Suíça/ONU condena
sanções dos EUA contra Cuba e alerta para crise humanitária
Bissau,
06 Ago 26(ANG) — Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas condenaram
hoje as sanções dos Estados Unidos a Cuba, alegando que constituem
uma tentativa de alterar a ordem constitucional de um Estado soberano através
de "ameaças e coação".
"As
condições humanitárias estão a deteriorar-se à medida que a crise energética se
aprofunda", indicou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de
Assuntos Humanitários (OCHA), responsável por coordenar respostas globais de
emergência.
"O
impacto combinado da crise energética resultante das ordens executivas dos
Estados Unidos e de outras sanções, juntamente com os furacões e outros
desastres naturais, é abrangente e expande-se diariamente" na ilha,
referiu o organismo da ONU.
Cuba
tem sofrido vários desastres naturais sobretudo desde outubro de 2024, quando o
furacão Óscar e um colapso da rede elétrica nacional atingiram a ilha ao mesmo
tempo.
Desde
então, o país entrou num ciclo contínuo de emergência com o impacto consecutivo
do furacão Rafael, fortes sismos no sul da ilha, e novas tempestades severas
que se estenderam ao longo de 2025 e 2026.
Em
janeiro, Washington impôs um embargo petrolífero à ilha, ameaçando com sanções
e tarifas qualquer país que forneça energia a Cuba.
A
Casa Branca afirma que o regime comunista cubano ameaça a segurança nacional ao
acolher bases de espionagem eletrónica da Rússia e ao aprofundar a cooperação
militar com a China, acusando ainda Havana de servir de porto seguro para
grupos como o Hamas e o Hezbollah.
Todo
este cenário tem agravado a crise de abastecimento de energia, sobretudo depois
de Cuba ter perdido o seu fornecimento da Venezuela no início deste ano, após a
operação militar dos EUA em Caracas, que resultou em mais de 100 mortes e no
sequestro do Presidente venezuelano Nicolás Maduro e da sua mulher, Cilia
Flores.
"Todos
os serviços básicos, desde a água potável e saneamento à produção de alimentos
e ao setor da saúde, estão a ser afetados pela falta de combustível e de
eletricidade", explicou o OCHA.
"Mais
de 100 mil procedimentos cirúrgicos foram adiados devido à grave escassez de
medicamentos e material médico", lamentou o organismo de ajuda às
emergências.
Segundo
referiu, a ONU e os seus parceiros publicaram um Plano de Ação Humanitária para
prestar ajuda a dois milhões de pessoas, embora "a crise energética esteja
também a limitar a capacidade de entregar a ajuda já prometida".
Há
"dezenas de contentores com alimentos e material médico que permanecem
retidos nos portos devido à falta de combustível", alertou.
Por
isso, apelou à comunidade internacional para que "facilite a entrega
atempada e sem entraves de combustível para fins humanitários e outros auxílios
vitais", bem como para que financie o Plano de Ação, que conta atualmente
apenas com 21% dos fundos solicitados.
A
campanha de pressão norte-americana a Cuba entrou numa nova fase na
quinta-feira, com o anúncio dos EUA de que iriam impor sanções contra o
Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e outras quatro pessoas - incluindo o seu
antecessor, Raúl Castro - bem como cinco entidades cubanas: o Ministério das
Forças Armadas Revolucionárias, os Comités de Defesa da Revolução, a agência de
viagens Amistur Cuba S.A., o Instituto Cubano de Amizade com os Povos e a
empresa mineira La Victoria.
O ministro
dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, classificou a decisão dos
EUA como vil, enquanto Díaz-Canel considerou que estas sanções são uma
tentativa de "reforçar as medidas de bloqueio" e criar um
"cenário de conflito entre Cuba e os Estados Unidos". ANG/Inforpress/Lusa

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