Cuba/Governo abre portas da ilha para receber
investimentos de cubanos que vivem no exterior
Bissau, 18 Mar 26 (ANG) - O governo do país caribenho informou que cubanos residentes fora da ilha poderão investir e administrar empresas em diversos setores da economia. Cuba está em negociações com os Estados Unidos.
O ministro do
Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro de Cuba, Oscar Pérez-Oliva,
afirmou na segunda-feira (16) que “Cuba está aberta a manter uma relação
comercial fluida com empresas americanas e também com cubanos e seus
descendentes que residem nos Estados Unidos”.
O anúncio foi feito em um momento em que Cuba, sob embargo dos Estados
Unidos desde 1962, enfrenta uma crise energética que praticamente paralisou sua
economia, após Washington ter cortado o fornecimento de petróleo da Venezuela e
ameaçado impor duras sanções a países que possam vir a ser fornecedores de
combustível para os cubanos. A ilha de 9,6 milhões de habitantes sofreu um
apagão generalizado na segunda-feira; este foi osexto em quase um ano e meio.
A crise energética
afeta setores vitais da economia cubana, como turismo e tabaco. Isso obrigou o
governo a adotar um plano de contingência, que inclui um racionamento drástico
de gasolina, impactando severamente todos os setores.
Em entrevista a uma
televisão cubana, Pérez-Oliva explicou que os imigrantes “podem se associar a
uma entidade pública ou privada” existente na ilha ou criar empresas privadas.
Entre os setores que podem ser fomentados, o ministro cubano citou os bancos de
investimento, a agricultura e a produção de energia e alimentos.
“Foram abertos todos
os canais que a legislação cubana permite para que os cubanos possam se inserir
plenamente no desenvolvimento econômico e social do nosso país”, explicou o
ministro.
Ele indicou que a
abertura não se aplica apenas a pequenos trabalhos. "Isso vai além da
esfera comercial e também se aplica a investimentos; não apenas pequenos
investimentos, mas grandes investimentos, particularmente em
infraestrutura", disse.
No início do ano, o
governo autorizou a associação entre empresas públicas e privadas por 60 anos.
Antes, o governo impedia empresários dos Estados Unidos de fazer negócios em
Cuba. “Mas agora as portas de Cuba estão abertas”, declarou Pérez-Oliva.
O ministro
Pérez-Oliva afirmou que o embargo dos Estados Unidos “é o principal obstáculo
ao desenvolvimento de todas as transformações que Cuba está implementando no
ambiente econômico”.
“Isso nos priva do
acesso a financiamento, acesso à tecnologia, acesso aos mercados e, atualmente,
acesso ao combustível”.
De acordo com
autoridades do país, nenhum carregamento de petróleo chegou a Cuba em 2026.
Esta escassez agravou a crise energética na ilha.
O presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, declarou a repórteres no Salão Oval da Casa
Branca que espera “ter a honra de assumir o controle de Cuba”.
O líder
norte-americano disse: “Quero libertá-la ou tomá-la. Acho que posso fazer o que
quiser”.
O governo Trump
pressiona o presidente Miguel Díaz-Canel, de 65 anos, a renunciar, conforme
informou o The New York Times. Segundo a publicação,
independentemente da saída de Díaz-Canel, que chegou ao poder em 2018, o atual
governo comunista permaneceria em exercício.
O jornal de Nova York
diz que “os americanos afirmam aos negociadores que o presidente cubano deve
sair, mas deixam a decisão sobre como as coisas prosseguirão para o povo de
Cuba”.
O presidente
Díaz-Canel reconheceu que os dois governos mantêm negociações, embora não tenha
revelado o teor dessas conversas. ANG/RFI

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