Bélgica/União Europeia reage aos quatro anos de guerra com demonstrações firmes de apoio à Ucrânia
Bissau, 24 Fev 26 (ANG) - Enquanto
Bruxelas reforça o apoio público a Kiev, os vetos da Hungria e a decisão da
Eslováquia de reduzir o fornecimento emergencial de eletricidade, que ajudava a
cobrir deficits críticos na infraestrutura ucraniana durante ataques russos,
expõem fissuras internas no bloco europeu.
Essas tensões, porém, não abalam a
convicção da maioria dos países da UE, que, ao lado do Reino Unido, buscam
impedir que Vladimir Putin avance em sua visão imperialista de expansão no
continente.
Os prédios do Parlamento Europeu, do
Conselho e da Comissão Europeia passaram a noite iluminados com as cores azul e
amarela em mais um sinal de apoio do maior parceiro ucraniano neste conflito.
Desde o início da invasão russa, em 24 de Fevereiro de 2022, a União Europeia
se consolidou como um dos principais pilares de suporte ao governo ucraniano,
oferecendo assistência financeira e política.
Em Bruxelas, a data é lembrada com atos
oficiais. No Parlamento Europeu, eurodeputados promovem uma sessão
extraordinária com participação por vídeo do presidente ucraniano, Volodymyr
Zelensky. Em Kiev, Zelenky se encontra pessoalmente com a presidente da
Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu,
António Costa, para uma cerimônia oficial e visita às infra-estruturas atacadas
pelos russos.
Apesar
do apoio público, o clima nos bastidores da União Europeia é de apreensão. Um
veto duplo da Hungria impediu a aprovação de um novo paco de sanções contra
Moscou e bloqueou um empréstimo bilionário destinado à Ucrânia.
Já é comum nas cúpulas do Conselho que o
primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, não assine declarações conjuntas e
medidas relacionadas à guerra, mas nunca havia estabelecido um veto como o de
agora.
O novo pacote da União Europeia previa €
90 bilhões em empréstimos para a Ucrânia nos próximos dois anos.
Orbán havia concordado com o repasse em Dezembro,
sob a condição de que a ajuda não afetasse os orçamentos da República Tcheca,
Hungria e Eslováquia.
A situação mudou depois que Hungria e
Eslováquia acusaram Kiev de atrasar reparos em um oleoduto responsável pelo
transporte de petróleo russo para os dois países, reabrindo um flanco sensível
para governos que mantêm laços políticos e energéticos mais próximos de Moscou
do que a média da UE.
No caso de Orbán, o premiê húngaro tem
um histórico de travar sanções e de manter encontros públicos com Vladimir
Putin, enquanto Robert Fico é um defensor de “relações normais” com a Rússia e
crítico do apoio militar a Kiev.
Esse fornecimento de petróleo é
constantemente motivo de discordância nas reuniões em Bruxelas e o episódio do
oleoduto acirrou as divergências. Kiev argumenta que a infraestrutura foi
danificada por ataques russos e que está em reparo.
As principais lideranças europeias, incluindo
a chefe da diplomacia, Kaja Kallas, se manifestaram contra o veto. Kallas disse
que nenhum Estado-membro pode ser autorizado a minar a credibilidade das
decisões tomadas coletivamente pelo Conselho Europeu. Está prevista uma reunião
de emergência sobre o assunto para esta quarta-feira.
Em outro desdobramento da crise, a
Eslováquia anunciou a interrupção do fornecimento de eletricidade de emergência
à Ucrânia. O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, justificou a medida
devido à disputa sobre o oleoduto e afirmou que a ajuda só será retomada quando
o fluxo de petróleo for restaurado.
Essa decisão ocorre em um período
crítico: é inverno na Europa, e o acesso à rede de energia é essencial para que
a população ucraniana se aqueça. Com as baixas temperaturas e os constantes
ataques russos à infraestrutura, este já é considerado o pior inverno da
história da Ucrânia.
O apoio financeiro da União Europeia se
tornou ainda mais crucial diante da redução de recursos diretos dos Estados
Unidos. Desde o início da guerra, o bloco europeu forneceu € 195 bilhões em
assistência à Ucrânia.
O novo pacote de € 90 bilhões não
resolve todos os problemas, mas cria a base para a estabilidade financeira da
Ucrânia, enquanto os Estados Unidos não fornecem mais recursos financeiros
diretos a Kiev. Mesmo assim, os norte-americanos continuam essenciais no
compartilhamento de informações e na venda de certos tipos de armamentos,
inclusive para a Europa.ANG/RFI

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