terça-feira, 16 de junho de 2026

   Regiões/Cerca de 320 crianças e jovens fora do sistema do ensino em Cabedu

Bissau 16 Jun 26 (ANG) - Mais de 300 crianças e jovens da tabanca de Cabedu, setor de Bedanda, região de Tombali, sul da Guiné-Bissau estão fora da rede escolar naquela localidade.

Segundo a Capital News, o representante dos jovens de Cabedu, Sadja Sene Camará, apresentou no domingo um diagnóstico da realidade e relatou que 318 crianças e jovens, dos 6 aos 18 anos, estão fora da rede escolar. .

Segundo explicou, a ausência de escola obriga os alunos a caminhar mais de  sete km até à tabanca de Cabanti,sendo qu muitos  desistem a meio do caminho.

O líder juvenil lembra que, desde o encerramento do Projeto Effective Intervention, não existe escola nesta localidade e o edifício onde funcionava encontra-se totalmente degradado.

Segundo o  representante dos jovens, a falta de escola gera impactos diretos no desenvolvimento humano e comunitário e um dos mais graves é o casamento precoce e forçado.

Sadja Camará contou que raparigas de  12 à 15 anos de idade são levadas ao  casamento para “garantir o futuro” e, em consequência, interrompem os estudos.

 “O êxodo rural também avança, uma vez que famílias saem para Bissau, Quebo, Catió e outras localidades à procura de escola para os filhos . Cabedu perde mão-de-obra jovem, a produção agrícola reduz e a coesão social da tabanca enfraquece”, disse.

Acrescentou que diante desse cenário, a comunidade elaborou um Projeto Político-Pedagógico para uma escola do 1.º ao 6.º ano, com turmas de aceleração para jovens de 14 a 18 anos.

A escola será de gestão participativa, envolvendo a Associação de País e Conselho de Anciões mas ainda não há  financiamento para sua construção.

Camará  realçou que a comunidade exige resposta “urgente” da Delegacia Regional de Educação de Tombali e o apoio de parceiros como UNICEF e ONGs para tirar o projeto do papel e contribuir para a melhoria de vida da população.

“Sem escola, Cabedu perde geração atrás de geração. A escola é a intervenção mais direta para quebrar esse ciclo”, disse Sadja Sene Camará. ANG/MSC//SG

 

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