Israel/Governo ordena saída da ONG
Médicos Sem Fronteiras de Gaza após impasse sobre lista de funcionários
Bissau, 02 Fev 26(ANG) - Israel anunciou domingo (1º) o fim iminente das operações da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Faixa de Gaza, depois que a ONG internacional se recusou a fornecer uma lista detalhada de seus funcionários palestinos.
O MSF denuncia que se trata de um pretexto para
impedir a ajuda humanitária no território palestino, devastado por dois anos de
guerra entre Israel e o movimento islâmico Hamas.
O Ministério de Assuntos da Diáspora e
da Luta contra o Antissemitismo de Israel, responsável pelo registro de
organizações humanitárias, afirmou em comunicado à imprensa que a MSF deve
deixar o território palestino até 28 de Fevereiro.
Essa decisão segue a recusa da ONG em
apresentar a lista de funcionários locais, uma exigência aplicável a todas as
organizações humanitárias que operam na região, acrescentou o ministério,
acusando a entidade de descumprir um compromisso assumido no início de Janeiro.
O ministério havia alegado anteriormente que dois funcionários da organização
tinham ligações com os movimentos palestinos Hamas e Jihad Islâmica, o que o
MSF nega veementemente.
“A
MSF não forneceu os nomes de seus funcionários porque as autoridades
israelenses não ofereceram as garantias concretas necessárias para assegurar a
segurança de nossas equipes, proteger seus dados pessoais e preservar a
independência de nossas operações médicas”, afirmou a organização em comunicado
neste domingo.
“Este é um pretexto para impedir a
assistência humanitária. As autoridades israelenses estão forçando as organizações
humanitárias a fazer uma escolha impossível: expor seus funcionários a riscos
ou interromper o atendimento médico essencial para pessoas em extrema
necessidade”, acrescentou.
A ONG havia anunciado, na sexta-feira
(30), que inicialmente concordou, de maneira excepcional, em fornecer esses
nomes, antes de revogar o acordo devido à falta de garantias de segurança para
seus funcionários. Segundo a entidade, desde o início da guerra, em 7 de Outubro
de 2023, 1.700 profissionais de saúde foram mortos em Gaza, incluindo 15
funcionários da MSF.
O
ministro da Diáspora Israelense, Amichai Chikli, condenou essa mudança de
posição, afirmando que os funcionários da organização “não atendiam aos
critérios estabelecidos”. O anúncio ocorre num momento em que Israel endureceu
as condições sob as quais as organizações humanitárias operam. Em Dezembro,as
autoridades alertam que 37 ONGs não teriam mais permissão para atuar
em Gaza a partir de 1º de Março.
Uma
diretiva de março de 2025 impõe controles rigorosos sobre os funcionários
palestinos que trabalham para organizações internacionais. Ao mesmo tempo,Israel
está conduzindo uma ofensiva diplomática e administrativa contra a UNRWA a
agência da ONU para refugiados palestinos, acusando-a de conluio com o Hamas.
Israel afirma que alguns de seus funcionários participaram do ataque sem
precedentes do grupo palestino em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a
guerra na Faixa de Gaza.
Em Janeiro, as autoridades israelenses
demoliram prédios na sede da UNRWA em Jerusalém Oriental, uma ação que a
organização descreveu como um “ataque sem precedentes”.
No início de janeiro, a UNRWA anunciou a
demissão de 571 funcionários na Faixa de Gaza por motivos financeiros; esses
trabalhadores já haviam deixado o território palestino.
A UNRWA está agora proibida de operar em Jerusalém Oriental, mas continua suas atividades em Gaza e na Cisjordânia ocupada por Israel. ANG/RFI

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