quinta-feira, 21 de maio de 2026

 Apicultura: Perito guineense recomenda ao governo criação de uma lei que regula o setor

Por Queba Coma - Correspondente da ANG em Portugal”

Lisboa, 21 Mai 26 (ANG) O Secretário Executivo da Plataforma Nacional de Apicultura recomenda ao Governo de Transição a criação de uma lei que regula o setor.


“Para que a Guiné-Bissau produza o mel em quantidades e qualidades competitivas com os países mais avançados no domínio, é fundamental que as autoridades criem legislação que balize o setor da apicultura, e uma instituição  para definir, coordenar e implementar políticas e estratégias viradas à  proteção de abelhas e produção de mel”, disse Adolfo Gomes Sá, em entrevista ao Correspondente da ANG em Portugal..

Gomes Sá falava no âmbito da celebração,  quarta-feira, do Dia Mundial das Abelhas, feita sob o lema: “Abelhas juntas pelas Pessoas e pelo Planeta – Uma Parceria que Sustenta Todos Nós”.

Este  técnico de apicultura ainda sugere a criação das  condições para organização, em termos de associações, de  diferentes intervenientes do setor, para que haja uma cadeia estruturada entre os grupos de interesses.

“Para além de apicultores, deve existir, por exemplo, classes de alfaiates treinados para confecionar os respetivos fatos (em vez de virem da República de Canadá), artesões para fabricar as ferramentas como fumigador, carpinteiros para construir as colmeias, até as categorias dos pesquisadores, comunicadores e comerciantes”, detalhou.

Abordado se a flora e as espécies das abelhas guineenses oferecem as condições naturais para a produção de mel em quantidade e  qualidade apreciáveis, o antigo Diretor do Projeto de Apoio à Apicultura na Região de Gabu (leste do país) afirmou que, não obstante os fenómenos negativos resultantes das mudanças climáticas, a Guiné-Bissau tem árvores, por exemplo, mangrofe (tarrafes), clima propício e  melhores abelhas para uma excelente produção de mel e derivados, tais como sabonete, creme ou vela. 

Contudo, aconselha aos apicultores a se modernizarem neste ramo de atividade, ou seja, a preferirem, por exemplo, as atuais colmeias “dandam africana” ou “langhorts”, em detrimento das atuais quenianas .

Questionado sobre estado do funcionamento da Plataforma Nacional da Apicultura da Guiné-Bissau, Sá  assegurou que a mesma está quase inoperacional , “devido a falta de sensibilidade ou desconhecimento dos sucessivos governantes que tutelaram a área, da importância do setor apícula para a segurança alimentar e o emprego de milhares de guineenses.

“Depois da criação e eleições dos órgãos da Plataforma em 2018, elaboramos um Plano de Ação que, entre outras ações, prevê o  levantamento, a nível nacional, das potencialidades do país para, de seguida, se elaborar um  projeto que será submetido à União Africana e União Europeia, para possível financiamento. Mas houve impedimento por parte das autoridades”, explicou.   

 Adolfo Gomes Sá afirma que, em média, um litro de mel custa 1500 Francos CFA, o preço que, diz, pode ser três vezes superior ao da castanha de caju, principal produto de exportação do país.

A República da Guiné-Bissau, país de clima tropical situado na Costa Ocidental de África, segundo este perito, tem a sua maior produção do mel nas regiões de Gabú e Bafatá, zona leste. FIM/QC//SG 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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