sexta-feira, 12 de junho de 2026

Coreia do Sul/Ex-presidente  condenado por trama com drones para decretar lei marcial

Bissau, 12 Jun 26 (ANG) - O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol foi condenado nesta sexta-feira (12) a 30 anos de prisão por ter enviado drones à Coreia do Norte com o objetivo de provocar Pyongyang e criar um pretexto para decretar a lei marcial em Dezembro de 2024, visando benefício político pessoal.

O ex-chefe de Estado, de 65 anos, já havia sido condenado à prisão perpétua em Fevereiro por “insurreição”, após tentar impor a lei marcial e enviar tropas ao Parlamento para silenciá-lo.

Ele também recebeu uma pena de cinco anos de prisão em Janeiro em outro desdobramento do caso, pena que foi ampliada para sete anos em Abril, após recurso, por obstrução da Justiça. Além disso, a Justiça o acusava de ter ordenado o envio de drones militares carregados com panfletos de propaganda sobre Pyongyang em outubro de 2024, o que aumentou as tensões entre os dois países.

De acordo com a decisão dos juízes, ele pretendia criar “a base legal e a justificativa necessárias para declarar a lei marcial”, incentivando a Coreia do Norte a realizar ações armadas ou equivalentes contra o Exército ou a população sul-coreana. A iniciativa tinha como objetivo “provocar uma crise de segurança nacional”.

Os magistrados acrescentaram que a operação utilizou “capacidades militares para fins privados”, sem qualquer relação com a segurança nacional ou a defesa do território. Para eles, Yoon acreditava que poderia usar arbitrariamente seus poderes em benefício político próprio.

Os promotores, que haviam pedido a pena de 30 anos de prisão, também sustentaram que a operação provocou o vazamento de informações confidenciais, já que alguns drones caíram em território norte-coreano.

Contrariando expectativas, a Coreia do Norte reagiu de forma moderada, limitando-se a advertir que responderia caso novos drones fossem lançados.

Mesmo assim, dois meses depois, Yoon tentou implementar a lei marcial, justificando a medida por supostas ameaças representadas por “forças antiestatais” ligadas à Coreia do Norte e pelo fato de o Parlamento, controlado pela oposição, rejeitar seu orçamento.

Um número suficiente de parlamentares conseguiu entrar no Parlamento, cercado por soldados, e aprovou uma resolução contra a lei marcial, obrigando Yoon a recuar. O episódio desencadeou uma profunda crise política na Coreia do Sul.

Destituído do cargo em abril de 2025 e atualmente preso, Yoon recorreu da condenação à prisão perpétua, alegando ter agido “apenas pelo bem da nação”.

Seus advogados rejeitaram as acusações relacionadas aos drones, afirmando que não houve “nenhuma ordem prévia nem aprovação posterior” por parte do ex-presidente. Eles classificaram a operação como um “ato legítimo de autodefesa”, após o envio, pela Coreia do Norte, de balões carregados de lixo para o Sul.

A defesa denunciou ainda o que chamou de “narrativa especulativa e mentirosa”.

Os voos de drones continuam sendo um ponto de tensão nas relações entre as duas Coreias, que tecnicamente ainda permanecem em guerra.

O atual presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, manifestou “arrependimento” no início deste ano após uma investigação revelar o envolvimento de autoridades governamentais no envio de drones civis ao Norte em janeiro.

Pyongyang afirmou ter abatido um drone equipado com “material de vigilância” perto da cidade de Kaesong, próxima à fronteira intercoreana, e prometeu uma resposta “terrível” em caso de nova incursão.

As esperanças de distensão diminuíram depois que a Coreia do Norte, cada vez mais isolada diplomaticamente, voltou a classificar o Sul como seu inimigo ”mais hostil”. ANG/RFI

Sem comentários:

Enviar um comentário