 

Assegurou que esta vai ser a marca de governação do PAICV, ou seja, junto com a sociedade cabo-verdiana.

 

De acordo com os resultados finais das eleições legislativas de 17 de Maio, apresentados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) o PAICV recebeu 90.660 votos, o Movimento para a Democracia (MpD) recebeu 84.458 votos, a União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID) recebeu 9.812 votos, enquanto o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS) recebeu 3.268 votos e o Partido Popular (PP) recebeu 529 votos.

 

A CNE confirmou, assim, a maioria absoluta do PAICV, com 37 dos 72 deputados da Assembleia Nacional.

Na próxima legislatura para cinco anos, o MpD terá 33 deputados, enquanto a UCID terá dois deputados.

 

O acto eleitoral registou uma abstenção recorde, com mais de metade dos eleitores inscritos a preferirem ficar longe das urnas (taxa de abstenção de 53,5%).

 

O novo parlamento vai ser composto por 38 homens e 34 mulheres.

 

ANG/Inforpress