França/Macron rebate comentários de Trump sobre seu casamento: ‘deselegantes’
Bissau, 02 Abr 26 (ANG) - O presidente francês Emmanuel Macron disse nesta quinta-feira (2) que os comentários de Donald Trump sobre ele e a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, são “deselegantes”.
Macron também lamentou que o presidente americano diga
“todos os dias o contrário” do que disse na véspera. “Ele fala demais e atira
para todo lado. Todos precisamos de estabilidade, de calma, de um retorno à
paz. Isto não é um espetáculo!”, declarou o presidente francês a jornalistas à
margem de uma visita a Seul.
Trump afirmou na
quarta-feira (1°) que Brigitte Macron “trata extremamente mal” seu marido,
acrescentando que ele “ainda está se recuperando do soco que levou no maxilar”,
em alusão a um vídeo de maio de 2025, gravado no Vietnã. Nas imagens,
Brigitte Macron coloca as duas mãos no rosto do presidente francês. O gesto foi
interpretado como um tapa.
Essas falas “são deselegantes e pouco apropriadas. Não merecem
resposta”, reiterou o chefe de Estado no primeiro dia de uma visita de Estado à
Coreia do Sul. Segundo ele, a "esfera pública mundial" é
dominada por "questões bem mais graves, especialmente a guerra", para
se perder tempo com esse tipo de assunto.
Ao ser questionado sobre as ameaças recorrentes de Donald Trump
de abandonar a Otan, Emmanuel Macron criticou sua forma de comunicação. “Se ele
coloca todos os dias em dúvida seu compromisso” dentro da Aliança Atlântica,
“ela perde o sentido”, avaliou.
“É uma responsabilidade que as autoridades americanas assumem
hoje ao dizer todas as manhãs que farão isto, que não farão aquilo ou outra
coisa”, prosseguiu.
Em
relação à Otan e ao conflito no Oriente Médio, “é preciso ser sério e,
quando se quer ser sério, não se diz todos os dias o contrário do que se disse
na véspera”, insistiu Emmanuel Macron. O presidente americano pediu à França e
a outros países para intervir militarmente para desbloquear o estreito de
Ormuz, no Golfo, fechado de fato pela reação iraniana à ofensiva
americano-israelense.
Mas uma operação militar para “liberar” à força o estreito estratégico seria “irrealista”, respondeu o presidente francês.
“Essa nunca foi a opção que escolhemos e
consideramos que ela é inviável”, declarou, estimando que tal operação “levaria
muito tempo” e envolveria “uma série de riscos”.
Ele
voltou a defendera negociação e o cessar-fogo, reiterando que “não é uma ação
militar pontual, nem mesmo durante algumas semanas, que permitirá resolver a
longo prazo a questão nuclear iraniana”, afirmou. “Se não houver uma negociação
diplomática e técnica, a situação pode voltar a se deteriorar em alguns meses
ou anos. Apenas por meio de uma negociação aprofundada, de um acordo, será
possível garantir um acompanhamento duradouro e preservar a paz e a
estabilidade para todos”, concluiu.
ANG/RFICom agências

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