EUA/Trump acena com ‘acordo’ com Cuba e diz que investimentos da China na Venezuela são ‘bem-vindos’
Bissau, 02 Fev 26 (ANG) - O presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, afirmou sábado (31) que
acredita ser possível "chegar a um acordo" em relação a Cuba.
O líder reiterou seu apelo para que a ilha negocie com
os Estados Unidos.
As declarações, feitas a jornalistas a
bordo do avião presidencial Air Force One, ocorrem em meio às ameaças de Trump
de impor tarifas a qualquer país que forneça petróleo a Cuba.
"Acho que eles certamente virão até
nós e desejarão fazer um acordo, para que Cuba possa ser livre novamente”,
disse. “É uma situação muito ruim para Cuba. Eles não têm dinheiro. Eles não
têm petróleo. Costumavam viver do dinheiro e do petróleo venezuelanos, mas não
receberão mais nada disso agora."
Trump
acrescentou que a situação na ilha "não precisa se tornar uma crise humanitária". “Acho que seremos
generosos”, comentou.
A
Venezuela era a principal
fornecedora de petróleobde Cuba, mas desde o sequestro de seu presidente,
Nicolas maduro, por forças especiais americanas em 3 de janeiro, Caracas passou
a vender o produto para os Estados Unidos.
Há três semanas, Trump disse que seu
governo mantinha um diálogo com Havana, o que foi desmentido pelo presidente
Miguel Díaz-Canel. O líder de Havana reiterou a disposição de seu país para
dialogar com os Estados Unidos, mas sem fazer "nenhuma concessão política".
A pressão exercida por Trump preocupa os
cubanos, que viram se intensificar nas últimas semanas os apagões que enfrentam
– atualmente superiores a 10 horas diárias na capital –, além das dificuldades
para comprar combustível.
As filas nos postos de gasolina de
Havana que vendem combustível em dólares têm várias quadras de extensão. O país
enfrenta há seis anos uma grave crise econômica, com escassez de todo tipo de
produtos e apagões prolongados, devido aos efeitos combinados do endurecimento
das sanções dos Estados Unidos, em vigor desde 1962, da baixa produtividade de
sua economia centralizada e do colapso do turismo.
Nos últimos cinco anos, o PIB cubano
caiu 11% e o governo enfrenta uma severa escassez de divisas para garantir os
serviços sociais básicos, em especial o funcionamento de sua rede elétrica, a
manutenção de seu sistema de saúde e o fornecimento de produtos subsidiados à
população.
Donald
Trump também afirmou que os investimentos chineses na indústria
petrolífera venezuelana seriam "bem-vindos".
A China
era a principal compradora de petróleo venezuelano sob o governo Maduro, cuja
prisão lançou dúvidas sobre o futuro das relações de Pequim com Caracas.
"A China é bem-vinda e conseguiria
um ótimo negócio com o petróleo. Recebemos a China de braços abertos",
comentou o presidente americano a repórteres.
Ele observou que a presidente interina
da Venezuela, Delcy Rodríguez, concluiu um acordo de cooperação energética com
a Índia na sexta-feira (30). "A Índia está entrando e vai comprar petróleo
venezuelano em vez de comprá-lo do Irã, então já chegamos a esse acordo, um
princípio do acordo”, explicou. “Mas a China é bem-vinda para vir comprar
petróleo", reiterou Trump.
A Venezuela possui as maiores reservas
de petróleo do mundo e, sob pressão dos EUA, reformou sua lei de
hidrocarbonetos na quinta-feira, abrindo o setor ao investimento privado.
No momento do sequestro de Nicolás
Maduro, o presidente dos Estados Unidos disse que Washington “agora está no
comando” da Venezuela e que Washington e Caracas compartilhariam os lucros do
petróleo. “Vamos vender muito petróleo, e vamos ficar com uma parte, e eles vão
ficar com uma grande parte, e eles vão se dar muito bem. Eles vão ganhar mais
dinheiro do que jamais ganharam, e isso será bom para nós”, declarou ele, no
começo de janeiro. ANG/RFI/Reuters/AFP

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