Venezuela/ “Tivemos que
retirar sozinhos nossas famílias dos escombros”, diz
moradora de La Guaira
Bissau, 26 Jun 26 (ANG) - Moradores de prédios atingidos pelos terramotos na Venezuela aguardam laudos sobre a segurança das estruturas e ainda não sabem quando poderão voltar para suas casas.
O governo diz que pelo menos 250 edifícios foram afetados. Em La Guaira,
região mais afetada pelos tremores, a 30 quilómetros de Caracas, moradores
contaram à RFI que
escavam os destroços dos prédios que desabaram com as próprias mãos.
O governo da Venezuela
atualizou na noite de quinta-feira (25)o balanço das vítimas dos terramotos que
atingiram o país na véspera.
Segundo as autoridades,
já são 235 mortos e mais de 4.300 feridos.
O Aeroporto Internacional de Maiquetía, o principal do país, em
La Guaira, região mais atingida pelos terramotos, continua fechado.
Durante os tremores, a
pista de pouso e parte da estrutura do terminal sofreram danos, e ainda não há
previsão de reabertura.
Com isso, o acesso a Caracas tem sido feito por aeroportos que
permanecem em operação, como o de Valência, cidade localizada a cerca de duas
horas da capital venezuelana.
Além da busca por sobreviventes, moradores de prédios atingidos
convivem com a incerteza sobre quando poderão voltar para casa. Em diferentes
bairros de Caracas, edifícios apresentam grandes rachaduras e ainda aguardam
vistorias técnicas para avaliar as condições das estruturas.
Enquanto algumas pessoas deixaram os imóveis e passaram a viver
na casa de parentes ou amigos, outros permanecem em seus apartamentos, mesmo
sem um laudo que ateste a segurança dos edifícios.
Nesta quinta-feira, o Ministério das
Relações Exteriores do Brasil confirmou a morte de dois brasileiros. Segundo o
Itamaraty, as vítimas são um homem e uma mulher. Em nota, o governo informou
que presta assistência consular às famílias e manifestou pesar pelas mortes.
Outros detalhes sobre a identidade das vítimas não foram divulgados.
Além dos brasileiros, seis outros
estrangeiros fazem parte da lista de mortos: um homem nascido em Caracas em
1970 com nacionalidade italiana, dois espanhóis, um português e dois
chineses.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
conversou nesta quinta-feira (25) com a presidente interina da Venezuela, Delcy
Rodríguez, e anunciou o envio de ajuda humanitária ao país.
Segundo o governo brasileiro, uma equipe
formada por bombeiros e agentes da Defesa Civil será enviada nesta sexta (26)
para reforçar os trabalhos de resgate.
No sábado (27), a previsão é que um
outro avião desembarque na Venezuela transportando equipamentos para a montagem
de um hospital de campanha, cem purificadores de água movidos a energia solar,
além de medicamentos e materiais médicos para cirurgias.
Após a conversa, Delcy Rodríguez
agradeceu, em publicação nas redes sociais, a manifestação de solidariedade do
presidente brasileiro e o apoio oferecido pelo Brasil às vítimas dos
terremotos.
Modelos de previsão do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam alta probabilidade de que o número de mortos ultrapasse 10 mil pessoas. Já um site criado para localizar desaparecidos, compartilhado no X por líderes da oposição, muitos deles no exílio, reunia mais de 35 mil nomes ontem, no meio da tarde.
Em contraste, o presidente da Assembleia
Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou em sua conta no Facebook que havia 157
desaparecidos e “mais de 200 pessoas identificadas como presas nos
escombros”. Mas o número real pode ser bastante superior e estar na casa
dos milhares.
A forte discrepância entre os dados
evidencia que ainda não há um balanço consolidado das vítimas, e que os números
permanecem preliminares e sujeitos a revisão. ANG/RFI

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