França/ONU alerta para
crise alimentar global já nos próximos seis meses devido ao bloqueio do
Estreito de Ormuz
Bissau,
21 Mai 26(ANG) - A Organização das Nações Unidas alertou quarta-feira que o
mundo poderá enfrentar uma grave crise alimentar global dentro de seis a 12
meses caso se prolonguem as perturbações causadas pelo encerramento do Estreito
de Ormuz.
De
acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura
(FAO), o impacto do bloqueio já começou a refletir-se nos mercados
internacionais e poderá evoluir rapidamente para uma escalada dos preços dos
alimentos à escala mundial.
A
agência que integra as Nações Unidas considera que o encerramento do corredor
marítimo estratégico não representa apenas uma interrupção temporária do
comércio internacional, mas sim o início de um “choque sistémico” com potencial
para afetar cadeias globais de abastecimento alimentar.
O
economista-chefe da FAO, Máximo Torero, apelou aos governos para começarem
imediatamente a reforçar a capacidade de resistência dos países mais
vulneráveis.
Num
podcast divulgado esta quarta-feira, o responsável defendeu que é necessário
“pensar seriamente em como aumentar a capacidade de absorção dos países” e
reforçar a sua resiliência perante este bloqueio, de forma a minimizar os
impactos futuros.
De
acordo com a FAO, as decisões que sejam tomadas agora por governos e
agricultores relativamente à utilização de fertilizantes, importações,
financiamento agrícola e escolha de culturas serão determinantes para evitar
uma escalada dos preços alimentares ainda este ano ou no início de 2027.
A
organização descreve um efeito em cadeia que começa na energia, avança para os
fertilizantes, sementes e produção agrícola, culminando numa redução das
colheitas, aumento dos preços das matérias-primas e inflação alimentar para os
consumidores.
O
impacto do bloqueio no estreito de Ormuz depressa se começou a sentir nos mercados
internacionais.
O
índice global de preços alimentares da FAO, que acompanha as variações mensais
das principais commodities alimentares, aumentou em abril pelo terceiro mês
consecutivo.
A
organização atribui essa subida aos custos energéticos elevados e às
perturbações relacionadas com o conflito no Médio Oriente.
Os
países mais pobres da Ásia, África e América Latina surgem como os mais
expostos ao risco, sobretudo porque dependem tradicionalmente de fertilizantes
azotados provenientes do Médio Oriente para sustentar a produção agrícola.
O
alerta da FAO surge um dia depois de a Comissão Europeia ter apresentado o seu
aguardado plano de ação para os fertilizantes.
A
estratégia europeia aposta sobretudo em medidas de longo prazo, incluindo a
reciclagem de estrume e resíduos agrícolas, mas deixa de fora mecanismos
considerados mais imediatos para aliviar os custos dos agricultores
europeus.
Entre
as medidas não contempladas estão a suspensão de tarifas sobre fertilizantes
russos e bielorrussos ou uma pausa na aplicação da taxa carbónica fronteiriça
da União Europeia.
A
agência da ONU defende agora uma resposta internacional coordenada para limitar
os efeitos do bloqueio do Estreito de Ormuz.
Entre
as medidas sugeridas estão a criação de rotas comerciais alternativas para
contornar a zona afetada, a não imposição de restrições às exportações
agrícolas e a proteção dos fluxos humanitários de alimentos contra eventuais
barreiras comerciais.
A
organização teme que, sem ação rápida, o atual conflito no Médio Oriente possa
transformar-se numa crise alimentar global com consequências especialmente
graves para países já afetados pela insegurança alimentar e pela inflação. ANG/Inforpress/Agências

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