Marrocos/ Continente africano instado a retomar o controle do financiamento da saúde
Bissau, 06 Mai 26 (ANG) – A ex-ministra da Saúde francesa, Agnès Buzyn, fez um apelo aos estados africanos em Casablanca, Marrocos, na segunda-feira, para que retomem o controle do financiamento da saúde, a fim de tornar os sistemas de saúde resilientes em um contexto marcado pela diminuição da ajuda externa.
“A África deve aproveitar este desafio da diminuição da ajuda
externa no setor da saúde como uma oportunidade”, afirmou ela.
Ela participava do painel sobre o tema “Assim como os contratos
de ajuda tradicionais, chegou a hora de a África criar ecossistemas financeiros
sustentáveis, ao mesmo tempo que oferece assistência consistente. Estamos
analisando os instrumentos”.
Este painel foi realizado como parte da GITEX Future Health
Africa, a primeira edição da Exposição Internacional sobre o Futuro da Saúde na
África, que foi inaugurada no mesmo dia e estará em cartaz até 6 de maio.
A Sra. Buzyn observou que a média dos orçamentos destinados à
saúde pelos países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico) é de 9,9%.
“Precisamos de um sistema soberano e baseado na solidariedade”,
disse ela, falando sobre a importância de retomar o controle do financiamento
da saúde.
Segundo a Sra. Buzyn, “os países africanos beneficiários
entrarão num período de grande vulnerabilidade e risco, com uma lacuna real de
financiamento”.
Daí a importância, segundo o ex-ministro da Saúde francês, de se
ter um plano de transição sequencial tendo em vista a redução do financiamento.
“O capital nacional, os fundos soberanos e as parcerias
público-privadas baseadas em resultados garantem que os profissionais clínicos
recebam o apoio necessário para que as instalações continuem a ser mantidas e
os serviços essenciais não sejam interrompidos.”
Ela relatou um risco de desigualdades na oferta e no acesso aos
cuidados de saúde. Agnés Buzyn recomenda que os Estados desempenhem um papel de
coordenação para lidar com essa situação, acreditando que o sistema de saúde
deve ser pensado em termos de universalidade.
“É necessária uma visibilidade plurianual para a projeção e a
compreensão do futuro, com uma visão horizontal que leve em conta a atenção
primária e a gestão hospitalar”, recomendou o ex-ministro francês.
“A África deve aproveitar este desafio da diminuição da ajuda
externa no setor da saúde como uma oportunidade. A forma como financiamos o
sistema, os sistemas de seguros, está a migrar para espaços digitais”,
sublinhou a Sra. Buzyn.
Ela observa que as fragilidades na capacidade de vincular o
financiamento aos resultados de saúde precisam ser abordadas, enfatizando
"como financiamos e o impacto no atendimento às necessidades das
populações".
“A tecnologia digital é importante quando torna o sistema
eficiente. Ela precisa ser posicionada no lugar certo, pois não pode substituir
a gestão em saúde”, concluiu. ANG/Faapa

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