quinta-feira, 11 de junho de 2026

França/Copa de 2026 começa sob tensões geopolíticas, críticas a Trump e com recorde de seleções

Bissau, 11 Jun 26 (ANG) - Uma cerimónia grandiosa e repleta de estrelas abre nesta quinta-feira (11) a Copa do Mundo de 2026 e o  jogo de estreia será entre a seleção mexicana e a África do Sul, na Cidade do México, um dos três países organizadores do evento, ao lado do Canadá e dos Estados Unidos.

Esta 23ª edição do evento esportivo mais popular do planeta entra para a história como a maior já realizada, com 48 seleções. No entanto, também é marcada por um contexto conturbado, com tensões geopolíticas e polêmicas, especialmente relacionadas à rígida política migratória do governo americano.

Há meses, o impacto da guerra entre os Estados Unidos e o Irã gerava dúvidas sobre o tratamento que seria dado à selecção iraniana. A equipe está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Nova Zelândia e Egito, e tem as três partidas da fase de grupos agendadas em solo americano.

É a primeira vez em quase 100 anos de Copa do Mundo que um país anfitrião recebe uma seleção de um país com o qual mantém um conflito direto. A poucos dias do início do torneio, o governo de Donald Trump autorizou a entrada  da delegação iraniana para disputar partidas em Los Angeles e Seattle.

No entanto, os vistos são válidos por apenas 24 horas. Nesse período, a seleção terá que entrar no país, disputar a partida e sair. As autorizações abrangem apenas os jogadores e alguns membros essenciais da comissão técnica.

Outros integrantes, como membros da equipe médica, treinadores e até o presidente da Federação Iraniana de Futebol, ex-integrante da Guarda Revolucionária, tiveram a entrada negada. Segundo relatos, o presidente da Fifa atuou intensamente nos bastidores para contornar uma das maiores crises da história recente da competição.

Outra polêmica que deve marcar esta edição envolve o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Ele havia sido selecionado como um dos três árbitros africanos para o Mundial, mas, após mais de 11 horas de interrogatório ao chegar a Miami, foi deportado. 

De acordo com o próprio árbitro, toda a documentação estava regular, incluindo o visto. Já o governo americano alegou que ele representava um risco à segurança nacional, citando supostas conexões com grupos terroristas. O caso provocou uma onda de indignação global.

Questionado nesta quarta-feira (10) durante entrevista coletiva, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, classificou a decisão como “infeliz”, mas afirmou que a entidade “não pode controlar tudo”.

 Imagens que viralizaram nas redes sociais mostrando inspeções rigorosas nas delegações de Senegal e Uzbequistão em solo americano também geraram críticas. As abordagens foram consideradas como humilhantes. A negativa de vistos para torcedores, além dos preços elevados de ingressos e dos custos de transporte em algumas cidades americanas, contribui para prejudicar a imagem desta edição do torneio.

Uma hora e meia antes da abertura oficial, marcada pelo jogo entre México e África do Sul, no mítico Estádio Azteca, às 13h (horário local), 14h em Brasília, está prevista a realização de um espetáculo musical. Entre as principais atrações estãoa Colombiana Shakira e o nigeriano Burna Boy, que apresentarão ao vivo a música oficial da Copa, Dai Dai. Outros artistas, como Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean e Los Ángeles Azules, também participarão da cerimónia, interpretando faixas do álbum oficial do torneio.

 A competição terá 104 partidas em 16 cidades: 11 nos Estados Unidos, duas no Canadá e três no México. O país latino-americano se torna o primeiro a sediar o Mundial pela terceira vez, além das edições de 1970 e 1986.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que nada deve comprometer a cerimônia de abertura, apesar da tensão social no país, marcada por uma onda de protestos na capital. Há uma mobilização para garantir que o início do torneio ocorra sem incidentes.

Há consenso entre especialistas de que as seleções favoritas ao título são aquelas mais bem posicionadas no ranking da Fifa. Argentina e França actual campeã e vice, respectivamente, lideram as apostas, ao lado da Espanha, que se destacou nas eliminatórias e ocupa a segunda posição no ranking, atrás apenas da seleção argentina.

Inglaterra e Portugal também aparecem entre as principais candidatas. Alemanha e Brasil surgem logo em seguida na lista de favoritos. A selecção brasileira segue sua preparação para a estreia, no sábado (16), contra o Marrocos.

O técnico Carlo Ancelotti comanda, na manhã desta quinta-feira, um treino no Columbia Park, em Nova Jersey, aberto à imprensa apenas nos primeiros 15 minutos. À tarde, está prevista uma entrevista coletiva com o goleiro Alisson. ANG/RFI

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