Médio Oriente/Diplomacia acelera negociações contra possível acção militar dos EUA no Irã
Bissau, 02 Fev 26 /ANG) - O Oriente Médio vive dias de expectativa
diante da possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã,
como forma de punição ao regime do país pelas milhares de mortes de
manifestantes iranianos.
Os protestos diminuíram, mas, segundo o Centro Internacional para
Direitos Humanos no Irã (CHRI, em inglês), organização que monitora o que
acontece no país a partir de Nova York, pelo menos 43 mil pessoas foram mortas
pelas forças do governo iraniano.
Membros do parlamento iraniano cantam em
apoio ao IRGC enquanto vestem uniformes militares em Teerã, Irã, 1º de
fevereiro de 2026. Hamed Malekpour/Agência de notícias da assembleia consultiva
islâmica/WANA via REUTERS - Hamed Malekpour/Islamic consulta
O
presidente Trump recebeu um relatório da Inteligência dos EUA informando que este é o momento mais frágil do governo do país desde a
chamada Revolução Islâmica de 1979, quando este regime assumiu o controle do
Irã.
Há uma
corrida contra o tempo para evitar uma nova guerra na região, mas, até agora, os esforços diplomáticos da Arábia
Saudita, Egito, Turquia, Catar e Omã para aliviar as tensões fracassaram.
Esses países buscam convencer o Irã a
agir racionalmente e a “oferecer algo ao presidente Trump” que seja capaz de
evitar um confronto. Em Washington, o presidente norte-americano confirmou a
jornalistas que manteve conversas com o os iranianos.
Trump tem repetido que prefere
negociações sobre o programa nuclear do Irã e também sobre o enriquecimento de
urânio. A bordo do avião presidencial Força Aérea Um, ele confirmou que o Irã
“está conversando seriamente” com os Estados Unidos.
De acordo com o New York Times,
algumas das opções apresentadas a Trump incluem incursões terrestres no Irã. Se
este for o caminho escolhido, os EUA consideram também a possibilidade de
operações que venham a danificar gravemente ou destruir completamente
instalações do programa nuclear iraniano que não foram atingidas durante a
guerra de 12 dias de junho do ano passado.
Mas, segundo fontes citadas de forma
anônima pelo jornal, o líder norte-americano ainda não decidiu qual será a
estratégia, se um ataque for mesmo realizado.
O
líder-supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi às redes
sociais dar um aviso claro: segundo ele, “os americanos devem saber que se eles
começarem uma guerra, desta vez vai ser uma guerra regional”.
A declaração de Khamenei é similar à de
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento do país, que afirmou que “o
senhor Trump poderia até ser capaz de iniciar uma guerra, mas não teria
controle algum sobre como ela terminaria”
Também por meio das redes sociais, o
secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani,
declarou que “ao contrário da atmosfera criada pela guerra midiática
artificial, a formação de uma estrutura para negociações está em andamento”.
Mas não deu mais detalhes.
O regime iraniano tem optado por
mensagens ambíguas; acena para negociações, mas também diz estar pronto para a
guerra.
A
missão do país na ONU afirmou na conta oficial na rede X (ex-Twitter) que “da última vez que os EUA se envolveram em guerras no Afeganistão e no
Iraque, desperdiçaram mais de US$ 7 trilhões e
perderam mais de 7 mil vidas americanas”. Em maiúsculas, como Donald Trump
costuma fazer, os iranianos ameaçaram:
“O Irã está
pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e em interesses comuns — MAS,
SE PROVOCADO, SE DEFENDERÁ E RESPONDERÁ COMO NUNCA ANTES!”.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder
Supremo do Irã, incluiu Israel nas ameaças em postagem na rede X. “Falar de um
ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar norte-americana, em
qualquer nível, será considerada o início de uma guerra e será recebida com uma
resposta imediata e sem precedentes direcionada ao agressor, a todos os seus
apoiadores e ao coração de Tel Aviv”.
A avaliação de fontes de segurança é que
os Estados Unidos deverão comunicar as autoridades israelenses com alguma
antecedência, se de fato o presidente Donald Trump determinar uma ação no Irã.
Reservistas israelenses aguardam a
convocação, em caso de necessidade. Israel também se prepara para modelos
alternativos de ataques contra o seu território com a possibilidade até de
ações terrestres.
Segundo
informação obtida pela RFI, milícias pró-Irã no Iraque podem buscar uma
infiltração terrestre em Israel por meio da fronteira com a Jordânia, a mais extensa de todas as fronteiras
israelenses, com cerca de 350 quilômetros.
O Exército de Israel, em resposta, disse
que não iria comentar a informação. Em caso de ataque por parte do Irã, a
imprensa israelense afirma que o Exército de Israel projeta um cenário extremo
envolvendo o disparo de centenas de mísseis balísticos pelo regime iraniano.
Durante a guerra de 12 dias de junho do
ano passado, o Irã disparou cerca de 500 mísseis contra Israel. Agora, uma das
possibilidades é que este número pode chegar a 700 mísseis balísticos.
De qualquer forma, as autoridades israelenses
consideram que será possível lidar com esta ameaça, em especial se este for o
“preço” a se pagar caso a ofensiva norte-americana venha a resultar na queda do
regime da República Islâmica. ANG/RFI






