Médio Oriente/Navios são alvo de disparos no Estreito de Ormuz, apesar de cessar-fogo entre EUA e Irã
Bissau, 22 Abr 26 (ANG) -Três navios porta-contentores foram alvo de disparos nesta quarta-feira (22) no Estreito de Ormuz, segundo fontes ligadas à segurança marítima e à agência britânica UKMTO.
Um navio porta-contentores de bandeira liberiana
sofreu danos em sua ponte de comando após ser atingido por disparos de armas de
fogo e granadas, a nordeste de Omã.
De acordo com a UKMTO (United Kingdom Maritime Trade
Operations), a embarcação, fretada por uma empresa grega, se encontrava a 15
milhas náuticas (cerca de 28 km) a nordeste de Omã. O capitão contou que o
navio foi atacado por uma lancha da Guarda Revolucionária iraniana, sem
aviso prévio por rádio.
Em seguida, a embarcação foi alvo de disparos, que provocaram
danos significativos à ponte de comando”, afirmou a agência. “Não houve
incêndio nem impacto ambiental. A tripulação está em segurança”, acrescenta o
comunicado.
De acordo com a empresa de inteligência Vanguard Tech, o navio,
de bandeira liberiana, “havia sido informado de que tinha permissão para
atravessar o Estreito de Ormuz”. Três pessoas estavam a bordo da lancha
envolvida no ataque. O capitão do navio declarou ainda que não houve qualquer
contato por rádio antes do ataque e que a embarcação havia obtido permissão
prévia para atravessar o estreito.
A agência britânica também informou que um segundo navio
porta-contêineres, de bandeira panamenha, foi alvo de disparos a oito milhas
náuticas (cerca de 14 km) da costa do Irã. A tripulação está em segurança e não
houve danos.
Um terceiro navio
porta-contêineres, também de bandeira liberiana, foi igualmente alvo de
disparos e acabou imobilizado no mar a oito milhas náuticas do Irã, que impõe
restrições ao tráfego marítimo no estreito de Ormuz, por onde circula cerca de
um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundial.
A pedido de mediadores paquistaneses, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de terça-feira (21) a prorrogação, por prazo indeterminado, da trégua com o Irã e afirmou que pretende continuar negociando com o país.
Segundo
ele, os Estados Unidos não vão atacar o Irã até que uma proposta seja
apresentada pelo regime. “O Irã está em colapso financeiro” por causa do
fechamento do Estreito de Ormuz, escreveu Trump em sua rede Truth Social
poucas horas após decidir prolongar a trégua.
A prorrogação ainda não foi confirmada pelo Irã ou por Israel. Um assessor de Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, disse que o anúncio de Trump “não vale nada”. Ele denunciou uma “tática” dos EUA para ganhar tempo e preparar um ataque e defendeu uma resposta militar ao bloqueio marítimo.
Na terça-feira, o ministro da
Agricultura do Irã afirmou que o bloqueio americano aos portos iranianos,
iniciado em 13 de abril, não teve impacto na capacidade do país de fornecer
bens de primeira necessidade e alimentos à população.
“Apesar do bloqueio naval dos Estados
Unidos, não temos nenhum problema para abastecer a população com bens
essenciais e alimentos, pois, em razão do tamanho do país, é possível importar
por diferentes fronteiras”, declarou na terça-feira o ministro da Agricultura,
Gholamreza Nouri.
“Cerca de 85% dos produtos agrícolas e
dos bens de primeira necessidade são produzidos localmente, portanto a
segurança alimentar do país está garantida”, acrescentou, segundo a agência
oficial Irna.
O Reino
Unido sediará nesta quarta-feira e quinta-feira (23) uma reunião com militares
de cerca de 30 países para discutir a criação de uma missão liderada por
britânicos e franceses para proteger a navegação no Estreito de Ormuz.
Segundo o Ministério da Defesa
britânico, o encontro permitirá “avançar no planejamento detalhado” da
reabertura do Estreito assim que as condições permitirem, após os “avanços” nas
negociações realizadas em Paris na semana passada.
“O objetivo é transformar o consenso
diplomático em um plano comum para garantir a liberdade de navegação no
estreito e apoiar um cessar-fogo duradouro”, afirmou o ministro da Defesa do
Reino Unido, John Healey, em comunicado. Ele disse acreditar que “progressos concretos
possam ser alcançados”.
As discussões ocorrem após a reunião
realizada na sexta-feira em Paris, que reuniu mais de 40 países sob a liderança
do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e do presidente francês, Emmanuel
Macron. Starmer afirmou que França e Reino Unido liderarão uma missão
multinacional para garantir a liberdade de navegação no Estreito “assim que as
condições permitirem”.
Os dois países insistiram que a
força-tarefa terá caráter defensivo e só será mobilizada após o estabelecimento
de uma paz duradoura na região. Os Estados Unidos e o Irã não participaram das
negociações.
Antes da reunião de Paris, Downing Street havia anunciado a realização de uma cúpula de planejamento militar nesta semana, sem fornecer mais detalhes. ANG/RFI/Com agências

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