quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Portugal


        Governo simplifica entrada de estudantes e pequenos empresários
Bissau,12 set 18 (ANG) – O governo português vai simplificar a entrada naquele país dos estudantes e pequenos empresários, sobretudo de países de língua oficial portuguesa, de acordo com as alterações à Lei dos Estrangeiros,  publicadas terça-feira em Diário da República portuguesa.
Os estudantes estrangeiros, conforme avançou a rádio portuguesa TSF, são os grandes beneficiados desta alteração.
A cumprirem-se as novas determinações, a partir de Outubro do corrente ano deixam de ser necessárias tantas visitas aos serviços do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para os estudantes que, de forma sazonal, ou a longo prazo, queiram fazer a formação em Portugal.
O referido jornal on-line avança ainda que no decreto regulamentar que o governo português publicou  terça-feira, 11,   no Diário da República, são visados estudantes, mas também empresas que queiram beneficiar dos chamados ‘Startup Visas’, ou seja, vistos de entrada para imigrantes empreendedores.
No capítulo dos estudantes, o documento destaca os que pretendem frequentar o ensino profissional, os que querem estar em Portugal por um semestre, ou todos os oriundos dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que passam a ter menos burocracia que os restantes imigrantes.
Parte dos procedimentos passa a ser electrónico, com possibilidade de entrega em formatos digitais, dos respectivos documentos, e se os documentos forem os mesmos não será necessária uma nova apresentação, sendo utilizados os originais ou das cópias que já estejam na posse dos serviços.
Tanto no caso da concessão inicial, como nas renovações, o processo pode avançar em qualquer delegação do SEF, e pode ser agendada antes mesmo da chegada do imigrante a Portugal.
É também dispensada, em alguns casos, a obrigatória entrevista no consulado de Portugal no país de origem do imigrante.
Os novos procedimentos beneficiam também os trabalhadores independentes e vão permitir acelerar a legalização de imigrantes que chegaram a Portugal por razões humanitárias.
Os novos mecanismos só entram em vigor em Outubro, mas foram testados durante este verão, nos consulados de Portugal, na cidade da Praia, e em São Paulo, no Brasil, para preparar a chegada de estudantes daqueles países ao ensino superior português.
O governo de Portugal justifica a mudança com a necessidade de atrair mais imigrantes para aquele país, segundo o seu ministro da Administração Interna, precisa de mais imigrantes para combater o problema da demografia. ANG/Inforpress/Lusa

Agricultura/caju


 Portugal forma agricultores guineenses sobre práticas de cultivo de caju


Bissau, 12 Set 18 (ANG) – O professor português de agronomia Manuel Correia vai coordenar uma equipa de trabalho na Guiné-Bissau para formar 30 agricultores sobre as melhores práticas para o cultivo do caju, principal produto agrícola e de exportação do país africano.

Em declarações à Agência Lusa em Bissau, Manuel Correia, antigo presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), disse que vai coordenar uma equipa de trabalho que dará formação aos 30 camponeses que, por sua vez, vão enquadrar 1.000 cultivadores do caju em três regiões.

O projeto tem a duração de 18 meses e os 1.000 agricultores serão selecionados nas regiões de Oio e Cacheu, no norte e Biombo no nordeste da Guiné-Bissau.
A iniciativa enquadra-se no âmbito do projeto de extensão rural, financiado pelo Banco Mundial, para ensinar os agricultores a lidar com a questão do envelhecimento dos cajueiros, pragas e também como utilizar melhor e rentabilizar os campos do cultivo.
Manuel Correia indicou que "a tarefa mais complicada será o da georreferenciação das áreas" que os 1.000 agricultores ocupam para depois propor sugestões de mudanças de práticas de cultivo.
O professor ligado ao Centro Português de Estudos Tropicais para o Desenvolvimento - Instituto Superior de Agronomia, CENTROP-ISA, estima serem entre 1.500 a 1.800 hectares que vai ter que monitorar para determinar quais as medidas para a "grande questão do caju guineense, que é o envelhecimento das árvores".
Manuel Correia observou que em várias zonas da Guiné-Bissau existem cajueiros com mais de 25 anos, sendo que estas árvores já "não servem para nada", precisou.
"A parte mais sensível do programa será sensibilizar. Convencer os agricultores sobre a necessidade de se arrancarem os cajueiros velhos. O agricultor terá que perceber que um cajueiro com mais de 25 anos, não está lá a fazer nada", sublinhou o professor português, conhecedor da realidade agrícola guineense.
Além da questão do envelhecimento dos cajueiros, a equipa de Manuel Correia também vai sensibilizar os agricultores guineenses sobre a necessidade da redução das plantas por hectare e desta forma melhorar a produção, disse.
"O ideal seria ter 80 a 120 cajueiros num hectare. Há situações em que vemos mais de 400 cajueiros num hectare", afirmou o professor português, observando ser fundamental "acabar com os matos de cajueiros e criar pomares a sério".
“A ideia é levar o agricultor a perceber que entre os cajueiros, pode e deve plantar outras culturas de alimento ou de renda”, enalteceu o professor português, assinalando ser esta uma das armas para combater a pobreza e garantir a segurança alimentar no país.
Dados do Governo indicam que mais de 80 por cento da população guineense depende diretamente do cultivo do caju para subsistência. ANG ⁄ LUSA

12 de setembro


    Bafatá acolhe celebrações do aniversário de nascimento de Amílcar Cabral

Bissau,12 set 18 (ANG) - O aniversário do fundador da nação guineense, Amílcar Cabral, vai ser celebrado hoje na cidade de Bafatá com um conjunto de atividades de cariz político e cultural, soube-se a Rádio Jovem de fontes oficiais.

Por iniciativa do executivo guineense vão decorrer atividades para relembrar a figura do nacionalista que é, geralmente, considerado como o obreiro maior da luta política, diplomática e militar que conduziu às independências da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
 
Segundo a rádio Jovem que cita  uma nota  da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura e dos Desportos, o governo vai reinaugurar o museu Amílcar Cabral na cidade que fica a Leste do país.
 
Já no período da noite, terá lugar em Bissau, no Centro Cultural Francês, uma noite cultural alusiva a data.
 
Amílcar Cabral nasceu a 12 de setembro de 1924 em Bafatá, filho de pais cabo-verdianos. Aos oito anos de idade, a sua família mudou-se para Cabo Verde, estabelecendo-se em Santa Catarina (ilha de Santiago), onde passou sua infância e completou o ensino primário.
As suas atividades políticas, iniciadas já em Portugal, reservam-lhe a antipatia do Governador da colónia, Melo e Alvim, que o obriga a emigrar para Angola, onde se uniu ao MPLA.
 
Em 1959, Amílcar Cabral, juntamente com Aristides Pereira, seu irmão Luís Cabral, Fernando Fortes, Júlio de Almeida e Elisé Turpin,  fundam clandestinamente o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
 
Quatro anos mais tarde, o PAIGC sai da clandestinidade ao estabelecer uma delegação na cidade de Conakry, para a  23 de janeiro de 1963 iniciar a luta armada contra a metrópole colonialista com o ataque ao quartel de Tite, no sul da Guiné-Bissau.
 
Assassinado a 20 de janeiro de 1973, em Conakry, Amílcar Cabral continua a ser lembrado como um grande nacionalista, humanista, amante da liberdade e um dos mais brilhantes dirigentes da luta de libertação dos povos africanos contra o colonialismo. ANG/Rádio Jovem

Abel Djassi


“Amílcar Cabral é o mais inteligente de todos os dirigentes da luta pela independência...”, diz Manuel Alegre

Bissau,12 Set 18 (ANG) – O poeta e político português, Manuel Alegre afirmou que "Amílcar Cabral foi no seu entender o mais inteligente, o mais criativo e o mais brilhante de todos os dirigentes da luta de libertação dos povos africanos colonizados naquela altura pelo regime português. 

 Manuel Alegre recorda-se de um dia em Argel, onde o português estava exilado, Amílcar Cabral ter puxado os óculos para a testa, como era seu hábito, e com os olhos rasos de lágrimas ter dito:

“Quando for assassinado, sê-lo-ei por um homem do meu povo, do meu partido, provavelmente fundador, ainda que guiado pelo inimigo”. Cabral pressentia o perigo e presságio confirmou-se. Foi assassinado, aos 48 anos, por três homens armados do PAIGC, o seu partido, perto da sua casa em Conacri.

Até hoje as circunstâncias da morte estão por esclarecer. Inocêncio Kani, companheiro de luta de Cabral deu o primeiro tiro, outro, ainda não identificado, deu-lhe os tiros de misericórdia. Também não há uma verdade quanto à autoria moral do crime: um plano da PIDE, a polícia política portuguesa? Divergência no seio do partido? Conflito de interesses na Guiné-Conacri? Morrer é uma das condições da guerra de qualquer combatente. 

Amílcar Cabral era um alvo privilegiado, pela sua acção, mas sobretudo pelo seu pensamento.

No seu livro de memórias, “A Ponta da Navalha”, o jornalista francês Gérard Chaliand, que acompanhou e divulgou a Luta de Libertação na Guiné-Bissau, conta que quando disseram a Nelson Mandela “tu és o maior”, Mandela replicou com toda a simplicidade, “não o maior é Cabral”. 

(...)"Aprendi que não era português"
À uma hora do dia 12 de Setembro de 1924 nascia em Bafatá, na então Guiné Portuguesa, Amílcar Lopes Cabral. Filho de um professor primário cabo-verdiano e de mãe guineense. Aos 8 anos de idade muda-se com a família para a ilha de Santiago, Cabo Verde. Frequentou o liceu Gil Eanes, em S. Vicente, onde completa, em 1944, os seus estudos secundários.


 Recordando os seus tempos de escola Cabral dirá: “Gosto muito de Portugal, do povo português. Houve um tempo na minha vida em que eu estive convencido que era português. Mas depois aprendi que não, porque o meu povo, a história de África, até a cor da minha pele…Aprendi que já não era português”.

Manuel Alegre recorda: “Ele era um homem com um grande sentido de humor, ele dizia que o seu desejo maior era ter sido jogador de futebol ponta esquerda do Benfica ou chefe de uma orquestra do morro, mas que as circunstâncias o tinham transformado enfim no dirigente da luta armada”. 

O governo assinala em Bissau e Bafatá o 12 de setembro com várias atividades políticas e recreativas. ANG/DW África