quinta-feira, 11 de junho de 2026

Política/CNT diz que  Guiné-Bissau não manifestou o interesse de  reintegrar na  CPLP

Bissau, 11 Jun 26 (ANG) - O Conselho Nacional de Transição (CNT) afirmou esta quarta-feira que a Guiné-Bissau não manifestou interesse em regressar à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), considerando que a organização deixou de representar os interesses dos seus Estados-membros e passou a servir objetivos geopolíticos de Portugal.

A posição foi divulgada através de um comunicado oficial apresentado em Bissau pelo porta-voz do CNT, Fernando Vaz, em resposta às recentes declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel.

Numa recente declaração à imprensa portuguesa, Paulo Ranger manifesta apoio da CPLP a realização de novas eleições na Guiné-Bissau e  pediu a libertação de Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC.

No comunicado, o órgão legislativo de transição sustenta que a soberania da Guiné-Bissau foi conquistada pelo próprio povo durante a luta de libertação nacional e que, por isso, não necessita da aprovação ou legitimação de organizações internacionais para definir o seu percurso político.

O CNT destacou igualmente que os processos eleitorais realizados no país foram financiados maioritariamente pelo Orçamento Geral do Estado, contrariando a ideia de dependência externa.

A entidade garante que as próximas eleições seguirão o mesmo modelo, sendo organizadas e financiadas pelas autoridades nacionais.

Segundo o comunicado, a capacidade de assegurar os custos eleitorais demonstra a autonomia do Estado guineense e a sua determinação em exercer plenamente as responsabilidades inerentes à sua soberania.

O órgão criticou ainda a decisão da CPLP de suspender a Guiné-Bissau, classificando-a como uma medida contrária aos estatutos da organização e adotada sem o devido consenso entre os Estados-membros.

Em reação às declarações do chefe da diplomacia portuguesa sobre uma eventual reavaliação da suspensão, o CNT diz  que tal posição revela uma postura de ingerência nos assuntos internos do país e uma visão que desrespeita a autodeterminação nacional.

O comunicado acusa também Portugal de procurar influenciar questões políticas e judiciais da Guiné-Bissau, advertindo que qualquer tentativa de interferência externa será rejeitada pelas autoridades de transição.

Na conclusão da nota, o Conselho Nacional de Transição reafirma que o futuro político do país deve ser decidido exclusivamente pelos cidadãos e pelas instituições nacionais, defendendo um caminho baseado na independência, soberania e autodeterminação do povo guineense. ANG/MI/ÂC//SG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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