Médio
Oriente/Filho do último
xá do Irã diz que está 'pronto para governar após queda do regime islâmico’
Bissau, 16 Mar 26 (ANG) - Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, disse neste sábado (14) que está pronto para dirigir o país “após o fim da República Islâmica”.
Vivendo nos Estados Unidos, ele escreveu em mensagem
nas redes sociais que está selecionando representantes da oposição no Irã e no
exterior para integrar um “sistema de transição”. A guerra iniciada pelos
Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, que resultou na morte do aiatolá
Ali Khamenei, já completou duas semanas.
“Indivíduos competentes, dentro e fora do
país, foram identificados e avaliados para dirigir diferentes setores do
sistema de transição”, afirmou Pahlavi. “Sob a minha direção, o sistema de
transição estará pronto para assumir a governança do país e instaurar a ordem,
segurança, liberdade e as condições
necessárias para a prosperidade do Irã o mais rápido possível, assim que a República
Islâmica cair”, disse na mensagem publicada em persa e em inglês.
Reza Pahlavi não voltou ao Irã desde a revolução de 1979, que
derrubou a monarquia. Ele lidera um dos muitos movimentos de oposição sediados
no exterior e reapareceu na cena internacional durante o movimento de
contestação no Irã que atingiu seu auge em Janeiro.
No texto, Pahlavi afirmou que o processo de seleção dos membros
do órgão de transição é conduzido por Saeed Ghasseminejad, principal
conselheiro para questões iranianas no think tank americano Foundation for
Defense of Democracies (FDD) e opositor da República Islâmica. O herdeiro do xá
não obteve até agora o apoio do presidente americano Donald Trump, que nunca o
encontrou oficialmente e, em várias ocasiões, questionou sua capacidade de
dirigir o país.
“Eles falam do filho do xá, mas ele não esteve lá [no Irã] há
muitos anos”, declarou recentemente Donald Trump. O presidente americano
mencionou uma possível solução interna, a exemplo da Venezuela, onde as forças
americanas capturaram em janeiro o presidente Nicolás Maduro, substituído por
sua ex-vice-presidente Delcy Rodríguez. “Gosto da ideia de uma solução interna,
porque funciona bem. Acho que já provamos isso na Venezuela”, declarou.
Após a morte de Ali
Khamenei no ataque americano e israelense, o regime iraniano designou
seu filho, Mojtaba, para ser seu sucessor, considerado por especialistas um
ultraconservador próximo da Guarda Revolucionária. Até agora, o novo líder não
apareceu ou se manifestou em público. Na quinta-feira (12), a televisão estatal
divulgou uma mensagem supostamente escrita pelo novo líder. Segundo o chefe do
Pentagono , Pete Hegseth,
Mojtaba estaria “ferido e provavelmente desfigurado”.
Na sexta-feira (13),
membros do governo e das forças de segurança iranianas foram às ruas de Teerã
para um ato público em apoio ao regime, em meio às explosões. Durante a
manifestação, o chefe da segurança nacional Ali Larijani lançou um alerta ao
presidente americano, Donald Trump. “Quanto mais ele aumentar a pressão, mais
forte será a determinação da nação”, disse.
O chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni Ejei, por sua vez,
permaneceu impassível quando uma explosão sacudiu um bairro próximo, segundo
imagens exibidas pela TV estatal.
A
nomeação de Mojtaba Khamenei para o cargo de líder supremo no Irã, após a morte
de seu pai no primeiro dia da guerra, equivale à instauração de uma “monarquia
hereditária” e torna “o regime mais frágil”, declarou na quinta-feira um grupo
de oposição no exílio na França.
O novo líder supremo iraniano “não
dispõe da autoridade de seu pai”, o aiatolá Ali Khamenei, que comandou o país
por mais de 36 anos, avaliou Mohammad Mohaddessin, presidente da Comissão de
Assuntos Estrangeiros do Conselho Nacional da Resistência Iraniana (CNRI),
diante de jornalistas em Paris.
O CNRI é o braço político da organização
Mujahedins do Povo (MEK), proibida no Irã. O grupo inicialmente apoiou a
revolução de 1979, que derrubou o xá, antes de romper com os dirigentes da
República Islâmica. “A Guarda Revolucionária pressiona os outros a aprovar o
filho de Khamenei. Eles têm a vantagem dentro do regime”, acrescentou
Mohaddessin.
Segundo ele, “o papel criminoso” do novo
líder é “conhecido há muito tempo”. Mohaddessin ressalta que Mojtaba
Khamenei supervisionava não apenas os elementos repressivos das forças de
segurança, mas também o “sistema econômico do regime”.
O CNRI, liderado por Maryam Rajavi, é um
dos grupos de oposição que reivindicam o fim do sistema clerical, ao lado dos
monarquistas reunidos em torno do filho do xá deposto, Reza Pahlavi, embora os
dois movimentos não sejam aliados. ANG/RFI/RFI com agências

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