Comunicação Social/ Estudo destaca
avanços e desafios do jornalismo ético e da segurança dos jornalistas na
Guiné-Bissau
Bissau,
9 Jul 26 (ANG) – Representantes de organizações da comunicação social,
jornalistas e parceiros reuniram-se esta quarta-feira, em Bissau, num fórum de
apresentação dos resultados da monitorização sobre o jornalismo ético e a
segurança dos jornalistas na Guiné-Bissau, referente ao período entre Julho de
2025 e Junho de 2026.
A
iniciativa é promovida pela Fundação dos Media para a África Ocidental (MFWA),
em parceria com os Repórteres Sem Fronteiras e a Fundação Hirondelle, com o
objetivo de analisar os progressos alcançados, identificar desafios e definir
medidas para reforçar a ética e a segurança no exercício da profissão
jornalística.
Na
abertura do encontro, a coordenadora do projeto da MFWA, Delali Dessouassi,
afirmou que o fórum constitui um espaço de debate e reflexão sobre os
resultados da monitorização, defendendo que o contributo de todos os
intervenientes é essencial para fortalecer o jornalismo ético no país.
Por
sua vez, a presidente do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação
Social (SINJOTECS), Indira Correia Baldé, considerou que o momento deve servir
para avaliar o cumprimento das normas éticas na profissão, sublinhando que
"a ética começa em nós".
Um
estudo conduzido pela consultora Carmelita Pires, analisou 728 conteúdos
publicados por 15 órgãos de comunicação social: rádios, televisões, imprensa
escrita, blogues e plataformas digitais.
A avaliação incidiu sobre a conformidade dos
conteúdos com os princípios da ética jornalística.
Os
resultados indicam que cerca de 29,9 por cento dos conteúdos abordaram temas
relacionados com política e governação, 21,3 por cento - justiça e direitos humanos, 17,4 por cento - sociedade,
12,8 por cento - segurança e ordem pública, 8,7 por cento - economia e
desenvolvimento e 6,5 por cento - educação e saúde.
Segundo
o relatório, os meios de comunicação tradicionais apresentam maior estrutura
editorial, melhor verificação da informação e menor risco de desinformação,
enquanto as plataformas digitais se destacam pela rapidez de divulgação, maior
pluralismo informativo e interação com o público, embora revelem maior
vulnerabilidade à desinformação.
O
estudo recomenda, por isso, o reforço dos mecanismos de cumprimento da ética no
ambiente digital.
A
avaliação global concluiu que 82,4 por cento dos conteúdos analisados foram
classificados entre de muito bom.
A
consultora defendeu que os resultados constituem uma base promissora para
consolidar um jornalismo mais ético, rigoroso e responsável na Guiné-Bissau.
Durante
o debate, os participantes recomendaram a definição de critérios mais rigorosos
para o recrutamento de jornalistas, privilegiando candidatos provenientes de
universidades e centros de formação em jornalismo, bem como o envio do estudo aos órgãos de comunicação social
para facilitar a implementação das recomendações.
Foi
ainda defendido que os profissionais evitem comentários nas redes sociais que
possam comprometer a sua imagem pública e reforcem as suas competências,
sobretudo na edição de vídeo e no domínio de línguas estrangeiras. ANG/ LPG//SG

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