quinta-feira, 11 de junho de 2026

México/Governo monta megaoperação inédita para garantir segurança da Copa contra protestos e narcotráfico

Bissau, 11 Jun 26 (ANG) - O México se prepara para abrir a Copa do Mundo sob um esquema de segurança inédito, criado para conter riscos ligados ao narcotráfico e às manifestações previstas para o dia da estreia.

O plano “Kukulcán” transformou a Cidade do México em um território de circulação controlada, com ruas fechadas, barreiras policiais e tecnologia militarizada.

A operação envolve mais de 11 mil agentes e sistemas antidrones, além de perímetros rígidos ao redor do estádio Azteca. 

O México se prepara para inaugurar a Copa do Mundo de 2026 no estádio Azteca sob um esquema de segurança sem precedentes.

O governo montou o chamado plano “Kukulcán”, um dispositivo que combina forças policiais, tecnologia militar e barreiras físicas para tentar conter duas preocupações centrais: a ameaça de narcoterrorismo e a mobilização de milhares de manifestantes que prometem ocupar as ruas no dia da abertura

. A operação transformou a Cidade do México em um território altamente controlado, com circulação limitada e vigilância reforçada.

No centro histórico da capital, chegar ao Zócalo, uma praça na região central da cidade do México, virou um desafio. Ruas fechadas, desvios improvisados e barreiras policiais criam um labirinto que afeta moradores, turistas e comerciantes.

A prefeitura estima que 3.500 policiais atuarão apenas na área do Fan Fest, espaço que deve receber cerca de 60 mil pessoas por dia para acompanhar os jogos em telões. Para quem trabalha ali, o clima é de tensão.

Dulce Chacón, vendedora desde a infância na região, diz não confiar na capacidade da polícia de proteger os comerciantes. 

“O centro histórico é muito bonito, o problema é que agora está muito caótico e há gente demais. E para mim parece muito inseguro, porque além disso os policiais não vão nos ajudar muito”, afirma.

O plano “Kukulcán” inclui sistemas antidrones, helicópteros, veículos blindados e equipes especializadas em controle de multidões. No total, mais de 11 mil agentes serão mobilizados nas três cidades mexicanas que receberão partidas do Mundial.

A maior parte — cerca de 60% — estará concentrada nos arredores do estádio Azteca, palco da abertura e símbolo histórico do futebol mundial. A dimensão do aparato reflete o peso do evento e a preocupação das autoridades com possíveis ataques de grupos ligados ao narcotráfico, que operam em diversas regiões do país.

A poucos quilómetros do estádio, o controle é rígido. Jeshua Campesino, morador da região e funcionário do Azteca, descreve o trajeto até o trabalho como uma sucessão de barreiras. “Quando você chega a um quilómetro e meio do estádio, começa o perímetro montado pelos agentes de segurança.

Eles exigem que você mostre uma credencial oficial da Fifa ou prove que mora dentro da área. E, depois que você passa esse perímetro, ainda há muitos outros agentes em pontos estratégicos fazendo diferentes verificações lá dentro”, explica.

Esse esquema específico, chamado “Última Milla”, será ativado apenas durante as partidas. Embora o México receba 13 jogos no total, apenas quatro ocorrerão na Cidade do México. Ainda assim, o governo federal decidiu concentrar esforços na capital,onde se espera maior fluxo de torcedores estrangeiros e maior visibilidade internacional.

A operação também busca evitar que protestos interfiram na cerimónia de abertura, já que movimentos sociais e sindicatos anunciaram marchas contra políticas económicas e de segurança do governo.

A preocupação com manifestações não é nova. A Cidade do México tem tradição de grandes protestos, e a proximidade entre o Zócalo, o Palácio Nacional e o estádio Azteca torna o trajeto sensível para autoridades. O governo teme que grupos aproveitem a presença da imprensa internacional para ampliar reivindicações, o que explica o reforço de barreiras e a limitação de circulação em áreas estratégicas. 

O uso de tecnologia militarizada também chama atenção. Sistemas antidrones foram instalados para evitar sobrevoos não autorizados, prática que já preocupou autoridades em outros grandes eventos esportivos. Helicópteros farão patrulhamento constante, e veículos blindados estarão posicionados em pontos estratégicos. ANG/RFI

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