Cabo Verde/CEMFA alerta para
fraca adesão ao serviço militar obrigatório e reforça desafios estruturais nas
Forças Armadas
|Bissau, 19 Mar 26(ANG) - O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA) afirmou hoje que a instituição enfrenta desafios ligados à fraca adesão ao serviço militar e à escassez de recursos, mas garantiu avanços na modernização de meios e capacidades operacionais.
Manuel Semedo fez este alerta em declarações à imprensa, à margem da reunião do Conselho Superior de Comandos Alargada aos Directores de Serviços e Equiparados realizada hoje na cidade da Praia.
De acordo com o responsável, as Forças Armadas de Cabo Verde enfrentam vários desafios com destaque para a fraca adesão dos jovens ao serviço militar obrigatório e a necessidade de renovação de equipamentos.
“Temos vários desafios, como já tinha dito anteriormente, desde a questão da pouca adesão do pessoal ao serviço militar obrigatório, mas também enormes desafios relativamente, sobretudo, aos equipamentos que temos que renovar”, afirmou.
Segundo
o contra-almirante Manuel Semedo, as Forças Armadas enfrentam ainda limitações
ao nível dos recursos disponíveis para responder às exigências actuais,
incluindo a construção de novas capacidades, nomeadamente no combate a
emergências e catástrofes naturais.
“Os meios precisam ser modernizados e os recursos não são suficientes para isso”, sublinhou.
Apesar dos constrangimentos, o chefe do Estado-Maior assegurou que estão em curso acções concretas para reforçar a operacionalidade, com destaque para a componente marítima e aérea.
“Estamos a dar passos nesse sentido, sobretudo com a aquisição de mais um navio-patrulha”, avançou, acrescentando que um navio-guardião se encontra em fase avançada de reparação, o que permitirá reforçar a defesa dos interesses do Estado no mar.
Na vertente aérea, o CEMFA indicou que a aeronave King Air da Guarda Costeira já se encontra operacional, contribuindo não só para a vigilância, mas também para transferência médicas.
No que se refere à fraca adesão ao serviço militar, Manuel Semedo considerou tratar-se de um fenómeno transversal no país, associado sobretudo à emigração jovem em busca de melhores condições de vida.
“Não é só um problema nosso, é um problema transversal a todas as instituições que fazem esse recrutamento do pessoal civil, estou a referir também à própria Polícia Nacional.
Muitas pessoas estão a imigrar (…) Nós sabemos que somos um povo de imigrantes, então é normal que isso aconteça nesse momento. As pessoas vão para fora, procuram ir em melhores condições de vida e são pessoas jovens que estão a partir”, explicou.
Para inverter este cenário, garantiu que as Forças Armadas estão a investir na valorização do serviço militar e na melhoria das condições oferecidas aos efectivos, embora reconheça a concorrência do mercado externo.
Relativamente à reunião em curso, o responsável indicou que o encontro visa fazer o balanço das actividades do ano anterior, identificar dificuldades e definir metas e perspectivas para o novo ano.
Quanto
ao processo de reformas no sector, afastou a existência de resistências
internas, sublinhando que se trata de um processo gradual e que as reformas
normalmente não se constroem de um dia para o outro, mas que leva tempo e
recursos”, concluiu. ANG/Inforpress

Sem comentários:
Enviar um comentário