Côte
D`Ivoire/
Cerca de 60 milhões de emprego de
mulheres ameaçados em países em desenvolvimento- PNUD
Bissau, 06 Mai 26(ANG) –
O aumento do serviço da dívida soberana está dificultando o progresso do
desenvolvimento e afetando desproporcionalmente as mulheres nos países em
desenvolvimento, de acordo com uma nova análise do Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (PNUD) publicada na segunda-feira, 4 de Maio de 2026.
Intitulado "Quem paga
o preço? Desigualdade de género e dívida soberana", o relatório estima que
55 milhões de empregos femininos estão em risco a curto prazo, com efeitos
duradouros na renda, no acesso a serviços públicos e na desigualdade de género.
Com base em dados de 85 países em desenvolvimento, o estudo
revela que o aumento dos pagamentos de dívidas leva a uma diminuição média de
17% na renda per capita das mulheres, enquanto a renda dos homens permanece
praticamente estável, exacerbando assim as disparidades económicas entre os géneros.
Segundo o PNUD, quando os Estados destinam uma parcela crescente
de seus recursos ao serviço da dívida, os gastos públicos com saúde, proteção
social e sistemas de assistência são frequentemente reduzidos. Esses ajustes
orçamentários afetam toda a população, mas impactam desproporcionalmente as
mulheres, particularmente devido ao aumento do trabalho de cuidado não
remunerado e à sua menor participação no mercado de trabalho.
“A dívida soberana não é um problema matemático, é um problema
humano”, afirmou o administrador do PNUD, Alexander De Croo. Ele enfatizou que
as restrições orçamentárias reduzem a margem de manobra dos Estados e levam à
transferência de responsabilidades para as famílias, onde as mulheres são
responsáveis pela maior parte dos cuidados.
O relatório também indica que 92,5 milhões de empregos femininos
podem ser afetados a longo prazo se os países passarem de níveis moderados para
altos de endividamento. Alerta ainda para um potencial aumento de 32,5% na
mortalidade materna e uma queda na expectativa de vida como consequência do
enfraquecimento dos sistemas de saúde.
Esses desenvolvimentos estão ocorrendo em um contexto global
marcado por tensões geopolíticas, flutuações nos mercados de energia e pressões
inflacionárias, que acentuam as vulnerabilidades económicas.
Para Raquel Lagunas, diretora da equipe de género do PNUD,
integrar uma abordagem sensível à questão de género nas políticas de dívida é
essencial para preservar os investimentos sociais e os serviços de saúde.
O relatório também apela aos governos e às instituições financeiras internacionais para que coloquem o emprego, o desenvolvimento humano e a igualdade de género no centro das estratégias de sustentabilidade da dívida, evitando simultaneamente políticas de austeridade que possam agravar as desigualdades. ANG/Faapa

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