Colômbia/Candidato governista reconhece derrota e confirma vitória da extrema direita
Bissau, 25 Jun 26 (ANG) -A passagem da esquerda pelo poder chegou ao fim na Colômbia depois que o sucessor de Gustavo Petro, Iván Cepeda, reconheceu, quarta-feira (24), a derrota para o candidato da extrema-direita, Abelardo de la Espriella, na eleição presidencial mais acirrada e com maior participação eleitoral da história do país sul-americano.
O reconhecimento da derrota pelo
candidato governista encerrou dias de tensão política e consolida uma virada
ideológica que acompanha um movimento mais amplo na América Latina.
“Decidi aceitar o resultado deste
processo (...) e contribuir com a convivência, a paz e o diálogo entre os
colombianos”, afirmou Cepeda, de 63 anos, ativista de direitos humanos e
herdeiro político do presidente Gustavo Petro.
A
apuração preliminar já indicava um resultado apertado De la Espriella
venceu com 49,7% dos votos contra 48,7% de Cepeda. Inicialmente, o candidato de
esquerda havia condicionado o reconhecimento à contagem final, praticamente
concluída nesta quarta-feira e confirmada pelas autoridades eleitorais, que
registaram 99,9% de concordância com os números divulgados no domingo.
A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia descartou irregularidades, apesar das denúncias feitas por Gustavo Petro. O atual presidente levantou suspeitas sobre ataques ao sistema eleitoral e sugeriu uma possível interferência externa, mencionando o apoio público de Donald Trump ao candidato vencedor.
A disputa expôs um país polarizado. Na
segunda-feira (22), confrontos entre manifestantes e a polícia de choque foram
registados em Bogotá e Cali após declarações iniciais de Cepeda. O candidato
derrotado pediu calma aos apoiadores e hoje reiterou a necessidade de evitar
uma escalada de violência.
A eleição colombiana ocorre em um ambiente
regional marcado por mudanças profundas. Desde o retorno de Donald Trump à Casa
Branca em Janeiro de 2025, vários países latino-americanos passaram por
guinadas conservadoras. Argentina, Chile, Equador e agora Colômbia integram
esse redesenho político, enquanto governos de esquerda resistem em menor
número, como no México, Uruguai e Brasil.
De la Espriella, milionário e figura anti-establishment construiu sua campanha com forte retórica contra a esquerda e promessas de combate radical ao crime organizado. Ele defende medidas como a erradicação química de plantações de coca e o apoio militar direto dos Estados Unidos, incluindo a instalação de bases no país.
A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, é peça central na estratégia regional lançada por Trump, a coalizão “Escudo das Américas”, destinada ao combate ao narcotráfico. Espera-se que o novo presidente integre formalmente o país à iniciativa.
Em sua primeira declaração após a
vitória confirmada, De la Espriella afirmou que pretende “restaurar e
fortalecer” as relações com Israel, rompidas durante o governo Petro. Também
prometeu a construção de megaprisões e elogiou abertamente modelos de segurança
adotados em El Salvador e no Equador.
Cepeda, por sua vez, sinalizou que a
oposição poderá adotar formas de resistência política. “Assumiremos, se
necessário, resistência e desobediência civil pacífica”, declarou.
Especialistas demonstram preocupação com
os possíveis efeitos da nova política de segurança. A Colômbia ainda enfrenta
as consequências de mais de seis décadas de conflito armado, envolvendo
guerrilhas, grupos paramilitares e organizações criminosas ligadas ao
narcotráfico e à mineração ilegal.
Há dúvidas sobre a capacidade de
implementação das promessas do presidente eleito, sobretudo diante de um
Congresso em que a esquerda permanece como maior força parlamentar. Ainda
assim, a possibilidade de alianças políticas pode garantir governabilidade. ANG/RFI/AFP

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