quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Ambiente/16.ª Assembleia-Geral do CAFÉ recomenda  reforço do compromisso africano com financiamento e conservação da biodiversidade

Bissau, 01 Out 26(ANG) – Os participantes da 16.ª Assembleia-Geral do Consórcio Africano de Fundos para o Ambiente (CAFÉ) recomendaram um novo compromisso para reforçar o financiamento, a governação e  participação das comunidades na conservação da biodiversidade em África.

A recomendação vem expressa na  “Declaração de Bissau”, adotada no fim dos trabalhos da 16.ª Assembleia-Geral do CAFÉ, realizada em Bissau, entre os dias 28 e 30 de Setembro.

A Declaração estabelece um conjunto de medidas destinadas a garantir que os recursos para a conservação estejam alinhados com as prioridades nacionais e com as necessidades dos territórios e das comunidades.

Entre as principais medidas previstas está o reforço dos fundos de dotação e de amortização, acompanhado por mecanismos de governação sólida, supervisão independente dos investimentos e políticas de investimento prudentes e alinhadas com os objetivos de conservação.

Os participantes se comprometeram a aumentar, progressivamente, os investimentos em África,  através de instrumentos financeiros africanos, em linha com o Compromisso de Kinshasa.

A Declaração de Bissau prevê ainda o reforço da transparência e da prestação de contas, através da prevenção de conflitos de interesses, realização regular de auditorias independentes e divulgação de informações sobre os recursos recebidos, a sua aplicação e os resultados alcançados.

A proteção dos ecossistemas costeiros e marinhos é outra prioridade  assumida pelos membros do Consórcio Africano do Fundo para Ambiente (CAFÉ).

A Declaração de Bissau defende  aumento de  apoio às áreas marinhas e costeiras protegidas, aos mangais e às paisagens marinhas, além do reforço da ligação entre ecossistemas costeiros, marinhos, de água doce e terrestres.

O documento destaca ainda a importância dos corredores transfronteiriços, incluindo a Rota Migratória do Atlântico Leste, para a proteção e conservação da biodiversidade.

No domínio da governação, os membros defendem modelos de gestão colaborativa e de cogestão, o ordenamento do espaço marinho e o aumento da eficácia na gestão das áreas protegidas.

A Declaração coloca  as comunidades locais, mulheres, jovens e autoridades tradicionais no centro das políticas de conservação, defendendo o respeito pelos seus direitos, incluindo o direito ao consentimento livre, prévio e informado.

Os conhecimentos tradicionais, os lugares sagrados e os sistemas de governação comunitária foram reconhecidos como elementos fundamentais para a conservação da biodiversidade.

Os participantes defendem ainda a criação de mecanismos que permitam as comunidades locais e aos povos indígenas aceder diretamente ao financiamento dos Fundos Fiduciários e participar efetivamente nas decisões relacionadas com a conservação.

A Declaração prevê igualmente modalidades de financiamento adaptadas às organizações comunitárias, mecanismos de recurso acessíveis e uma distribuição equitativa dos benefícios.

Outro compromisso assumido se relaciona ao reforço da cooperação entre os membros, através da criação de um programa comum destinado a consolidar os Fundos Fiduciários africanos e acompanhar os fundos emergentes.

A iniciativa deverá incluir ações de mentoria entre pares, partilha de ferramentas e normas de governação, reforço das capacidades fiduciárias e preparação para a mobilização de capitais.

O evento reuniu representantes de cerca de 20 países africanos, parceiros internacionais e especialistas da área ambiental.

Durante o encontro, os participantes debateram formas de mobiliz
ar financiamentos de longo prazo para a proteção do ambiente e a conservação dos recursos naturais em África.

As discussões centraram-se na restauração dos mangais, na proteção da biodiversidade e na criação de mecanismos financeiros para apoiar projetos ambientais sustentáveis. ANG/ÂC//SG

Ambiente//Guiné-Bissau e Senegal assinam acordo para conservação e gestão da zona costeira

(ANG) – A Guiné-Bissau e o Senegal assinaram quarta-feira, um acordo de cooperação para a conservação da zona costeira transfronteiriça e a criação do Vale do Cacheu, abrangendo a Baixa Casamansa, no Senegal.

O acordo foi assinado no âmbito da 16ª edição do CAFÉ – Consórcio de Fundos Ambientais Africanos, que decorreu entre os dias 28 e 30 de setembro em Bissau.

O acordo foi assinado pelo ministro do Ambiente e da Ação Climática da Guiné-Bissau, Carlos Pinto Pereira, e pelo ministro do Ambiente e da Transição Ecológica do Senegal Aliou Gori Diouf.

O documento prevê monitoramento coordenado e patrulhas conjuntas, prevenção de atividades ilegais, levantamento e monitoramento ecológico, troca de dados, promoção de atividades econômicas sustentáveis, ecoturismo, educação ambiental e capacitação.

Ainda prevê uma candidatura conjunta transfronteiriça à UNESCO, através de um único dossiê, para a designação da reserva, no âmbito do programa Economia Humana e Biosfera (MAB).

O acordo  contempla a protecção de  mangais, aves migratórias, tartarugas marinhas e outras espécies importantes para os ecossistemas da região, além da promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

O acordo inclui ainda ações conjuntas de fiscalização, investigação científica, monitorização ambiental, troca de informações e promoção do ecoturismo.

O ministro do Ambiente e Acção Climática da Guiné-Bissau, Carlos Pinto Pereira, disse que a  assinatura deste acordo é um passo importante para reforçar a cooperação entre a Guiné-Bissau e o Senegal na proteção dos recursos naturais e na preservação dos ecossistemas costeiros da África Ocidental.

« A aprovação deste acordo representa um novo marco na cooperação entre a Guiné-Bissau e o Senegal para a proteção dos ecossistemas costeiros partilhados, a conservação da biodiversidade e a promoção do desenvolvimento sustentável em benefício das comunidades de ambos os lados da fronteira », disse o governante. ANG/ÂC//SG

 


Cooperação
/Guiné-Bissau reafirma compromisso de reforçar relações diplomáticas com a China

‎Bissau, 01 Out 26(ANG) - As autoridades de transição d Guiné-Bissau reafirmaram o compromisso de aprofundar as relações diplomáticas e de cooperação com a República Popular da China.

‎A reafirmação  foi expressa pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, João Bernardo Vieira, durante as celebrações do 77.º aniversário da fundação da República Popular da China, realizadas na noite de quarta-feira, na Embaixada chinesa em Bissau.

‎No seu discurso, o governante destacou o papel da China no apoio ao desenvolvimento do país, sublinhando que a cooperação bilateral vai além da construção de infraestruturas.

‎Segundo João Vieira, nos últimos anos, centenas de funcionários guineenses beneficiaram de seminários, cursos de curta duração, programas de mestrado e formações técnicas na China, regressando ao país com conhecimentos práticos que contribuíram para o reforço das capacidades técnicas do Estado.

‎O ministro considerou que estes investimentos na formação de quadros nacionais têm permitido à Guiné-Bissau conduzir, de forma soberana, o atual processo de transição política e preparar a realização de eleições livres e justas, previstas para 6 de Dezembro deste ano.

‎Bernardo Vieira salientou ainda que a cooperação sino-guineense tem produzido resultados visíveis através de diversas infraestruturas consideradas emblemáticas no país, e disse que a parceria é mutuamente vantajosa, uma vez que a Guiné-Bissau tem mantido uma posição diplomática estável e um compromisso firme com o princípio de “Uma Só China”.

‎O titular da pasta da Justiça e dos Direitos Humanos afirmou que, apesar do contexto de transição política, a Guiné-Bissau permanece fiel aos seus princípios e continua empenhada no fortalecimento das relações de amizade, solidariedade e cooperação com a República Popular da China.

‎As celebrações do 77.º aniversário da fundação da República Popular da China reuniram membros do Governo de transição, representantes do corpo diplomático, organizações internacionais e diversas personalidades da sociedade guineense, num momento marcado pela reafirmação dos laços históricos de amizade entre os dois países. ANG/RSM