ONU/Annalena Baerbock alerta que a organização mundial não sobreviverá a era de fragmentação sem reforma
Bissau, 04 Set
26 (ANG) - A presidente cessante da
Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock, advertiu hoje que a
organização não sobreviverá à atual era "tão fragmentada" sem
uma reforma, deixando o alerta a cerca de uma semana de sair do cargo.
Na
sua última conferência de imprensa enquanto presidente da Assembleia-Geral, a
diplomata alemã, que passará o cargo a Khalilur Rahmando, do Bangladesh, na
próxima terça-feira, questionou: "Quantos golpes esta casa da diplomacia
pode suportar, especialmente se não estivermos prontos para nos
reformar?"".
"Sem
dúvida, a ONU não sobreviverá nestes tempos fragmentados e difíceis se não
houver reformas. Precisamos de menos burocracia e de sermos muito mais eficazes
e eficientes num mundo digitalizado", afirmou Baerbock.
Reformar
a organização foi uma das prioridades do mandato da alemã,
que observou que as regras financeiras da ONU foram alteradas para se
adaptarem à atual crise financeira, a burocracia e os mandatos foram reduzidos
e os prazos de intervenção foram encurtados para agilizar os debates.
No
entanto, reconheceu que durante o seu mandato de um ano testemunhou um
ressurgimento de guerras e conflitos, assim como um intensificar
do "impasse no Conselho de Segurança".
Como
presidente da Assembleia-Geral, Annalena Baerbock também teve que
gerir o início do processo de eleição do novo secretário-geral da
organização, que sucederá António Guterres no início de 2027.
"A
escolha que a ONU fizer para o décimo secretário-geral enviará uma mensagem
sobre se esta organização realmente representa as pessoas que deveria servir,
metade das quais são mulheres e meninas", observou Baerbock, que em várias
ocasiões sublinhou que a ONU nunca teve uma liderança feminina em 80 anos de
história.
A
alemã tem sido uma das mais fortes defensoras da ideia de que a próxima pessoa
a liderar a organização deveria ser uma mulher, tendo ela própria sido a
quinta mulher a ocupar a presidência da Assembleia-Geral.
A
diplomata aproveitou para agradecer a António Guterres, com quem trabalhou
diretamente no desafio de "reformar", "fortalecer" e
"proteger" a organização multilateral.
"Quando
as divisões se aprofundam e os nossos desafios partilhados se tornam mais
complexos, o valor do multilateralismo torna-se ainda mais importante. Porque
nenhum dia o mundo estaria melhor sem as Nações Unidas, para nenhum país",
afirmou.
Ao
ser questionada sobre a reforma que não foi concluída, Baerbock destacou que a
organização precisa de um organograma único para ajudar a hierarquizar a sua
estrutura, de forma a eliminar cargos seniores duplicados e, por vezes,
obsoletos.
A
presidente cessante agradeceu aos jornalistas pela colaboração no que confirmou
ser a sua última etapa na política.
Após
uma carreira de quase 20 anos, incluindo o período como ministra das Relações
Exteriores da Alemanha (2021-2025), Baerbock iniciará um novo capítulo na
Universidade Columbia, em Nova Iorque, como docente. ANG/Inforpress/Lusa

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