Etiópia/União Africana pede combate
ao tráfico de migrantes após naufrágio que deixou 139 mortos no Djibuti
Bissau, 12 Out 26 (ANG) - A União Africana (UA) pediu, no domingo (11), que se “combata o tráfico de migrantes”, após a ONU anunciar a morte de pelo menos 139 pessoas no naufrágio de uma embarcação superlotada na costa do Djibuti.
O presidente da Comissão da UA, Mahmoud
Ali Youssouf, expressou “profundo pesar” e ressaltou, em comunicado, a urgência
de “enfrentar as causas profundas da migração irregular” e de “promover uma
migração segura, ordenada e regular”.
Além
dos mortos, 84 pessoas estão desaparecidas após o naufrágio da embarcação superlotada
que seguia para o Iêmen. A maioria das vítimas era de origem etíope, informou a
ONU neste domingo.
Dezenas de milhares de migrantes percorrem todos os anos a chamada “Rota do Leste”, trajeto marítimo que liga o Chifre da África ao Iêmen, passando pelo Djibuti e pelo estreito de Bab el-Mandeb, apesar de ser uma das rotas migratórias mais perigosas do mundo.
Mais de 80 pessoas sobreviveram ao naufrágio, todas de nacionalidade etíope, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU. De acordo com os sobreviventes, a embarcação, que estava lotada, virou na madrugada de 9 de Outubro, perto de Guhere, ao norte da cidade djibutiana de Obock, segundo comunicado da organização.
A embarcação transportava 305 pessoas,
informou à AFP o chefe da missão da OIM no Djibuti, Alexandre Coissac. O barco,
“pequeno demais para o número de passageiros”, virou a algumas dezenas de
metros da costa, acrescentou. “Sobreviventes me disseram que a embarcação
começou a virar pela popa assim que eles subiram a bordo”, relatou.
A organização está prestando assistência
a 64 sobreviventes em seu centro de apoio a migrantes em Obock, oferecendo,
entre outros serviços, cuidados de saúde, alojamento temporário e ajuda
alimentar. Enquanto isso, as autoridades do Djibuti prosseguem com as operações
de busca.
Apesar da retomada dos combates no Iêmen no início de Setembro, entre os rebeldes houthis,
apoiados pelo Irã, e as forças pró-governo, a OIM registou a chegada de mais de
20 mil pessoas procedentes da Etiópia ao Djibuti desde 10 de Setembro.
“O objetivo continua sendo chegar aos países do Golfo”, explicou Coissac. Ele ressaltou que um grupo de cerca de 150 pessoas que estava na embarcação naufragada já havia sido rejeitado no Iêmen e, mesmo assim, tentou novamente fazer a travessia.
O
representante da OIM relatou ter conversado com um sobrevivente originário do
Tigré, região no norte da Etiópia, onde os combates foram retomados no mês
passado entre a Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF) e o Exército
federal.
“Essa tragédia nos lembra de forma
brutal os perigos aos quais os migrantes estão expostos ao longo dessa rota
migratória”, percorrida na esperança de encontrar melhores “oportunidades económicas”,
resumiu Coissac.
Segundo a OIM, este é um dos naufrágios
mais letais dos últimos anos na costa do Djibuti.
Em 2025, mais de 900 migrantes morreram
ou desapareceram na “Rota do Leste”, tornando aquele o ano “mais mortal já
registado”, segundo a OIM. O número de pessoas que percorreram esse trajeto
aumentou 18% no período, informou a agência da ONU.
Entre 1º de Janeiro e 1º de Outubro de
2026, a organização contabilizou cerca de 178 mil chegadas ao Djibuti
provenientes da Etiópia.
“Não podemos continuar a encarar essas
mortes como algo normal. Vias de migração seguras e legais salvam vidas. Apelo
aos governos e aos doadores para que ajam antes que outra embarcação
naufrague”, declarou Amy Pope, diretora-geral da OIM, citada no comunicado. ANG/RFI/AFP

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