Espanha/ "Todos
somos migrantes" - Leão XIV
Bissau,
12 Jun 26 (ANG) - O Papa disse hoje que todas as pessoas são migrantes de
alguma forma e apelou a que todos contribuam para fazer "da
travessia" da imigração um "lugar mais humano".
"Todos,
de algum modo, somos migrantes, todos somos peregrinos a caminho da pátria
celestial. Ajudemo-nos a fazer desta travessia um lugar mais humano para todos,
contribuindo com o que estiver ao alcance de cada um", disse Leão XIV.
O
Papa falava num encontro com imigrantes em Tenerife, no arquipélago espanhol
das Canárias, que lida diariamente com a chegada de pessoas a bordo de embarcações
precárias conhecidas como 'pateras' ou 'cayucos', oriundas das costas
africanas.
Leão
XIV agradeceu ao Governo de Espanha, às autoridades locais e diversas
instituições, assim como a "tantos homens e mulheres de boa vontade"
por tornarem possível "ajuda humanitária concreta, que devolve a esperança
e dignifica tantas pessoas" nas Canárias, como acontece no centro "As
Raízes" que hoje visitou, um antigo quartel militar transformado em 2021
em centro de acolhimento de migrantes que chegam ao arquipélago em 'pateras'.
Segundo
dados divulgados hoje por um responsável do centro, já passaram por "As
Raízes", onde trabalham 600 pessoas, mais de 70 mil migrantes desde 2021,
"cada um com uma história, para um primeiro acolhimento digno".
Durante
a visita, o Papa ouviu vários testemunhos de migrantes, que agradeceram à
Igreja Católica, à comunidade local, às organizações e "todas as pessoas
solidárias" o acolhimento e "um mão estendida" à chegada às
Canárias.
"Que
as fronteiras não se transformem em muros de indiferença", pediu uma das
imigrantes que hoje se dirigiu ao Papa.
Leão
XIV termina hoje uma visita a Espanha que o levou a Madrid, Barcelona e às
Canárias.
O
Papa chegou na quinta-feira ao arquipélago para dois dias de uma agenda
totalmente dedicada à imigração e ao fenómeno das 'pateras'.
Leão
XIV está a cumprir uma promessa do antecessor, Francisco, que manifestou o
desejo de ir às Canárias para dar visibilidade ao problema da imigração e, em
concreto, das 'pateras'.
O
Papa está hoje em Tenerife depois de, na quinta-feira, ter visitado a ilha de
Gran Canária, onde disse que a Europa "não pode proclamar a dignidade
humana" e normalizar o drama do Mediterrâneo e Atlântico transformados em
"cemitérios sem lápides" de migrantes, apelando a um "exame de
consciência" de políticos e sociedade civil.
"Não
podemos habituar-nos a contar mortos. A dignidade humana não tem passaporte nem
perde valor ao cruzar a fronteira", disse Leão XIV, num discurso perante
1.800 pessoas, incluindo centenas de imigrantes, no porto de Arguineguín, que
em 2020 ficou conhecido como "o porto da vergonha" pela forma como
milhares de pessoas chegadas às ilhas em 'pateras' ficavam amontoadas dias a
fio no cais, sem resposta.
O
Papa insistiu num "exame de consciência" por parte da comunidade
internacional e defendeu que "a dignidade humana exige vias legais e
seguras [de imigração], resgate e assistência, cooperação real contra os
traficantes, proteção efetiva das vítimas, processos sérios de acolhimento e
integração e políticas que permitam a cada pessoa viver com dignidade na sua
própria terra".
Mais
tarde, numa missa perante mais de 30 mil pessoas num estádio da Gran Canária, o
Papa acrescentou que a caridade não é só assistencialismo, é também integração,
e agradeceu às Canárias todo o esforço e trabalho de acolhimento com migrantes.
Em
2025, segundo dados oficiais, chegaram 17.788 pessoas em 'pateras' às Canárias,
depois dos recordes de 2023 e 2024, quando foram 39.910 e 46.843,
respetivamente. Outras 3.100 morreram no mar no ano passado, segundo a ONG
Caminando Fronteras, que classifica a "rota das Canárias" a rota de
imigração mais mortal do mundo. ANG/Inforpress/Lusa

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