Líbano/Libaneses estão divididos
entre alívio, cautela e ceticismo após acordo de cessar-fogo entre Irã e EUA
Bissau, 16 Jun 26 (ANG) - Após quinze semanas de combates que causaram cerca de 3.800 mortos e deixaram mais de 11.500 feridos, em sua maioria civis, o cessar-fogo parece estar se mantendo no Líbano, apesar de alguns confrontos entre o exército israelense e o Hezbollah em certos pontos da linha de frente no sul do país.
Nesta terça-feira (16), observa-se um
tímido movimento de retorno dos deslocados, sobretudo nas localidades situadas
ao norte do rio Litani, apesar do anúncio do primeiro-ministro israelense,
Benyamin Netanyahu, de que seu exército não se retirará das áreas ocupadas.
O
ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, conversou por telefone
na segunda-feira (15) com o presidente libanês, Joseph Aoun, e o presidente do
Parlamento, Nabih Berry, para informá-los da entrada em vigor “imediata e por
um período de 60 dias” do cessar-fogo no Líbano.
Os libaneses estão divididos entre alívio, cautela e ceticismo, relata Paul Khalifé, correspondente da RFI em Beirute. Há alívio diante da clara diminuição da intensidade dos combates, após três meses e meio de uma onda de violência que deixou milhares de mortos e feridos. O período também foi marcado por um nível de destruição considerado sem precedentes, mesmo em comparação com guerras anteriores vividas pelo país.
Bairros inteiros foram devastados, com a
demolição de casas e a degradação de vastas áreas rurais. Bombardeios com
substâncias tóxicas tornaram parte dessas terras impróprias para cultivo,
inviabilizando a retomada das atividades agrícolas e prolongando os impactos
económicos e sociais do conflito.
Mas a
esperança vem acompanhada de cautela, porque os desdobramentos do processo de
paz permanecem incertos. O acordo entre o Irã e os Estados Unidos prevê a
paralisação dos combates, mas não a retirada do exército israelense, que ocupa
cerca de 10% do território libanês.
O Hezbollah afirmou em um comunicado que continua “comprometido com o direito legítimo e consagrado do Líbano de defender seu território, seu povo e sua soberania, até a retirada total e a libertação dos detidos libaneses por parte de Israel”.
O ceticismo dos libaneses se deve ao
fato de que as reais intenções de Israel não são conhecidas. O líder druso
Walid Jumblatt declarou, assim, que só acreditaria no acordo entre Teerã e
Washington “no dia em que Israel parar de bombardear o Líbano e de demolir
casas no sul”. Ele reafirmou sua oposição às discussões diretas com o Estado
hebreu.
Além
disso, começam a surgir obstáculos políticos. OHezbollah exige a suspensão
das negociações diretas com Israel e privilegia as discussões indiretas. O
primeiro-ministro Nawaf Salam parece favorável às trocas diretas, enquanto o
presidente Joseph Aoun não deixou claras suas intenções.
O ministro iraniano das Relações Exteriores anunciou o provável início de conversas aprofundadas com os Estados Unidos para sexta-feira (19), data prevista para a cerimónia de assinatura do memorando de entendimento alcançado entre os dois países após mais de três meses de guerra.
"Provavelmente na sexta-feira, em um local ainda a ser determinado, terá início uma nova rodada de negociações entre o Irã e os Estados Unidos, com o objetivo de chegar a um acordo final", disse Abbas Araghchi durante uma reunião com diplomatas estrangeiros transmitida pela televisão estatal.
Ele ainda enfatizou a importância de encerrar a guerra no Líbano entre Israel e o Hezbollah, grupo pró-Irã.
"Este é, sem dúvida, o ponto mais importante do acordo: o anúncio da suspensão imediata e permanente das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano", concluiu Araghchi. :ANG/RFI

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