quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Suíça/FIFA tenta abafar crise reconhecendo erros, mas não convence a imprensa europeia

Bissau, 06 Ago 26 (ANG) - A instituição máxima do futebol mundial reconheceu na quarta-feira (5) que "foram cometidos erros" após o vazamento do controverso projeto de investimentos privados, mas reafirmou seu "apoio total" a Gianni Infantino.

 A permanência do dirigente suíço-italiano na presidência da entidade intriga a imprensa francesa e europeia nesta quinta-feira (6).

"Infantino se agarra ao seu trono na FIFA" é o título de uma matéria no site do jornal Le Monde. O diário informa que, ao término de uma reunião sobre a crise da instituição entre Infantino e um pequeno grupo de diretores da entidade em Rabat, no Marrocos, a Federação Internacional de Futebol publicou um longo comunicado e enviou uma carta ao Conselho da instituição e às 211 federações nacionais membros.

O documento apresenta “sinceras desculpas por esses erros”, compromete-se a não os repetir, mas reitera seu "apoio total" a Infantino. Em uma atmosfera digna de uma obra de George Orwell, a FIFA vai mais longe e ameaça os meios de comunicação internacionais que, há vários dias, denunciam o estilo de governança solitário de seu presidente, reitera o Le Monde.

O comunicado publicado pela FIFA e reproduzido pelo jornal adverte que a entidade “não tolerará mais qualquer ataque à sua integridade, à sua boa governança e ao respeito de seus procedimentos”. O texto diz ainda que a instituição “tomará todas as medidas necessárias para proteger e preservar seu nome e reputação".

Para o jornal Le Parisien, o apoio da instituição não consegue abafar o isolamento de Infantino após o vazamento do projeto de abrir as competições internacionais a investidores privados, duramente criticado pelas federações regionais de futebol.

Para o diário, a crise coloca em evidência uma administração opaca, muito longe das promessas de transparência do dirigente quando assumiu a instituição em 2016.

O jornal Le Figaro afirma que Infantino está "à beira de um precipício". Antes considerado um presidente todo-poderoso, ele passou a ser visto como um pária. No entanto, a hipótese de uma demissão continua em segundo plano.

Por enquanto, Infantino continua sendo o único candidato declarado à reeleição para o comando da FIFA. A votação será realizada em março de 2027, no Marrocos.

O ítalo-suíço de 56 anos precisa da maioria das 211 federações-membro para conquistar um novo e último mandato de quatro anos. Até o momento, algumas federações europeias, como as da Finlândia, do País de Gales, da Sérvia e da Suécia, retiraram oficialmente o apoio a ele.

"Infantino deve sair", afirmou nesta quarta-feira o ex-craque português Luís Figo em uma coluna de opinião no jornal britânico Daily Mail. Figo descreve o dirigente como um "vestígio do passado que não deve fazer parte do futuro". Já o príncipe Ali bin Al-Hussein, presidente da Federação Jordaniana de Futebol, acusou Infantino de "chantagem" na terça-feira.

Fora do mundo do futebol, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, juntou-se nesta quarta-feira ao premiê britânico, Andy Burnham, para criticar duramente o presidente da FIFA.

"Sem dúvida, diante do que aconteceu, já não tenho mais confiança no senhor Infantino", afirmou Carney, cujo país foi um dos anfitriões, juntamente com os Estados Unidos e o México, da Copa do Mundo de 2026.

Para o premiê canadense, o fato de a equipe diretiva da FIFA não ter sido consultada sobre o plano de privatização da instituição "deveria ser fatal" para o mandato de Infantino.

Na semana passada, Burnham afirmou que o dirigente suíço-italiano era "a pessoa errada para dirigir" o órgão máximo do futebol mundial. ANG/RFI

 

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