Irã / Governo diz que cessar-fogo
‘perdeu sentido’ após ataques dos EUA e fecha ‘totalmente’ Estreito de Ormuz
Bissau, 11 Jun 26 (ANG) - O cessar-fogo que entrou em vigor entre Teerã e Washington em 8 de abril “praticamente não faz mais sentido”, afirmou a diplomacia iraniana após os novos bombardeios dos EUA na madrugada desta quinta-feira (11).
O país anunciou o fechamento "total" do Estreito
de Ormuz "até nova ordem".
“Os ataques ilegais e criminosos perpetrados
pelos Estados Unidos nas últimas horas constituem não apenas uma violação
flagrante da Carta das Nações Unidas, mas também tiram o sentido do
cessar-fogo”, reagiu o Ministério das Relações Exteriores, em comunicado.
Apesar das novas
tensões, os esforços para alcançar um acordo preliminar entre o Irã e os
Estados Unidos se intensificaram. As discussões giram principalmente em torno
de um mecanismo para o desbloqueio de recursos iranianos congelados no
exterior.
Um compromisso político
já teria sido alcançado, mas o Irã espera que entre US$ 6 bilhões e US$ 12
bilhões em ativos congelados sejam devolvidos a Teerã. “Washington
quer liberar os fundos em parcelas para bens de finalidade humanitária e se
recusa a simplesmente devolvê-los ao Irã”, afirmou uma fonte iraniana.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, acusou
o país de “brincar de gato e rato” nas negociações. “Se tivermos que negociar
com bombas, negociaremos com bombas, e somos muito bons nisso”, ameaçou.
Já Donald Trump
acusa Teerãde protelar as negociações para encerrar a guerra no Oriente
Médio. “Estávamos realmente prestes a concluir um acordo, mas eles continuam
nos enganando, estão zombando de nós”, afirmou o presidente americano à
imprensa na quarta-feira (10).
O Paquistão, país
mediador na guerra entre os Estados Unidos e o Irã, lamentou nesta quinta-feira
a “escalada” militar nos últimos dias no Oriente Médio e reiterou seu apelo por
uma “solução negociada”.
“A diplomacia e o diálogo devem ser os princípios básicos para alcançar uma solução”, declarou à imprensa, em Islamabad, o porta-voz da diplomacia paquistanesa, Tahir Andrabi, após novos bombardeios durante a noite no Golfo.
Os negociadores do Catar haviam chegado a Teerã na véspera para
tentar reduzir as divergências entre os EUA e o país.
Os
Estados Unidos realizaram, na madrugada desta quinta-feira, novos
bombardeios contra o país, que reagiu com ataques a bases militares no Kuwait e
no Bahrein.
Segundo o exército americano, a ofensiva no Irã visou “instalações de vigilância militar, sistemas de comunicação e locais de defesa aérea iranianos em todo o país”, sobretudo no sul. Mas áreas próximas à capital também foram atingidas, especialmente em Karaj, Nazarabad e Pishva, segundo a Guarda Revolucionária.
Explosões foram ouvidas na ilha de
Qeshm, em Minab, Sirik e no porto de Bandar Abbas, no sul do país. No Irã, pelo
menos três pessoas ficaram feridas na região de Teerã após os ataques
conduzidos pelos Estados Unidos durante a noite, informou a agência Fars.
A Guarda Revolucionária afirmou ter
lançado drones contra bases militares de Ali al-Salem e Ahmad al-Jaber, no
Kuwait, e contra a base aérea Sheikh Isa, no Bahrein. A imprensa iraniana
também anunciou um ataque ao quartel-general da 5ª Frota americana no Bahrein.
Sirenes de alerta aéreo foram acionadas
no Bahrein, segundo o Ministério do Interior.
No Kuwait, o Exército anunciou estar
“combatendo alvos aéreos hostis”, e a autoridade de aviação civil fechou o
espaço aéreo do emirado e prometeu atacar todos os navios que tentarem
atravessar o Estreito de Ormuz.
Ainda nesta quinta-feira, o Kuwait
anunciou a reabertura de seu espaço aéreo e a retomada das atividades em seu
aeroporto internacional, após a interrupção provocada pelos ataques iranianos.
O Irã também afirma ter disparado 12 mísseis balísticos contra a base de
Al-Azrak, na Jordânia, usada pelos Estados Unidos.
O Exército jordaniano informou na
quinta-feira ter derrubado 20 mísseis iranianos, após a Guarda Revolucionária
iraniana divulgar que atacou um centro de comando americano no país.
“Na quinta-feira de madrugada, os
sistemas de defesa aérea e a força aérea interceptaram e derrubaram 20 mísseis
que tinham sido lançados do Irã em direção a Azraq”, onde está localizada uma
base americana, declarou uma autoridade militar citada em comunicado,
referindo-se a uma área situada a cerca de 80 km a leste de Amã. “A
interceptação resultou na queda de diversos destroços, sem causar vítimas nem
danos materiais”, segundo a mesma fonte.
Os três marinheiros indianos dados como desaparecidos após um ataque reivindicado pelo Exército americano na quarta-feira contra um petroleiro de bandeira de Palau, ao largo de Omã, morreram, anunciou o ministro indiano dos Transportes Marítimos, Sarbananda Sonowal, no X.
O exército americano confirmou que um de
seus aviões de combate abriu fogo na quarta-feira contra o Setebello, que,
segundo os EUA, tentava exportar petróleo iraniano apesar do bloqueio imposto
por Washington. O Comando Militar americano para o Oriente Médio (Centcom)
informou no X que o disparo teve como alvo “a casa de máquinas” do navio “após
a tripulação recusar obedecer às ordens das forças americanas”.
A Índia convocou na quarta-feira à noite
o encarregado de negócios americano em Nova Délhi e expressou “forte protesto”
em relação ao ataque, indicou à AFP um alto funcionário do governo indiano.
Vinte e quatro marinheiros indianos estavam a bordo do petroleiro. O Setebello
é o oitavo navio neutralizado desde o início do bloqueio imposto pelos Estados
Unidos aos portos iranianos, segundo o Exército americano.
Na segunda-feira (8), equipes de resgate
de Omã evacuaram de helicóptero 24 indianos de outro petroleiro registrado em
Palau, o Marivex, atingido por tiros americanos quando estava ao largo de Omã.
O sultanato fica na entrada do Estreito de Ormuz.
Washington, que também impõe um bloqueio
aos portos iranianos, negou qualquer bloqueio do Estreito. “Navios comerciais
continuam a transitar pelo Estreito de Ormuz esta noite”, escreveu no X o
Comando Militar americano para o Oriente Médio (Centcom).
Nesta
quarta-feira, o primeiro-ministro israelita, pediu aos libaneses que se
juntem à luta de Israel contra o Hezbollah, afirmando que o país foi “feito
refém” pelo grupo pró-iraniano. Após ataques israelenses a Beirute, Irã e
Israel realizaram ataques recíprocos no domingo e na segunda-feira, pela
primeira vez desde a entrada em vigor do cessar-fogo entre Teerã e Washington
em 8 de Abril.
Teerã exige que o Líbano, onde seu aliado Hezbollah enfrenta Israel desde 2 de Março, seja incluído em qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de Fevereiro por um ataque israelo-americano contra o Irã. Mais de 3.600 pessoas foram mortas no Líbano em ataques israelenses desde o início da guerra.
ANG/RFICom agências

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