Nepal/Mais de 1.300 desaparecidos após enxurradas
Bissau,
27 Ago 26(ANG) – Equipas de resgate continuam hoje a procurar mais de 1.300
pessoas desaparecidas devido às enxurradas que atingiram a região fronteiriça
entre o Nepal e a China, onde pelo menos 168 pessoas morreram.
De
acordo com o mais recente balanço da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de
Riscos de Desastres do Nepal, pelos menos 165 pessoas morreram e 826 estão
desaparecidas, numa altura em que se intensificam as operações nos distritos
mais afectados de Nuwakot e Rasuwa.
Horas
antes, as autoridades da China tinham elevado de 265 para 558 o número de
desaparecidos no município de Shigatse, na região do Tibete, onde já foi
confirmada a morte de três pessoas.
As
encostas íngremes e os vales verdejantes situados abaixo da cordilheira dos
Himalaias são particularmente vulneráveis a inundações e deslizamentos de
terras, enquanto fenómenos meteorológicos extremos, como monções intensas e o
degelo dos glaciares, tornaram-se mais frequentes devido ao aquecimento
provocado pelas alterações climáticas de origem humana.
A
região registou enxurradas semelhantes em agosto de 2025, quando um lago
glaciar no Tibete transbordou devido às temperaturas elevadas. Nove pessoas
morreram e infraestruturas essenciais, incluindo uma ponte que liga o Nepal à
China, ficaram danificadas.
Imagens
captadas por drone no Nepal mostraram estradas destruídas e edifícios
soterrados por torrentes de água.
Os
vales íngremes da região constituem importantes corredores económicos e de
transporte, mas tornam-se particularmente vulneráveis em situações de
catástrofe.
Imagens
mostraram o que pareciam ser os segundos pisos de edifícios no distrito de
Nuwakot, um dos mais afetados no Nepal, cobertos de lama após a passagem das
águas.
Destroços
ficaram presos em ramos de árvores e cabos, veículos foram soterrados e alguns
sobreviventes, cobertos de lama, mostravam-se atordoados. As inundações
interromperam as deslocações em algumas zonas.
As
autoridades nepalesas tinham anteriormente indicado que 403 pessoas, incluindo
341 estrangeiros, estavam dadas como desaparecidas.
Sunil
Sharma, porta-voz do organismo de turismo do Nepal, afirmou que entre os
desaparecidos estavam 133 cidadãos indianos que participavam numa peregrinação
ao monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para os hindus.
Estavam
também desaparecidos 47 cidadãos dos Estados Unidos, 34 da Austrália, 33 do
Reino Unido e 24 do Canadá, segundo o responsável.
O
Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa que pelo menos dois cidadãos
portugueses, um homem e uma mulher, estão entre os desaparecidos.
O
Governo nepalês ainda não solicitou ajuda, mas a Austrália está a coordenar com
o Nepal, as Nações Unidas, a Cruz Vermelha e outras organizações uma eventual
resposta humanitária, acrescentou.
A
cordilheira dos Himalaias atravessa vários países do sul da Ásia e alberga
alguns dos picos mais altos do mundo e vários glaciares.
ANG/Inforpress/Lusa

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