EUA/Dissidência cubana em Miami celebra indiciamento de Raúl Castro nos EUA
Bissau, 21 Mai 26 (ANG) - O
ex-presidente cubano Raúl Castro foi indiciado por um tribunal em Miami, quarta-feira (20), por um caso de 30 anos
atrás. A decisão, criticada pela China, foi celebrada por dissidentes cubanos
que vivem na Flórida.
Em 1996, dois aviões comerciais foram
abatidos sobre o Estreito da Flórida, matando quatro pessoas, todas opositoras
do presidente cubano da época, Fidel Castro. Havana alegou que as aeronaves
violaram seu espaço aéreo.
O irmão
de Fidel, Raúl Castro, era ministro da Defesa de Cuba na época e é suspeito de
ter orquestrado a operação.
Trinta anos depois,este indiciamento pode servir de pretexto para aumentar ainda mais a pressão de Washington sobre o regime da ilha. “Isso se encaixa em um padrão da estratégia dos EUA, semelhante ao que foi feito durante o sequestro de Nicolás Maduro na Venezuela, para encontrar acusações que possam potencialmente justificar uma intervenção, seja militar ou, pelo menos, que justifiquem o fortalecimento das sanções contra a ilha.
Isso também prepara o terreno para justificativas desse tipo”, explicou à RFI Laurine Chapon, pesquisadora da Universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris.
A
possibilidade de uma intervenção militar americana em Cuba está se tornando
cada vez maior. Aeronaves dos EUA aumentaram suas operações de
inteligência sobre o território cubano.
De acordo com informações do site Axios neste fim de semana, autoridades americanas estão preocupadas com a compra de 300 drones militares por Cuba. Havana não confirmou, mas os Estados Unidos veem a movimentação como uma ameaça – que pode ser outro possível pretexto para uma intervenção.
A Casa Branca está intensificando sua pressão e exigindo uma mudança de regime na ilha. Grupos anticastristas instalados nos Estados Unidos concordam: a acusação formal contra Raúl Castro foi recebida com alegria por políticos republicanos da Flórida e seus eleitores, muitos deles de origem cubana. Miami é um histórico refúgio de dissidentes cubanos.
Antes de ser eleito para o Congresso dos
EUA pela Flórida, Carlos Giménez era bombeiro e, antes disso, havia chegado aos
Estados Unidos vindo de Cuba, aos 6 anos de idade. Ele nasceu em uma família
anticastrista.
"Esperávamos por isso há mais de 30
anos. Sim, a justiça foi feita muito tarde, mas foi feita, e é um sinal muito
claro, dirigido não apenas ao regime, cujos dias estão contados, mas também ao
povo cubano, cujos dias de sofrimento também estão contados", afirmou ele,
em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira em Washington.
Sua colega, María Elvira Salazar, também
republicana e filha de pais cubanos, falou de um momento histórico. Diante das
câmeras, ela alertou Raúl Castro, hoje com 94 anos: “Cuidado para não acabar na
prisão nos Estados Unidos como Nicolás Maduro”.
“O presidente Trump deu a Maduro a
oportunidade de sair com sua esposa e família com os milhões que ele roubou dos
venezuelanos. Mas Maduro achou que era mais esperto que o presidente Trump.
Então, estou falando com Raúl, seus primos, seus sobrinhos, seus filhos e seus
netos: observem bem o que aconteceu com Maduro”, salientou Salazar. “É hora de
vocês irem embora, porque há um novo xerife na cidade, e o nome dele é Donald
Trump”, advertiu a mulher, que disse ainda acreditar que “Trump é o único
presidente capaz de fazer de Cuba um país amigo dos Estados Unidos, assim que
se livrar da família Castro”.
Já a
China, aliada do regime de Havana, condenou nesta quinta-feira o que
considerou um "abuso de meios legais" por Washington. "A China
sempre se opôs firmemente a sanções unilaterais ilegais que não têm fundamento
no direito internacional”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das
Relações Exteriores da China.
"Os Estados Unidos devem parar de usar as sanções e a força da lei contra Cuba, e parar de ameaçar constantemente usar a força", enfatizou ele durante uma coletiva de imprensa regular. "A China apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e dignidade nacional. Nós nos opomos a qualquer interferência estrangeira", disse Guo Jiakun.
Além do embargo dos EUA em vigor desde
1962, Washington impôs um bloqueio total de petróleo à ilha caribenha desde
janeiro.
Em Cuba, o indiciamento de Castro também
gerou indignação. "Não se trata apenas de uma simples alegação, mas de uma
acusação real que remonta a mais de 30 anos", disse Fabian Fernandez, um
contador de 30 anos de Havana, à AFPTV. "É mais um ataque público contra
uma figura pública."
"O que o governo americano está
fazendo aqui, sem falar do bloqueio energético que nos impede de receber
combustível, é criminoso. É injusto", denunciou Pedro Leal, um aposentado
de 65 anos.
Segundo o jornal oficial Granma,
organizações estão convocando um protesto na manhã de sexta-feira "para
condenar o ato desprezível e infame" do governo americano. "Nem
ameaças, nem o bloqueio, nem o cerco energético, nem falsas acusações serão
capazes de quebrar a vontade de todo um povo em defesa de sua Revolução",
afirmam. ANG/RFI/AFP

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