Bélgica/Europa tenta se proteger da ‘enxurrada’ de produtos chineses e evitar guerra comercial
Bissau, 19 Jun 26 (ANG) - Mais de € 1 bilhão por dia, em média. Esse é o déficit colossal registado pelos países da União Europeia em relação à China. Um déficit que afeta a indústria europeia e preocupa os líderes políticos da UE.
Esse será um dos principais temas do Conselho Europeu
que começa na noite desta quinta-feira (18), em Bruxelas.
Em Abril,
o déficit comercial com a China ultrapassou a marca de € 30 bilhões.Um nível
considerado insustentável pela própria Comissão Europeia, que propõe dotar
a União de instrumentos para reequilibrar sua relação comercial com Pequim.
Entre as medidas estudadas está um mecanismo que excluiria determinados produtos dos mercados públicos europeus e limitaria a aquisição de empresas europeias por grupos chineses.
A França, em particular, defende a
criação de um equivalente europeu da “Seção 301” dos Estados Unidos, que
permite impor sobretaxas direcionadas a produtos de países acusados de práticas
comerciais desleais.
“Devemos assumir medidas de defesa”,
argumentou o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmando que os europeus têm
o direito de reagir “quando nossa soberania está em jogo”.
Desde
2024, com a imposição de tarifas adicionais sobre os carros eléctricos chineses,
a relação comercial entre a UE e a China tornou-se um tema extremamente
sensível. Alguns países europeus temem o início de uma guerra comercial cujas
consequências para a UE são incertas.
Após as sobretaxas europeias sobre os veículos elétricos chineses, Pequim respondeu atingindo setores como o conhaque, a produção suína e os produtos lácteos europeus.
Outra
grande preocupação é a forte dependência da UE em relação à China, que detém
terras raras e matérias-primas estratégicas, essenciais para as indústrias
de alta tecnologia. As restrições impostas por Pequim no ano passado a
determinadas exportações serviram como um alerta aos europeus.
“Isso mostra o quanto é importante
diversificar nossas fontes de abastecimento”, declarou Ursula von der Leyen
durante a cúpula do G7 em Évian.
Há ainda um novo elemento a ser
considerado: a Alemanha, que tradicionalmente resistia à ideia de uma política
comercial mais agressiva em relação à China, está começando a mudar de posição.
Prova disso foram as declarações feitas
na semana passada por Friedrich Merz. Sem citar diretamente a China, o
chanceler alemão criticou a passividade diante de países que não respeitam as
regras comuns em matéria de indústria e comércio.
Essa evolução é acompanhada de perto por
Paris. Do lado francês, celebra-se uma crescente convergência com a Alemanha,
embora Berlim continue insistindo na necessidade de não apontar oficialmente um
país específico.
Para os europeus, o desafio é encontrar
um equilíbrio delicado: proteger-se melhor contra os subsídios e os excessos de
capacidade produtiva chineses sem chegar a uma ruptura econômica com Pequim.
“Desvincular nossas economias não é
desejável nem realista”, lembrou o comissário europeu do Comércio, Maroš
Šefčovič, diante dos eurodeputados. O objetivo declarado é, antes,
“reequilibrar” as trocas comerciais e restabelecer condições de concorrência
justas.
O debate promete ser intenso em
Bruxelas. Embora uma maioria dos Estados-membros pareça agora favorável a um
endurecimento da política comercial europeia, a UE continua exposta a possíveis
represálias chinesas. Entre a defesa de sua indústria, a dependência de
matérias-primas estratégicas e o receio de uma guerra comercial, a Europa ainda
busca a resposta adequada para lidar com a crescente potência económica
chinesa. ANG/RFI

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