França/Líderes reagem com otimismo a
acordo entre EUA e Irã, apesar da oposição de Israel
Bissau, 15 Jun 26 8ANG) - O Irã e os Estados Unidos anunciaram a conclusão da primeira fase de um acordo no domingo (14) para encerrar o conflito que teve início em Fevereiro.
Os dois países devem enviar em breve delegações a Doha, onde terão “reuniões preparatórias” antes da assinatura oficial do documento, prevista para sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça. Líderes em todo o mundo receberam o anúncio com otimismo.O memorando estabelece os princípios de
um cessar-fogo, antes do início da segunda fase de negociações, que deve se
estender por 60 dias.
As questões que serão abordadas nessa
nova etapa incluem temas polêmicos, como a manutenção do programa nuclear
iraniano, a estocagem de urânio altamente enriquecido e a retirada progressiva
das sanções americanas.
No domingo, ao confirmar o compromisso, Trump anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz sem taxa de passagem e o fim imediato do bloqueio naval americano.
Segundo ele, após operações de desmontagem de minas no estreito, o petróleo voltará a circular livremente a partir de sexta, logo depois da assinatura do memorando na Suíça.
O ministro israelense de extrema direita responsável pela Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, criticou o acordo nesta segunda e afirmou que Israel não está vinculado às decisões tomadas entre Irã e EUA.
“O acordo de Trump não nos compromete.
Não fazemos parte desse acordo. Ele não garante nossa segurança”, afirmou Ben
Gvir em seu canal no Telegram.
“Não
devemos nos contentar com nada que fique aquém do desmantelamento do Hezbollah.
Não devemos nos retirar um único centímetro do território que nossos soldados
conquistaram e libertaram das infraestruturas terroristas (no Líbano)”,
acrescentou.
“A campanha conjunta (Estados
Unidos-Israel) obteve muitos sucessos ao enfraquecer o Irã, e esses resultados
não foram em vão”, declarou o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, em seu
canal no Telegram.
“Teremos de continuar por conta
própria a campanha para derrubar o regime, utilizando meios criativos, e
garantir que o Irã nunca adquira armas nucleares”, acrescentou, defendendo o
reforço da campanha militar no Líbano.
“É no Líbano que seremos julgados. É a nossa guerra, são os nossos soldados, e está em jogo a segurança imediata dos nossos habitantes do norte”, concluiu. Apesar das divergências entre Israel, os EUA e o Irã, as reações de líderes mundiais ao acordo foram otimistas.
“Aguardo
com expectativa o fim desta guerra de alto custo e a plena restauração da
liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”, reagiu no X o presidente do
Conselho Europeu, António Costa, poucas horas após o anúncio.
O bloco europeu propôs apoio logístico e diplomático para concluir as negociações. “Com seu peso econômico, conhecimento nuclear e suas relações de longa data com os parceiros do Golfo, a União Europeia está pronta para contribuir para uma solução duradoura”, disse Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE. “A prioridade agora é a implementação ‘rápida e completa’ do acordo por todas as partes”, acrescentou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
“A liberdade de navegação deve ser
restabelecida, sem taxas de passagem. Isso é essencial para a estabilidade
regional e para a economia mundial”, acrescentou. Von der Leyen também defendeu
um “verdadeiro cessar-fogo” no Líbano. “Não pode haver paz no Oriente Médio
enquanto o Líbano estiver em chamas.”
Os ministros das Relações Exteriores da
UE também discutem uma possível contribuição da missão naval europeia Aspides
para a segurança do Estreito de Ormuz, principalmente nas operações de
desmontagem de minas.
O chanceler Jean-Noël Barrot afirmou que
a missão internacional já está “pronta”. De acordo com ele, vários países
organizaram uma operação defensiva que pode ser rapidamente mobilizada para
retomar o tráfego marítimo no estreito. Ele também destacou a importância de
avaliar as consequências do acordo, apoiar o Líbano e avançar nas negociações
sobre o programa nuclear e balístico iraniano.
O
presidente francês elogiou a conclusão do acordo em uma mensagem publicada
no X de domingo para segunda. Na mensagem, ele destaca que o memorando é
resultado de um "esforço diplomático coletivo."
A primeira-ministra japonesa, Sanae
Takaichi, disse esperar garantias efetivas de segurança e liberdade de
navegação em Ormuz, além da conclusão rápida de um acordo definitivo sobre o
programa nuclear iraniano.
Em um comunicado, o governo australiano
insistiu que o Irã deve responder às preocupações sobre seu programa nuclear.
Para o primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, a reabertura do
estreito é um passo importante para estabilizar rotas comerciais e o
abastecimento energético.
A China também elogiou o acordo e os
esforços de mediação do Paquistão, declarou na segunda-feira Lin Jian,
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.
Pequim espera que Washington e Teerã
assinem o texto “como previsto” e que “todas as partes envolvidas priorizem o
caminho da paz, a fim de resolver suas divergências por meio do diálogo e da
negociação”, afirmou Jian durante coletiva diária à imprensa. ANG/RFICom
agências

Sem comentários:
Enviar um comentário